quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Uma nova esperança

Realizou-se terça-feira dia 8 de Fevereiro em Sharm El Sheik (Egipto) um encontro entre Mahmoud Abbas, presidente da autoridade palestiniana e Ariel Sharon, primeiro ministro de Israel. Após quatro anos de afastamento total, israelitas e palestinianos iniciaram agora uma nova tentativa de chegar a um acordo que possa, finalmente, trazer paz efectiva e duradoura para o Médio-Oriente.
O primeiro passo foi uma declaração bilateral de cessar-fogo e uma vontade demonstrada por ambas as partes de trilharem um novo caminho...É, sem dúvida, um bom sinal! Resta saber qual será o alcance desta nova via, nomeadamente, no que respeita aos inúmeros grupos radicais que até agora têm sobrevivido em ambos os lados. Do lado palestiniano, o Hamas não tardou a responder a este encontro: "esta trégua não nos vincula". Do lado Israelita, não tardarão também a aparecer extremistas que não facilitarão de forma alguma a obtenção de qualquer acordo (recorde-se o que aconteceu a Isaac Rabin em 1995). Terão ambos os governos capacidade para controlar estas facções? Não sabemos! No entanto, uma nova atitude tem que ser adoptada: pelo lado da nova autoridade palestiniana, aqueles que insistirem na via do terror, terão de ser considerados criminosos e perseguidos por isso. Não será um processo rápido, pois os meios são escassos. Mas, com vontade e coragem, será possível. Além disso, embora uma real democracia (em todas as suas vertentes) esteja longe de existir na Palestina, a verdade é que Abbas foi massivamente eleito pelo seu povo e, portanto, tem a força e legitimidade que só o voto pode dar. Pelo lado israelita, independentemente de terem o direito/dever de se protegerem, tem que existir uma atitude de maior tolerância e uma maior capacidade de cedência em certos pontos essenciais.
Há de facto um longo e difícil caminho a percorrer... No entanto, devemos acreditar que a paz um dia será alcançada! Penso que a morte de Yasser Arafat e as eleições realizadas no território palestiniano poderão ter aberto uma nova era. Além disso, acredito que já existe uma enorme saturação na maioria de ambas as populações. A título de exemplo e um exemplo vale o que vale, tenho um colega aqui em Nova Iorque que é Israelita e, inclusivamente, pertenceu até há muito pouco tempo ao exército...Conversando com ele sobre este assunto, disse-me: "Esta guerra nunca nos levará a lado nenhum. Estou farto!" Perguntando-lhe o que é que achava deste nova atitude demonstrada por Israelitas e Palestinianos, respondeu-me: "Tenho esperança...muita!"