quarta-feira, setembro 21, 2005

São rosas senhor, são rosas!

2010. Algures numa parte do globo uma força de manutenção de paz portuguesa integrada numa missão das Nações Unidas é obrigada a intervir e a usar a força para repor a ordem e para defender o quartel onde está instalada. O comandante prepara-se para responder à ameaça e quando são dadas ordens para a saída de um grupo de homens, alguns soldados manifestam o seu desagrado perante o plano delineado pelo comandante e exigem que o assunto seja previamente discutido. Entretanto o quartel começa a ser cercado. Os homens recusam-se a sair e fazem uma manifestação em frente da cantina onde entregam as armas e exigem falar com o comandante.
Absurdo? Certamente para muitos mas não para todos. Na sua crónica de hoje no Público Fernando Rosas defende entre, outras coisas, não perceber o porquê da existência de algumas limitações aos direitos dos militares, bem como a existência de um “velho Regulamento de Disciplina Militar”. No mesmo texto onde revela humildemente as suas lacunas e incompreensões afirma: “eu que, confesso, não entendo bem o que seja a ‘condição militar’ nos dias de hoje e à luz do que penso deverem ser as missões das Forças Armadas no Portugal do princípio do século XXI, defendo que os militares são cidadãos que podem cumprir missões especiais (em termos de risco, de desgaste, etc.) e devem ter um estatuto profissional que reflicta essa especificidade, sem prejuízo do exercício dos seus direitos em termos idênticos aos demais.” Está tudo muito bem explicado. Além de não compreender o que é a ‘condição militar’, para Rosas os militares são uns meros cidadãos que podem (atenção ao podem) ir lá fora cumprir umas meras missões especiais, do género ida a Badajoz comprar uns caramelos ou encher o depósito, o historiador-deputado-ex-candidato-presidencial defende que os militares devem poder exercer os seus direitos como outra pessoa qualquer. Não seria mais fácil acabar com essa coisa atrasada e retrógrada chamada Forças Armadas? E já agora fazer com que todas as armas do mundo desaparecessem e no seu lugar nascessem rosas!

3 Comments:

Blogger Bernardo Pires de Lima said...

David, meu caro Sinédrio!
Pela tua e nossa saúde mental, para quê ler Rosas e jornais portugueses, com tanta coisa boa que anda noutras publicações?
Só aqui é que um tipo que ensina História à rapaziada, tem uma página inteira, num jornal diário "de referência", onde debita tudo o que lhe apetece contra o sistema e regime políticos que o sustentam, onde vive e dos quais tira os maiores proveitos para a sua vida. Isto de facto é um paraíso para os irresponsáveis.
Abraço

12:07 da tarde  
Blogger David Castaño said...

Bernardo,
Tens toda a razão mas tenho de admitir que me dá um certo prazer bater no ceguinho.

2:25 da tarde  
Blogger Roberto Iza Valdes said...

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1:15 da tarde  

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