sexta-feira, outubro 07, 2005

Do lado de lá

Nos últimos dias tem-se tornado mais visível o problema de centenas de pessoas que vindos de toda a África procuram entrar na Europa em busca duma vida melhor. Os enclaves espanhóis no norte de Africa tornaram-se um chamariz e um el dorado, uma porta do paraíso. Quem também já passou por esses arames farpados no sentido contrário, não à procura de trabalho, mas de sol, praias, aventuras no deserto ou voyeurismo cultural pode facilmente compreender porque se arrisca tudo numa travessia perigosa. De um lado do estreito ergue-se a fortaleza europeia do outro encurralados entre o mar e o deserto luta-se pela sobrevivência.
A Europa continua e continuará a precisar de mão-de-obra barata para os trabalhos que os europeus já não estão dispostos a fazer, no entanto não precisa de toda a mão-de-obra que o lado de lá do Mediterrâneo está disposta oferecer. Se nada for feito as coisas tenderão a piorar e em vez de uns enclaves rodeados de arame teremos toda a costa do sul da Europa vigiada e patrulhada como se de uma zona de guerra se tratasse. É pois necessário que os europeus compreendam que o que se passa lá em baixo, do outro lado do mar, lhes diz respeito e merece a sua preocupação. A Europa deve fazer todos os esforços para que os países do Sul do Mediterrâneo se organizem em torno de uma entidade cujo objectivo central seria o do desenvolvimento económico da região em estreita ligação com a UE que, através desse um único interlocutor incentivaria a realização de investimentos, o aumento das trocas comerciais, promoveria a importação de recursos naturais existentes na região e a exportação de conhecimentos cientificos e tecnológicos, procurando desse modo contribuir para o desenvolvimento do norte de África, para a fixação de mão-de-obra e para uma mais correcta distribuição da riqueza.