quarta-feira, novembro 02, 2005

1 minuto e meio a filmar arbustos: é Arte!


Nirvana, a banda de Kurt Cobain fundada em 1987 e que explodiu definitivamente em 1991 com o album "Never Mind", seguido do "In Utero" em 1993, é e será sempre uma das maiores bandas de todos os tempos. Músicas que combinam simplicidade com originalidade: Hearth shapped box, Oh me, Pennyroyal tea, Serve the servants, Lake of fire, All apologies, e muitas mais, uma inédita mistura de rock alternativo e música punk que foi apelidada pelos media da altura como "grunge", género musical da qual também fazem parte três grandes bandas de Seattle: Pearl Jam, Alice in Chains e Soundgarden.
Como eterno fã de Nirvana, e especialmente do "MTV Unplugged" de 1993, foi com grande expectativa que aguardei a chegada do filme "Last Days" do realizador Gus Van Sant, que tem no currículo filmes como "Good will hunting" e "Elephant". Aparentemente uma boa combinação: um bom realizador e um tema que me interessa particularmente.
Pode-se afirmar que a intenção de Gus Van Sant era transmitir o sentimento de depressão e de falta de rumo que Kurt Cobain sentia nos últimos dias da sua vida. Mas porquê? Porquê fazer um filme sobre os piores dias da vida de uma pessoa que deu tamanho contributo à música? De musical o filme não tem absolutamente nada, nem banda sonora! Diálogos interessantes zero! Em relação a movimento, é a antítese! Ficou-me na memória uma cena em particular, na qual Kurt Cobain passeia pelo bosque perto de sua casa. Até aqui tudo bem. A minha surpresa veio quando o personagem que desempenha o papel de Kurt Cobain sai do alcance da câmara, mas a câmara continua a filmar o que está à frente durante pelo menos minuto e meio (contados pelo relógio do meu telemóvel), ou seja, uns arbustos. E isto sem música ou som de qualquer espécie.
O problema é o seguinte: eu admiro pessoas que são diferentes (entenda-se originais), mas naturalmente diferentes, fiéis consigo próprias. No outro lado da moeda estão aqueles cujo objectivo final é ser diferente, que não sabem muito bem o que são ou pretendem ser, apenas pretendem afirmar "eu sou original porque sou diferente". Este último é um género em relação ao qual não sei se a minha paciência se esgotou porque não sei se alguma vez existiu.

3 Comments:

Blogger Roberto Iza Valdes said...

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3:11 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Caro Manuel:

Discordo totalmente da sua opinião... Gus Van Sant ficaria orgulhoso do resultado da sua obra depois de ler o seu post!
De certeza que existem Documentários acerca de Kurt Cobain e dos Nirvana,"uma das maiores bandas de todos os tempos", disponiveis em DVDs de aluguer. Porque não experimenta?
Talvez consiga ficar mais satisfeito...

12:05 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Ah! Quase me esquecia deste pequeno pormenor... Ninguém representa o papel de Kurt Cobain. Kurt Cobain nao é personagem neste filme.
Tenha paciência meu caro.

12:09 da manhã  

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