terça-feira, maio 24, 2005

O PS, o Governo e...Nós

Temos o défice mais alto da zona Euro - 6,83%. Após alguns anos em que nos enfiaram na cabeça que algo de relevante estava a ser feito para combater o monstro, chegamos a 2005 e verificamos que afinal todo o pseudo esforço do Estado foi em vão. Perante esta triste realidade, os nossos governantes e o partido que os suporta parecem ter ficado totalmente surpreendidos e chocados. E agora? Por um lado, temos o aparelho do PS que não está disposto a nada que não seja deixar tudo como está e, se possível, que se arranje mais uns jobs. Ainda na Sexta-Feira passada assisti a um belo espectáculo de Jorge Coelho em Faro que gritava que não seriam instaladas portagens na via do infante, que seria construído o novo hospital do Algarve, no fundo, que tudo seria um mar de rosas. Por outro lado, a manchete do Expresso dizia que se o governo PS não aceitasse tomar medidas difíceis para combater o défice, o Ministro das Finanças demitir-se-ia. Em que é que ficamos? Sócrates tem um mandato para mostrar quem é que manda: se o aparelho socialista no governo, ou o contrário.

Parece que está para muito breve o anúncio das medidas do governo para combater o défice. Não gosto de fazer prognósticos, mas arrisco afirmar que não serão as medidas propostas que matarão definitivamente o monstro.
A razão do défice excessivo está há muito identificada: despesa do Estado. Os governos PSD aumentaram os impostos e cortaram em meia dúzia de despesas relativamente insignificantes do Estado. O resultado está à vista. Temo que o caminho do actual governo seja exactamente o mesmo. Se for essa a solução, aposto que daqui a uns tempos estaremos com os mesmos lamentos. O problema do Estado não é falta de dinheiro, mas sim, falta de organização. Quando aparecer um Governo corajoso, disposto a enfrentar todos os interesses corporativos que se movem em Portugal e com um objectivo claro de organizar o Estado, de o reduzir, de o desburocratizar, de o tornar eficiente, talvez possamos um dia mudar de assunto. Até lá, contentamo-nos com o futebol, as p.... e o vinho verde.

3 Comments:

Blogger Henrique Raposo said...

É preciso começar a utilizar a palavra proibida: liberalismo

5:11 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Não querendo defender ninguém, não sei se será um problema exclusivamente do aparelho do PS.
A título de exemplo, as promessas (cumpridas) de baixar impostos do anterior PM, sem sequer averiguar se existiam condições orçamentais para tal, também contribuiram para o agravamento do défice. No fundo, os Santana Lopes e Jorges Coelho que pululam pela cena política portuguesa limitam-se a dizer o que o povo quer ouvir, e é obvio que não é a prometer aumentar impostos que se conquista o eleitorado...

11:54 da tarde  
Blogger Joana said...

Ok, a situação até pode ser urgente. Mas será "ético" aumentar os impostos sem planear e implementar uma reforma da administração, uma reforma fiscal? Porque para mim o ponto é este: sobem os impostos agora, mas até quando. Quando, senhores, vamos ter um Governo capaz de enfrentar sindicatos? Francisco, orgulha-te: queria alguém "quase" tipo Reagan: ah fazem greve e tal, então vamos buscar outros para o vosso lugar... (sei que é inconstitucional, mas entre o ético e o constitucional, prefiro o ético)...

9:59 da manhã  

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