quinta-feira, junho 23, 2005

Dever de Respeito

Só uma pequena observação:
Se um trabalhador de uma qualquer empresa deste país chamasse mentiroso e gatuno ao seu superior hierárquico, com certeza ser-lhe-ia instaurado um processo disciplinar e, muito provavelmente, seria despedido.
Nos últimos dias tenho assistido a muitos funcionários públicos a chamarem aqueles mesmos nomes aos seus superiores hierárquicos. Não será isso motivo bastante para instauração de um processo disciplinar a esses indivíduos? Ou os deveres de respeito e de urbanidade também não se aplicam aos funcionários públicos?

10 Comments:

Blogger Joana said...

Isto assusta-me... mas concordo contigo, outra vez... estarei a virar facista? :op Beijokas

9:58 da manhã  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Mas estás-me a chamar fascista???
Que isso nem te passe pela cabeça...O que tu estás é a ficar mais madura e a perder aqueles tiques de extrema esquerda :).
Beijinhos

10:01 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

nada disso.
como te dirá a esquerda, isso é liberdade de expressão...

10:38 da manhã  
Blogger Henrique Raposo said...

V. é muito engraçada...

11:29 da manhã  
Anonymous Bruno said...

O direito à greve e ao protesto colectivo extravasa o âmbito das relações profissionais ou da orgânica de qualquer empresa ou instituição. As palavras de ordem ou protestos (mesmo que ofensivos) proferidos nesse contexto não podem ser vistos no âmbito de disciplina interna.

Se os senhores visados se sentem ofendidos, avancem com um processo em tribunal por difamação! Essa ideia do processo disciplinar e despedimento é absurda e subversiva! Devia pensar um pouco antes de dizer essas coisas, não vá alguém julga-lo fascista!

3:48 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Mas alguem deve ser despedido por falar verdade??
Não é uma questão de fascismo é de veracidade.

4:23 da tarde  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Caro Bruno,
Absurdo é admitir-se a existência de uma sociedade que atribui privilégios injustificados a uma classe só por se chamar "pública";
absurdo é tolerar-se que sindicatos politizados, anti-democráticos e anti-progresso possam organizar greves com o objectivo único de prejudicar interesses muito mais elevados do que aqueles que as greves supostamente pretendem defender.
Não me parece que o direito à greve suspenda um dever mínimo de respeito para com o superior hierárquico. Ou acha admissível que eu num dia, ao abrigo de uma greve, esteja a chamar ladrão, aldrabão e outras coisas mais a quem me paga o ordenado e amanhã lhe esteja a dar palmadinhas nas costas? É a mesma coisa que considerar que um trabalhador no local de trabalho deve respeitar o seu superior e encontrando-o na rua, fora do horário de trabalho, o possa insultar, sem colocar em causa a relação mínima de confiança que é pressuposto de uma relação laboral.
Quanto a julgarem-me fascista, como bom democrata que sou, estejam à vontade. Mas, normalmente, aqueles que insinuaram que eu pudesse ser, eram normalmente grandes defensores de "democracias estalinistas".
Estou perfeitamente convencido que não é o caso do Bruno.
Obrigado pelo seu comentário e esperamos continuar a poder contar com as suas intervenções.

9:49 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

de um prisma exclusivamente jurídico, devo dizer-lhe que a questão, nos termos em que a coloca, é curiosa. mesmo tendo em conta que a forma como está colocada está comprometida com uma resposta. ou que manipula conceitos e mistura realidades. isso dou de barato, até porque não foi colocada enquanto questão-de-direito.
seja como for, duvido que qualquer tribunal deste país (ou dos açores) lhe viesse a dar razão - nem mesmo para as empresas privadas. as liberdades sindicais e o direito à greve têm que funcionar aí como um chapéu com umas abas algo abrangentes, sob pena de o respectivo conteúdo vir a ser posto em causa. excessos como os que descreve não são absolutamente intoleráveis numa sociedade livre. e se é um facto que os deveres de respeito e de urbanidade se estendem para além do local de trabalho, também é certo que a sua intensidade é aí menor. em todo o caso, a questão fica em aberto.

3:18 da manhã  
Anonymous Bruno said...

Caro Francisco,

Não discuto o oportunismo dos sindicatos quanto à questão das greves. Não toquei nesse ponto, porque julgo partilhar da sua opinião, neste caso em particular. Sou absolutamente contra os privilégios injustificados de qualquer classe ou profissão. Nem tão pouco defendo os insultos a superiores hierárquicos (ou a quem quer que seja), dentro ou fora do local de trabalho.

Considero, no entanto, que o insulto na praça pública deve ser tratado como tal. O facto do visado ser o patrão não deve ter implicações a nível profissional. Trata-se de um litígio entre dois cidadãos ou, neste caso, entre um membro do sindicato e um representante da instituição empregadora.

O dever de respeito para com um superior hierárquico tem vigência, apenas, no âmbito da relação profissional. Fora dela vigora o dever de respeito entre cidadãos ou entre instituições. Volto a afirmar que considero as suas afirmações perigosas, já que a transposição de uma posição hierárquica para uma relação civil pode degenerar no aparecimento de privilégios injustificados, contra os quais se manifestou.

4:27 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

caro bruno,
o dever de respeito, no âmbito de uma relação laboral, pode extravasar essa mesma relação. ou seja, não vigora apenas enquanto o trabalhador está em horário de trabalho, no local de trabalho. basta pensar num ponto - a relação do trabalhador com o seu empregador e com os seus superiores hierárquicos assenta numa base: a confiança. quebrada esta, há fundamento para o fim da relação de trabalho. de facto, não se pode exigir a um empregador que mantenha ao seu serviço alguém em quem não deposita confiança.
assim sendo, será que, se o trabalhador insultar o seu empregador na rua, ao fim-de-semana, ou lhe der um par de tabefes num restaurante, à hora de jantar, não pode este despedir aquele com justa causa? é evidente que pode...
e que há uma conexão evidente entre o exercício do direito à greve e a relação laboral é, ao contrário do que parece resultar de um seu comentário anterior, um dado assente.
o problema é transpor tudo isto para o problema levantado pelo francisco, em que há outras condicionantes a ter em conta...

12:04 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home