segunda-feira, outubro 10, 2005

15 conclusões a retirar das eleições autárquicas

1. Vitória dos políticos sobre a justiça – O povo confia mais nos seus líderes do que no sistema judicial que os acusa de terem praticado crimes. A vulgarização do estatuto de arguido é uma das causas: hoje em dia é perfeitamente normal ser-se escutado, investigado, acusado e até preso preventivamente durante vários anos, para depois se ser absolvido. Alguns resultados da noite de ontem deveriam levar os agentes judiciais a uma reflexão profunda sobre as suas responsabilidades na situação decadente do Estado de Direito.

2. Pobreza intelectual gritante numa grande maioria dos autarcas portugueses.

3. Não basta ter uma mulher simpática, bonita e mediática para se ganhar eleições.

4. Não basta ser capataz numa qualquer quinta da TV e pontapear cadeiras num estádio com o seu próprio nome para se ganhar eleições num concelho que não é o seu.

5. Não é necessário um partido apresentar ideias e propostas para subir a sua votação nacional. Basta ser do contra!

6. Não é preciso um partido ter um líder com mais de 1,60 m para ganhar as eleições autárquicas. Quanto às legislativas, veremos.

7. Uma denominada Democracia Cristã (o que quer que isso signifique) vai desaparecendo a cada eleição, apenas suportada por alguns ilustres guardiães da ideologia.

8. Um líder simpático, com garra e até com dotes para a dança, é suficiente para ressuscitar ideias há muito mortas e levá-las para norte do Tejo.

9. Alguém que como trapolim para uma candidatura à Câmara “massacrou” milhares de Lisboetas foi eleito vereador e auto-intitula-se provedor de todos os por si “massacrados”. Não tardará a arranjar um qualquer artifício que o possa colocar com um ar profundamente indignado em horário nobre na TV.

10. O plano tecnológico do governo já está a surtir os primeiros efeitos: colapso nos sistemas informáticos que atrasaram o apuramento dos resultados eleitorais.

11. O discurso ao melhor estilo de Hugo Chavez começa a ganhar adeptos nos autarcas portugueses.

12. Assembleias (municipais e de freguesia) que têm a importante função de alimentar o ego de jotinhas.

13. Pinto da Costa já não manda no Porto!

14. 308 concelhos, mais de 4 mil freguesias e cerca de 500 mil candidatos a mandatos autárquicos é claramente excessivo para um país endividado.

15. Não tardarão a ressurgir vozes a favor da Regionalização: há que empregar os derrotados destas eleições.

Ps: Pede-se aos Presidentes de Câmara eleitos o favor de se apressarem a retirar os outdoors com as caras dos candidatos. Sugere-se que se envie exemplares dos mesmos para a associação portuguesa dos amigos do bigode, de modo a que se possa eleger o melhor bigode autárquico. A minoria que não tem bigode, poderá colocar o seu retrato emoldurado na sala de estar, para mais tarde recordar.

Ps1: Pede-se ao Senhor 1º Ministro que cumpra, pelo menos, uma promessa - a de não passar a governar em função de calendários eleitorais.

2 Comments:

Blogger Joana said...

Como sempre genial... Só tive pena do mau resultado da Zézinha... Pasme-se, mas era a minha favorita para Lx.

Baci

J

10:07 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Quando Maria de Lurdes Pintasilgo foi primeira ministra de um governo da iniciativa de Ramalho Eanes, antes de sair do seu posto resolveu aumentar as pensões sociais de certas camadas de pensionistas. Foi um aumento considerável.

Sá Carneiro, na altura a preparar a AD, criticou fortemente esse aumento. A AD ganhou a seguir as eleições e foi para o governo, com Cavaco Silva em ministro das Finanças. Não tardou muito e fez novo aumento dessas pensões, o que fez com que num só ano essas pensões tivessem aumentado cerca de 45%. Começou aqui o descalabro despesista do Estado.

Mas, como o preço do petróleo entretanto tinha subido muito, de 12$/barril, para perto de 40$/barril, e como Sá Carneiro faleceu no acidente de Camarate, e era depois Pinto Balsemão o primeiro ministro, Cavaco Silva, prevendo mau tempo no canal para a economia mundial e portuguesa abandonou o barco da AD e recusou ser ministro do governo de Balsemão. Este ficou amuado e com o tempo se veria que nunca lhe perdoou este abandono do barco em pleno naufrágio.

A AD, esfrangalhada por lutas intestinas e pela crise económica que levou o país à beira da bancarrota, acaba por perder as eleições em 1983 e dá lugar a um governo de salvação nacional presidido por Mário Soares, com Mota Pinto em vice-primeio ministro. Foi o governo do bloco central.

Mário Soares teve de recorrer ao FMI para resolver a situação, com a ajuda do seu ministro das Finanças, Hernani Lopes. Em 1985 as contas públicas estavam recuperadas e o caso deu brado nos meios financeiros internacionais. Portugal passou a ser um exemplo de bom aluno do FMI.

Mas esta recuperação das finanças públicas custou popularidade a Mário Soares e ao PS, que na altura fez outra grande reforma, a do arrendamento, matéria tabú para os governos anteriores. E o PSD, com Cavaco Silva, sobe ao poder.

Iniciava-se na altura a recuperação da economia mundial depois do choque do petróleo de 1980/81, com a descida forte do preço do petróleo. Cavaco Silva, bem infomado sobre os ciclos económicos, viu que teria um período de vacas gordas para fazer figuraço, até porque Portugal se preparava para entrar na CEE e iria receber chorudos fundos comunitários.

Cavaco Silva passou então a governar com três Orçamentos, o geral do Estado, o dos fundos comunitários e o das privatizações da banca, seguros, etc.

Foi um fartar vilanagem, dinheiro a rodos para distribuir pela clientela, incluindo centenas de milhares de funcionários públicos. O despesismo estatal no seu melhor! Fez obras, sim senhor, incluindo o CCB, que era para custar 6 milhões de contos e custou 40 milhões, segundo se disse na época. O rigor cavaquista no seu melhor!

Anos depois vem a guerra do Golfo, com implicações económicas fortes a nível internacional, e Cavaco Silva, prevendo período de vacas magras e já com ele em andamento, resolveu abandonar o barco e parar de governar e entregou o testemunho ao seu ex-ministro Nogueira. Este perdeu as eleições para Guterres e em 1996 iniciava-se a recuperação da economia mundial. Foi um bom período para Guterres, que continuou o despesismo de Cavaco Silva, já que este último tinha deixado o campo minado por sistemas automáticos de aumento da despesa pública, o MONSTRO cavaquista de que viria a falar Miguel Cadilhe, além de milhares de contratados a recibos verdes no aparelho do Estado, que Guterres teve de integrar nos quadros do Estado para não ter de mandar para a rua gente que há anos não fazia outra coisa senão trabalhar para e dentro do aparelho de Estado.

Foi este o percurso do despesista Cavaco Silva, o que como ministro das finanças da AD aumentou num ano, pela segunda vez, milhares de pensionistas, e o que, como primeiro ministro, aumentou a despesa pública de tal ordem que os défices públicos da sua governação, se limpos das receitas extraordinárias, subiram tanto (chegou a 9% do PIB) que o actual défice das contas públicas é apenas mais um no oceano despesista inventado por Cavaco Silva nos longínquos tempos da AD e continuado nos tempos em que foi primeiro ministro, depois da recuperação heroica dos tempos de Mário Soares e Hernani Lopes, nos anos 1983-85.

É neste despesista disfarçado de rigor que devemos votar para PR? Desculpem, se quiserem propor Hernani Lopes para PR, podem contar com o meu voto. Mas como ele não aparece a candidatar-se a PR, vou votar em quem o ajudou a salvar Portugal da bancarrota provocada pela AD de Cavaco Silva. E esse alguém é Mário Soares.

Estes os factos. E eu voto em factos, não em mitos e miragens. Mário Soares tem um brilhante CV em controlo da despesa pública (governos de 1977/78 e 1983-85). Cavaco Silva tem um brilhante CV no descalabro das contas públicas.

Qualquer economista, se intelectualmente honesto e conhecer um pouco da nossa História recente, rejeita liminarmente este embuste chamado Cavaco Silva. Se ele for presidente da República, como pode ele pregar moralidade económico-financeira quando ele foi e é ainda o pai do MONSTRO? Monstro que agora Sócrates se esforça por abater com as reformas profundas que está a fazer.

Para os mais novos aqui fica a radiografia do embuste chamado Cavaco Silva.

12:33 da manhã  

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