quinta-feira, outubro 20, 2005

Noite sangrenta

Passaram ontem 84 anos sobre aquela que ficou conhecida como a noite sangrenta. Na sequência de um golpe militar contra o governo, uma carrinha de caixa aberta andou pela cidade à procura de políticos indo-os buscar a casa para os assassinar. Isto não se passou na Alemanha, nem em nenhum país distante. A carrinha passeou nas ruas de Lisboa e os seus ocupantes mataram entre outros o primeiro-ministro António Granjo, Machado dos Santos e Carlos da Maia.
Ainda hoje se desconhecem as verdadeiras ramificações da tragédia. Para uns fazia parte de uma conspiração monárquica, para outros da maçonaria ou da carbonária. A teoria da conspiração monárquica está agora em palco no Cinearte. Não sei se é demasiadamente parcial mas talvez valha a pena ir ver a peça. É raro fazermos coisas sobre o nosso passado, especialmente sobre os seus aspectos mais negros e esta é uma boa maneira de nos obrigar a encarar de frente e a discutir a nossa história. Nunca nos devemos esquecer que não chegámos ao fim da história. Nada deve ser dado como adquirido.

1 Comments:

Anonymous Daniel said...

Amigo David,
Concordo contigo. Vale a pena escrever peças sobre a nossa história. O problema é que as peças tendem a ser parciais e esta, não figiu à regra. Aquilo que provavelmente foi, como tu dizes, uma conspiração monárquica, ou um golpe levado a cabo pela Carbonária, acaba por ser, na peça, um instrumento para ilustrar até que ponto o controlo do regime de Salazar supostamente chegava.
Quem viu o "Mistério da Camioneta Fantasma" sabe que a peça acaba com Salazar a falar com a sua «fiel» governanta, D. Maria, sobre o destino a dar a tão vil conspiração. Uma vez mais, cai-se no erro de estupidificar Salazar. E aqui, o problema é so um: o estúpido governou-nos durante 36 anos. E os portugueses deixaram...

11:25 da tarde  

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