sábado, setembro 24, 2005

A tradição já não é o que era

A candidata da direita à Câmara Municipal de Lisboa defendeu recentemente que se for eleita presidente os passeios da capital, com excepção das zonas históricas, deixarão de ser na tradicional calçada portuguesa. Vinda de onde vem a proposta merece alguma reflexão. A medida pretende ser uma resposta aos conhecidos buracos dos passeios de Lisboa, mas não será possível manter uma boa tradição (a calçada à portuguesa) e ao mesmo tempo acabar com um má tradição (a dos buracos)? Não seria mais fácil em vez de acabar com os passeios criar uma ou várias brigadas de calceteiros (já que se pretende ser revolucionário usava-se um termo revolucionário) que daria trabalho a uns quantos trabalhadores qualificados para o efeito?
Há um outro ponto que convinha esclarecer, quais são as zonas consideradas históricas? A Baixa, o Chiado, Alfama o Castelo e a Mouraria? então e a Avenida da Liberdade, as Avenidas Novas, Campo de Ourique, a Estrela? como estabelecer a linha divisória? certamente que a canditada não gostava de sair de casa e ter à sua porta os passeios do Campo Grande em lages de betão!
A calçada à portuguesa faz parte do património de Lisboa, acabar com a calçada por causa dos buracos é a mesma coisa que encanar o Tejo por causa dos esgostos que ainda hoje lá vão parar. A calçada, a Torre de Belém, os Jerónimos e os eléctricos são Lisboa! Por outro lado a luz de Lisboa não seria a mesma se não houvesse calçada, ela reflecte o sol como nenhum outro material.
A direita, acusada de em matéria cultural só se preocupar com pedras, resolveu dar um ar de modernidade e mandar as pedra às ortigas! Não valia a pena, há coisas em que vale a pena manter a tradição.