domingo, julho 24, 2005

Em Vias de Subdesenvolvimento

Cheguei de férias. Estive 10 dias no Brasil, num local ainda não descoberto pelas massas turísticas. Ao calor, às paisagens deslumbrantes, à excelente gastronomia, junta-se a corrupção, a instabilidade, a cultura do desenrascanço. Na localidade onde estive, o Prefeito tinha sido eleito no ano passado, mas um mês depois foi exonerado por ter comprado votos (fiquei a saber que é normal comprar votos no Brasil). Recorreu para o Tribunal Estadual e lá se safou...Está de volta. Dizem os locais que o Vice-Prefeito é filho de um Conselheiro do Supremo Tribunal e, portanto, ao cair o Prefeito o Vice seria arrastado e isso seria impensável.
Voei na TAP para Lisboa e constatei que, apesar da nova imagem, os hábitos continuam os mesmos. Fui recebido por umas carrancudas hospedeiras em idade de reforma, algumas cuja largura lhes dificultava a passagem pelos corredores do avião e por uns comissários bronzeados com uma atitude de quem esteve de férias no Brasil e não pretendia ser incomodado. Aqueles funcionários da TAP, não estavam ali a prestar um serviço pelo qual eu e os outros passageiros pagámos umas largas centenas de euros, mas sim, a fazer-nos um grande favor. Comecei por ficar incomodado por ser esta a primeira imagem de Portugal, mas depois lembrei-me: “É verdade! A TAP ainda é uma empresa pública”.
Depois da massacrante viagem, lá cheguei ao Aeroporto da Portela. Como habitualmente, não assisti a nenhuma fila de aviões para aterrar ou descolar, nem vi uma multidão acotovelar-se para recolher a bagagem, como sucede nos grandes aeroportos do mundo. Será que daqui a 10 anos a situação será tão diferente que justifique os milhões que serão gastos na OTA?
De volta a casa. Estava um dia solarengo e quente, o mar visto da marginal estava lindo, almocei muito bem. Já tinha saudades do meu país.
Mas, a sede de informação fez-me dar uma vista de olhos pelos jornais e voltar a acordar para a triste realidade portuguesa: um Ministro das Finanças que se cansou e fugiu (em 1 ano já são 4), um Ministro dos Negócios Estrangeiros (para quem não se lembra, fundador do CDS) que se está a fartar do cargo e se acha em boas condições para ser o candidato da esquerda a Belém, um político na idade em que se volta a perder o juízo que está a ser empurrado para Belém. Enfim...A mesma brincadeira que tem caracterizado a política portuguesa dos últimos anos.
No Brasil profundo, olham para os portugueses como se fôssemos uma espécie de emissários do 1º mundo. Não é bem assim (penso eu para mim). É verdade que o estado do nosso país, as nossas condições de vida, ainda não se comparam com as do Brasil e outros países da América Latina. Mas, também é verdade, que já estivemos mais longe. O Brasil é um país com uma potencialidade enorme. Portugal é um país que, se não mudar radicalmente de sistema, se não se tornar competitivo neste mundo globalizado, está destinado ao fracasso.
Não sei bem o que somos hoje. Temo que sejamos um país em vias de subdesenvolvimento .
Ainda assim, é bom estar de regresso.

3 Comments:

Blogger AMN said...

Bem regressado sejas. E que tal partilhar o destino ainda não descoberto pelos restantes turistas? Ideias aceitam-se..

11:41 da manhã  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Meu Caro Adolfo,
Obrigado. O destino chama-se Praia de Perobas, município de Touros, no Rio Grande do Norte. Aquilo é tão desertico que não faz mal levar para lá mais uns turistas.
Um abraço

11:59 da manhã  
Blogger Joana said...

Bem, não te ponhas a convidar toda a gente... Muitos portugueses juntos fora do continente europeu não é muito boa ideia - olha a Madeira... Gostei de te ver...

Bjs

J

3:24 da tarde  

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