Noite sangrenta
Passaram ontem 84 anos sobre aquela que ficou conhecida como a noite sangrenta. Na sequência de um golpe militar contra o governo, uma carrinha de caixa aberta andou pela cidade à procura de políticos indo-os buscar a casa para os assassinar. Isto não se passou na Alemanha, nem em nenhum país distante. A carrinha passeou nas ruas de Lisboa e os seus ocupantes mataram entre outros o primeiro-ministro António Granjo, Machado dos Santos e Carlos da Maia.
Ainda hoje se desconhecem as verdadeiras ramificações da tragédia. Para uns fazia parte de uma conspiração monárquica, para outros da maçonaria ou da carbonária. A teoria da conspiração monárquica está agora em palco no Cinearte. Não sei se é demasiadamente parcial mas talvez valha a pena ir ver a peça. É raro fazermos coisas sobre o nosso passado, especialmente sobre os seus aspectos mais negros e esta é uma boa maneira de nos obrigar a encarar de frente e a discutir a nossa história. Nunca nos devemos esquecer que não chegámos ao fim da história. Nada deve ser dado como adquirido.
Ainda hoje se desconhecem as verdadeiras ramificações da tragédia. Para uns fazia parte de uma conspiração monárquica, para outros da maçonaria ou da carbonária. A teoria da conspiração monárquica está agora em palco no Cinearte. Não sei se é demasiadamente parcial mas talvez valha a pena ir ver a peça. É raro fazermos coisas sobre o nosso passado, especialmente sobre os seus aspectos mais negros e esta é uma boa maneira de nos obrigar a encarar de frente e a discutir a nossa história. Nunca nos devemos esquecer que não chegámos ao fim da história. Nada deve ser dado como adquirido.
Paulo de Carvalho, "E Depois do Adeus"
1 Comments:
Amigo David,
Concordo contigo. Vale a pena escrever peças sobre a nossa história. O problema é que as peças tendem a ser parciais e esta, não figiu à regra. Aquilo que provavelmente foi, como tu dizes, uma conspiração monárquica, ou um golpe levado a cabo pela Carbonária, acaba por ser, na peça, um instrumento para ilustrar até que ponto o controlo do regime de Salazar supostamente chegava.
Quem viu o "Mistério da Camioneta Fantasma" sabe que a peça acaba com Salazar a falar com a sua «fiel» governanta, D. Maria, sobre o destino a dar a tão vil conspiração. Uma vez mais, cai-se no erro de estupidificar Salazar. E aqui, o problema é so um: o estúpido governou-nos durante 36 anos. E os portugueses deixaram...
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