segunda-feira, outubro 10, 2005

Carrilho foi de carrinho

A principal vitória de ontem, sem demérito para o vencedor, foi a derrota do Manel Maria e da Bárbara.
Carrilho parecia ter tudo para ganhar, mas um arranque desastroso fê-lo patinar. Andou mais de um ano a programar a sua candidatura e supostamente a procurar soluções e propostas para Lisboa, propostas essas que só viram a luz do dia em cima das eleições. Do programa e dos seus 500 especialistas nada fica a não ser a ideia de reduzir a metade a entrada de carros em Lisboa (ou Lsboa como ele diz). Como? Ninguém sabe.
Mas não foram as propostas ou falta delas que explicam a derrota de Carrilho, foi a pose, a arrogância, o soar a falso de tudo o que rodeia o personagem desde o casamento às convicções políticas, os desmentidos, as contradições e o voltar a trás. Bem fez Manuel Salgado ao afastar-se quando começou a perceber quem era Carrilho, mais vale tarde que nunca.
Sobre o efeito Bárbara importa salientar que ela não foi usada. Eles usam-se mutuamente. Carrilho precisa de Bárbara para dar a ideia do intelectual pós-moderno que até gosta de gajas e das giras e Bárbara precisa de Carrilho para afastar de vez a sua imagem de morena-burra e reforçar a de gira-boa-inteligente. Quem não foi em cantigas foram os lisboetas que se estão nas tintas para os negócios do casal que a partir de hoje vai ter de procurar um novo cimento para segurar a relação…
O facto de só ter sido depois das 11 horas que o candidato derrotado se dignou a aparecer revela bem a sua atitude. Primeiro, como qualquer bom pai, esteve à espera do Vitinho para deitar o Diniz e depois precisou de 4 horas para digerir a derrota (quando podia fazê-lo em duas) e ainda por cima não a digeriu bem. O discurso foi um vómito contra o partido, contra as outras forças de esquerda, contra os vencedores, contra os lisboetas. Começou por tentar queimar Sócrates ao agradecer o convite que este lhe tinha feito quando todos sabemos, que foi Carrilho que impôs a sua candidatura dentro do partido e forçou Sócrates a apoiá-lo. De seguida queixou-se de não ter ganho por causa da dispersão do voto à esquerda quando é a ele que se deve a não existência de uma coligação em Lisboa. Depois atacou os vencedores a dizer que ganhou quem não tinha propostas e finalmente lançou um mau olhado sobre a cidade afirmando que sem ele e sem as suas propostas não teria futuro. O tipo realmente é muito bom! Será que já pôs a casa dele à venda? Ninguém quer morar numa cidade condenada à morte.

2. Apesar do PS ter sido derrotado, o grande vencedor foi Sócrates que conseguiu limpar de uma só vez quase todos os seus adversários internos. Carrilho evaporou-se e João Filho fica retido no IC19. Resta apenas Alegre que se afigura como osso duro de roer, pode ser, para bem de Sócrates, que Soares Pai e Alegre se engulam mutuamente e fica definitivamente com a casa arrumada.

1 Comments:

Anonymous António P. Castro said...

Excelente!

7:12 da tarde  

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