quinta-feira, junho 30, 2005

Sou Liberal! Qual é o mal?

Quando vi o post do Henrique a apelar à lealdade e coragem dos liberais portugueses, fiquei a pensar no assunto.
De facto, em Portugal e, de um modo geral, na velha Europa, é preciso ser corajoso para se dizer, frontalmente, "eu sou liberal". Para uma grande parte da opinião pública, ser liberal é ser defensor de um capitalismo desenfreado, onde as pessoas se atropelam para atingir o seu próprio lucro, esquecendo-se os pobres, doentes e fracos da sociedade. Obviamente que ser liberal em pleno século XXI não é nada disso. Ser liberal é acreditar no indíviduo, ou seja, em nós; é acreditar na liberdade e na igualdade como valores fundamentais; é acreditar que o Estado não deve servir para dificultar injustificadamente o desenvolvimento individual e colectivo, devendo deixar o seu papel de "jogador" e actuar antes como um árbitro isento do nosso "jogo"; é acreditar que o Estado deve concentrar a sua função social no apoio àqueles que realmente necessitam de ser ajudados e não aos "parasitas".
Mas, hoje, mais do que tudo, ser liberal é saber olhar para experiência histórica e verificar que foi este sistema que possibilitou os períodos de maior desenvolvimento e prosperidade da história da humanidade.
Com isto não digo que o liberalismo é o sistema perfeito! Esse papel deixo para o comunismo. Mas, estou convicto, que é o menos mau.
Olhe para a França e para os E.U.A., compare... e tire as suas conclusões...

5 Comments:

Blogger Henrique Raposo said...

grande

4:56 da tarde  
Blogger T. M. said...

Julgo que o post esta' algo confuso, ou melhor: difuso. No que diz claramente parece-me que ninguem discordaria. No que e' mais polemico, e' tambem algo insipiente, se nao mesmo tautologico. Quando diz que o Estado deve concentrar a accao social naqueles que precism realmente de ajuda esta a contradizer o que disse antes, que devia ser apenas arbitro e nao jogador. Quando usa a expressao dos parasitas isso e' insipiente porque qualquer teoria defenderia isso: a questao esta em saber "quem" (ou "como definir quem ") sao os parasitas. Sao todos, como na pewrspectiva de Nozick? Ou nenhuns, na perspectiva marxista? Dizer so' isso parece-me pouco esclarecedor...

6:28 da tarde  
Blogger Joao Galamba said...

Caro Francisco,

A tua declaração-manifesto determina muito pouco. Posso até dizer que pode ser quase neutra entre esquerda (alguma -pouca, reconheço)e direita (idem). Ela é apenas Liberal, mas isto não diz tudo.

6:30 da tarde  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Caros T.M e João,
Agradeço os vossos comentários. São interessantes e construtivos.
Quanto às vossas críticas, tenho a dizer o seguinte:
Se está confuso, difuso, insipiente ou tautológico, não sei. Eu penso que está simples e directo. Com o meu post não pretendo fazer um tratado sobre o liberalismo. Não tenho tempo, nem, porventura, conhecimentos suficientes e essa função está muito bem atribuída aos meus colegas Gonçalo e Henrique. Limito-me a falar do liberalismo na forma como eu o vejo numa perspectiva futura: em que o Estado não presta serviços (e aí é o árbitro), mas pode e deve ajudar os mais carenciados (e aí está a sua faceta social). Não me parece que um lado social seja contraditório com o papel de árbitro, mas sim complementar. Quanto aos parasitas, a sua identificação não me parece assim tão complexa. São aqueles que, não estando doentes, tendo capacidade de trabalho e, muitas vezes até, tendo capacidades económicas, se sustentam à custa de um Estado social cego que não discrimina positivamente.
Pois é João, tens toda a razão. A minha declaração é apenas liberal e não pretende ser mais do que isso. Sei que se fala em liberais de esquerda e de direita. Eu acredito que o liberalismo do futuro será neutro, ou, se quiseres, misto, aproveitando os aspectos positivos da esquerda e da direita. Se calhar, até já existe, na chamada 3ª Via seguida por Blair.
Um abraço aos dois

7:22 da tarde  
Blogger Joao Galamba said...

Francisco,

O meu comentário não seria relevante se tu apenas estivesses a fazer um manifesto sobre ser Liberal. Mas como o post vem na sequência da reacção da direita liberal blogosférica, penso que o meu pedido de esclarecimentos faz algum sentido.
Em relação à tua clarificação dos parasitas, concordo contigo. Mas olha que à direita a noção de "parasitas" costuma ser um pouco mais extensiva do que a minha (aí começa a esquerda e direita). Eu sou a favor de um (não digo "do")rendimento mínimo e não penso que isso seja anti-liberal (existem liberais egualitários).
A questão do arbitro e da neutralidade é muito complexa (penso que impossível) e fica para próximas conversas.
Cumprimentos,
João Galamba

7:44 da tarde  

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