sexta-feira, junho 17, 2005

O Fim dos Sindicatos



Num momento em que milhares de alunos enfrentam os decisivos exames nacionais, os senhores professores decidiram convocar uma greve. Fazem-no com o argumento de que estão a defender os seus direitos. Muito bem! Têm todo o direito! E eu tenho todo o direito de considerar que os senhores professores não pensam nos seus alunos neste momento tão importante das suas vidas. Tenho todo o direito de pensar que esta greve não é para protestar contra as políticas do governo, mas sim contra os alunos. Se calhar estou a retirar conclusões precipitadas, mas este tipo de atitudes a que os sindicatos já nos habituaram, levam os portugueses a retirar conclusões precipitadas sobre esses mesmos sindicatos.
Acomodados aos seus lugares, os senhores dos sindicatos ainda não perceberam (ou não quiseram perceber) que as suas estratégias reivindicativas vão conduzindo os sindicatos a uma morte lenta.
Amarrados aos seus lugares, Carvalho da Silva e companhia não querem ver que o discurso repetitivo e irresponsável com que inundam os ouvidos dos portugueses, é uma atitude suicida.
Indisponíveis para dar lugar a novas caras, os senhores dos sindicatos não aceitam que o défice democrático das suas organizações está a dar um contributo importante para o seu fim.
Mas esta realidade não preocupa os sindicalistas. O que preocupa esses senhores são os direitos, especialmente os seus próprios direitos. Para os senhores dos sindicatos a palavra "dever" é uma palavra tabú. É pena, porque eles têm, desde logo, um dever importantíssimo: o de evitar o fim dos sindicatos!
Onde é que estão os jovens sindicalistas? Onde é que estão os jovens trabalhadores que se identificam com as posições dos sindicatos? Infelizmente, são aves raras. E infelizmente, porque considero que "um novo sindicalismo" poderia ter um papel muito importante na sociedade globalizada actual. Por exemplo, prestando serviços aos seus filiados, formação profissional, contribuindo de forma responsável para o desenvolvimento do país.
Isso não interessa aos senhores dos sindicatos, porque mais do que evitar o fim do sindicalismo, eles querem evitar o seu próprio fim.

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Vê-se o que aconteceu com a GM na Azambuja, em que um referendo entre os operários deu um resultado contrário àquilo que os sindicatos defendiam.

1:51 da tarde  
Anonymous luispedro said...

O exemplo clássio da dictomia entre sindicatos e trabalhadores é a luta Thatcher vs. Sindicato dos Mineiros em que a greve era ilegal porque nunca foi referendada pelos mineiros. Pensa-se que o sindicato teria perdido este referendo (o facto de se terem recusado a convocá-lo quando seriam quem melhor conhecia a situação no terreno é uma das grandes provas contra eles).

2:02 da tarde  
Blogger Henrique Raposo said...

Os sindicatos não querem saber dos "indivíduos" que trabalham e que, supostamente, deveriam defender. São forças de reacção de partidos políticos.

2:42 da tarde  
Blogger Joana said...

Tenho para mim, ingenuamente quiçá, que o mercado terá sempre lugar para os bons. É a tal lógica da mão invisivel. Logo, na minha mui modesta opinião, os sindicatos servem apenas para defender os mediocres, aquela massa desprezível de trabalhadores públicos instalados, que querem progredir na carreira a trabalhar pouco e mal e que acham que tudo lhes é devido...

9:16 da manhã  

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