quarta-feira, setembro 21, 2005

O Síndroma da Velha Europa

Donald Rumsfeld pode ter feito muitas declarações erradas na vida, mas houve uma em que estava absolutamente certo: quando apelidou o eixo franco-alemão de "Velha Europa".

Os últimos acontecimentos políticos ocorridos nestes dois grandes países, têm revelado que franceses e alemães estão mais preocupados em salvar um sistema que já não tem salvação, do que em lançar bases sólidas para a construção de um futuro para as gerações vindouras.

Em França, os resultados das últimas consultas populares têm demonstrado um crescimento preocupante das forças dos extremos. Uma grande percentagem de franceses tem votado, ou em prol do xenofobismo, ou em prol de um anti-capitalismo primário. Até agora não apareceu um projecto que tenha a audácia e o pragmatismo necessários para romper com o caduco modelo francês e que possa voltar a colocar a França na rota da modernidade e crescimento. Nicolas Sarkozy, apontado como possível candidato à presidência da república, parece querer romper um pouco com o estado de coisas actual, mas temo que os franceses não tenham a coragem de seguir o seu caminho.

Por seu lado, o resultado eleitoral do último domingo na Alemanha, dificilmente poderia ter sido pior. Mas é um resultado que espelha bem o estado da "Velha Europa" - bloqueada! Quando, finalmente, Shröeder começou a fazer algumas das reformas há muito necessárias (muitas integradas na chamada Agenda 2010), os eleitores derrotaram-no nas urnas. Quando surgia uma nova esperança reformista por parte de Angela Merkel, também esta foi derrotada. Alemães e franceses recusam-se a ver a realidade. Egoísticamente, não querem entender que, se não forem implementadas urgentemente reformas profundas do Estado e do seu papel, a força das suas nações esfumar-se-à perante a força de uma “nova” Europa (Espanha -se Zapatero não estragar o trabalho de Aznar - Inglaterra, países do leste) e de um novo mundo, comandado pela China e Índia. Todos estes países, apostando em políticas pragmáticas, que promovem a liberdade e a flexibilidade, têm vindo a assistir a um crescimento extraordinário nos últimos anos.
Os adjectivos “novo” ou “velho” nada têm que ver com idade, com história. Têm que ver com a capacidade dos povos e dos seus líderes de entenderem o mundo em que vivemos e aplicarem soluções e políticas adequadas a esse mundo. Alemães e Franceses ainda não entenderam o mundo em que vivemos. Um dia vão entender e para seu próprio bem e para o bem de todos nós europeus, esperemos que não seja tarde de mais.
E Portugal? Será que os portugueses já entenderam o mundo em que vivemos?

3 Comments:

Blogger Henrique Raposo said...

Grande regresso, camarada.

12:31 da tarde  
Blogger Bruno Gonçalves said...

Excelente post.

10:09 da tarde  
Blogger Joana said...

bem vindo...

11:28 da manhã  

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