terça-feira, julho 26, 2005

Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz...



Afirmava Mário Soares há uns meses na SIC: “Seria uma coisa sem sentido candidatar-me às eleições presidenciais. Seria uma loucura”.
Eis uma frase totalmente lúcida do Dr. Soares.
Não sou um Soarista, mas reconheço o papel importantíssimo que teve na história do Portugal Democrático. Olhando para o Presidente Sampaio, confesso que até tenho uma certa saudade do Presidente Soares. Nos velhos tempos, quando Soares falava, o povo ouvia com atenção. Mas tudo tem o seu tempo. Soares mudou, o país mudou, o mundo mudou, todos mudámos.
Quando podia retirar-se naturalmente e bem, Soares parece querer insistir em voltar aos velhos tempos.
Não o critico. Faz parte da natureza humana a insistência num prolongamento dos bons velhos tempos. Infelizmente, a vida voa, e nem sempre é possível.
Ainda tenho esperança de não ter que ver Soares a fazer a figura de Amália Rodrigues no último concerto do Coliseu ou de Paulo Futre nos tempos da Reggiana.
Pena que o PS não seja sensível e solidário para com o seu fundador. Provavelmente, na política não há disso. Triste, muito triste!

11 Comments:

Blogger Paulo Trezentos said...

Engraçado, tinha feito um post alguns minutos antes (às 1:38 AM) no artigo anterior no mesmo sentido. :-)
De facto é pena e triste.

2:29 da manhã  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Caro Paulo (estimado irmão do meu grande amigo Nuno),
Reparei nisso depois de escrever o post. Não tive intenção de plagiar :). Pelo menos desta vez, estamos de acordo.
Um abraço

2:42 da manhã  
Blogger Joana said...

só acho mal usares esta "citação" no título... De resto, concordo...

11:17 da manhã  
Blogger AMN said...

Francisco, acho que o Sinédrio e o Arte da Fuga têm de começar a ponderar as suas ondas revivalistas. Como querer de volta os Europe e deixar de fora Mário Soares? Esta é a nossa contradição. Somos dos 80's por inteiro ou apenas ficamos com uma parte?
Soares forever!
Um abraço!

1:11 da tarde  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Adolfo,
Uma coisa é recordar, outra coisa é querer de volta.
Saudade para os Europe e para Soares...
:)

2:39 da tarde  
Blogger Bernardo Pires de Lima said...

Adolfo e Francisco

Eu quando falo dos Europe não os quero de volta. Quero apenas rir-me das suas figuras. O mesmo se passa com Soares. Gosto demasiado dos 90's para levar a sério os 80's.

Abraços!

3:07 da tarde  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Sente-se uma revolta sem precedentes na escrita do Bernardo...

3:13 da tarde  
Blogger Paulo Trezentos said...

Francisco,

Claro que não... :-)
Teve piada a ideia de fundo ser a mesma...

11:09 da tarde  
Blogger JMV said...

Por muito subjectivo que seja uma opinião estética - ou por isso mesmo ...- achei de um claríssimo péssimo gosto a alusão ao último concerto da Amália no Coliseu.
Meu Deus!!!
Que depuração na voz! Que emoção de se estar ela ali a despedir de uma carreira que então ia para perto de quarenta anos!Apodar tal de triste, patético ou caquético é menoscabo que muito lamento e que bem ilustrará a fixação na "eficácia" - no caso, seria uma Amália na flor da sua juventude, no inteiro domínio técnico da sua voz, no auge de vendas ou de fama - como se a Amália do Coliseu não fosse a arabização da voz, a abstratização do canto, a libertação do contigente...

6:06 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Francisco:
É de péssimo gosto a tua referência a Amália Rodrigues.
Amália foi genial até ao dia em que morreu. Cantou sempre bem.
Soares, esse, nunca foi genial. E, desde há muitos anos, só diz bacoradas.
Percebeste?

9:23 da tarde  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Caros JMV e anónimo,
Penso que terei sido mal interpretado.
Amália foi, é e será sempre um grande nome de Portugal. Não coloco minimamente isso em causa. Sem nunca ter tido quaisquer aulas de música ou de canto, Amália soube sempre cantar e interpretar como ninguém. Só isso permitiu que ela, nos últimos tempos, mesmo sem voz, conseguisse cantar. Mas Amália, como todas as pessoas, só teria ganho se tivesse sabido parar no momento certo.
A situação de Soares é, obviamente, mais discutível que a de Amália. Não é uma figura totalmente pacífica da história de Portugal. Mas, na minha opinião, Soares foi um grande político e uma personalidade marcante da democracia portuguesa. Tenho pena que nos últimos anos as intervenções de Soares se tenham tornado banais e absurdas. Isso deve-se ao facto de não ter sabido parar no momento certo. Como disse no post, não acho isso criticável, porque faz parte da nossa essência.
Admito que a minha comparação é exagerada (o que é diferente de péssimo gosto) e peço desculpa se ofendi as vossas sensibilidades.
Cumprimentos

1:16 da manhã  

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