terça-feira, setembro 20, 2005

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades

Em 1945, embalados pela vitória das democracias ocidentais aliadas ao regime soviético, os democratas e pseudo-democratas lusos ansiavam por uma mãozinha anglo-americana que os ajudasse a pôr fim à ditadura de Salazar cujo prazo de validade parecia estar a chegar ao fim. Nada de mais natural e compreensível. Como infelizmente sabemos norte-americanos e britânicos não viram grandes vantagens no projecto e só quase três decadas depois é que o regime veio a implodir, quando a grande força que o sustentava, o exército, lhe pôs cobro naquela que começou por ser uma mera reivindicação corporativa. Estranho é que alguns desses homens que na altura não viam grandes inconvenientes no envolvimento de terceiros nas questões internas do país tenham ficado tão alterados quando os Estados Unidos resolveram participar activamente no derrube duma ditadura e na tentativa de instauração de um regime democrático. Bem sei que quem está há mais de 60 anos na vida política activa corre o risco de não poucas vezes entrar em contradição em virtude de evoluções de pensamento. No entanto, convém não esquecer que uma coisa é a legitimidade de mudar de opinião, outra é a de mudar conforme a situação.

6 Comments:

Blogger Afonso Vaz Pinto said...

De facto, no que toca à questão do Iraque, mudei de opinião.
Tal como tantos outros, depois de defender uma intervenção que se mostrava urgente e evitaria que o Iraque tivesse em breve armas nucleares, apoiei, apesar de ser completa e totalmente a intervenção armada, a posição dos EUA à qual Portugal se associou.
No entanto, passados alguns meses, veio-se a verificar que, afinal (!), não havia as tais "armas de detruição massiva.
Hoje o Iraque é foco e terreno propício à proliferação de "armas de destruição colectiva", terroristas.
A intervenção no Iraque foi errada sob quase todos os aspectos e ainda estamos para ver as crateras que deixará na luta anti-terrorista e democrata.
Abraço

6:02 da tarde  
Blogger Bernardo Pires de Lima said...

Afonso,
Uma coisa é discordar da intervenção. Outra é discordar da forma como se actuou no pós guerra. São duas fases distintas que me parece estares a misturar.
Fui e estou de acordo com a decisão de então(sublinho "então"), o que não quer dizer que não seja bastante crítico em relação ao processo de nation building levado a cabo posteriormente.
Não alinho é na narrativa louçã do "quanto pior, melhor". O problema é grave e os países envolvidos têm de estar à altura das responsabilidades inerentes à acção iniciada em 2003.Nisto incluo, naturalmente, Portugal.
Abraço!

7:33 da tarde  
Anonymous Sara Vidal said...

realmente, é impressionante como o Homem não consegue aprender nada da História...
... ou será a humana ciclicidade da vida?
o certo é que os tempos não chegam a mudar e os interesses de muito poucos continuam a comandar as hostilidades mundiais.

1:24 da manhã  
Blogger Henrique Raposo said...

Sara,

‘tás gira na foto do grupo. Quando é que apanhamos por aí uma bebedeira galega?

Beijos,
Henrique

10:38 da manhã  
Blogger Afonso Vaz Pinto said...

Ó Bernardo, alinhar nas balelas que o nosso caro socialista revolucionário diz da boca para fora é coisa em que também não alinho e claro está que os países que levaram a cabo a intervenção no Iraque deverão continuar a fazer pela Democracia naquelas bandas. É clarinho como a água. Mas julgo que o que no post que comentei se está a falar do tema "intervenções externas de terceiros em questões internas de outros países". É a isso que me refiro. E esta intervenção do Iraque, que aliás foi erradíssima, lançou uma mancha enorme para futura interveções. O processo foi completamente desastroso não só no que toca às justicações apontadas como do ponto de vista de alianças internacionais.
Abraço

6:24 da tarde  
Blogger Bernardo Pires de Lima said...

Afonso, meu caro amigo. Três perguntas apenas?

1.Por que foi a «intervenção erradíssima»?
2.«Processo desastroso no que toca às justificações encontradas»? (só uma achega: quando se decide, e tu sabes bem como isso é, faz-se de acordo com o que se tem na mesa, não com o que se descobre seis meses ou um ano depois. Aliás,até o próprio Chirac afirmou na altura ter poucas dúvidas quando à posse de ADM por Saddam)
3.«Processo desastroso do ponto de vista das alianças internacionais»? (tb uma observação aqui: foi a maior coligação militar da história. Não estiveram a França e a Alemanha? É verdade. Seriam bem-vindas. Sobretudo pelo dinheiro. Se leres umas coisas sobre o assunto, verificarás que muitos dos bloqueios no seio das alianças que falas foram da responsabilidade de Paris, fielmente seguida por Berlim. Mas esta é a minha opinião, que cada vez leio menos jornais portugueses e mais livros.

Grande abraço!

11:59 da manhã  

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