quinta-feira, outubro 13, 2005

Mein Kampf: bestseller na Índia?

Certamente um dos livros mais populares na Índia. Encontra-se facilmente em Bombaim, seja em livrarias ou em vendedores de rua. Durante toda a minha estadia em Bombaim esta foi uma questão que tentei desvendar.

Desde logo, há um facto que contribuiu fortemente para a minha perplexidade quando verifiquei o que descrevo no início do texto: o subcontinente indiano (actualmente Índia, Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka) contribuiu, na II Guerra Mundial, com o maior exército voluntário da história para a causa Aliada. Cerca de 2,5 milhões de homens e mulheres, grande parte dos quais serviu no exército indiano. Estiveram no Norte de África, na Eritreia, na Abissínia, Irão, Iraque, no Extremo Oriente e em Itália. Os números são os seguintes: mais de 36.000 homens foram mortos ou dados como desaparecidos, cerca de 65.000 foram feridos e 80.000 foram feitos prisioneiros de Guerra. Mais: quando a suástica – originalmente um dos mais importantes símbolos da religião hindu (representa a omnipresença do Absoluto) – foi adoptada por Hitler, nalgumas regiões da Índia as suas extremidades foram invertidas para evitar qualquer tipo de associação. O apoio de Hitler e Mussolini à libertação da Índia não foi, no entanto, significativo. Limitou-se a um amparo moral. Contudo, no objectivo final de expulsar os britânicos do seu território e aceder à independência, talvez tenha sido o Japão, outra das potências do Eixo, a ter auxiliado mais objectivamente os indianos, através de uma declaração de apoio emitida pelo seu parlamento. Qual é então a explicação que eu encontro para o facto da obra principal de uma das personagens mais sinistras da história da humanidade ser tão admirada no outro lado do mundo? Primeiro, existe a teoria (com origem em parecenças linguísticas) de que o Norte da Índia terá sido invadido por uma raça nómada de guerreiros caucasianos conhecidos como Arianos, algures entre o ano de 1800 e 1500 A.C, que ali se estabeleceram. Como existem muitos e acérrimos defensores desta teoria entre os próprios indianos, e já que Hitler defendia a superioridade da raça ariana, esta pode ser uma das explicações plausíveis. Depois, pese embora as muitas baixas humanas que referi, a Índia não foi directamente afectada pela Guerra.
Embora seja uma questão complicada, e não tendo eu ficado muito elucidado após as conversas com várias pessoas sobre o tema, sendo que algumas exprimiram inclusivamente a sua admiração pelas "conquistas que Hitler conseguiu", e tendo em conta o que vi, a principal conclusão a que chego é que, de facto, o valor atribuído à vida humana na Índia não é o mesmo que nós ocidentais lhe consagramos.

2 Comments:

Blogger Afonso Vaz Pinto said...

Muito bom post. A ser verdade essa teoria poderá desvendar muito da paranóia anti-semita que deu a volta a muitos milhões de cabeças alemãs. Pelo menos poderá ser um bom ponto de partida para uma investigação. Abraço

12:52 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

e que tal comparar o sistema racial nazi com o de castas indiano...

9:56 da manhã  

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