segunda-feira, novembro 21, 2005

Irracionalidades

O ministro da saúde veio recentemente mostrar a sua indignação pelo facto de existirem 59 médicos oftalmologistas no hospital dos Capuchos (afinal são “só” 24! mas para o caso não interessa, o que importa é que a mais ou a menos, a verdade é que não dão conta do serviço) existindo nesse mesmo hospital uma enorme lista de espera para consultas dessa especialidade, dando assim razão aqueles que defendem que antes de se tomarem medidas drásticas na função pública é necessário analisar quais os sectores e serviços com pessoas a mais e aqueles com funcionários a menos.
Um outro bom exemplo, de pólo oposto, da falta de racionalidade dos serviços públicos é o do serviço dos Bombeiros Sapadores de Lisboa que tem como finalidade apreciar todos os projectos de licenciamento de obras que dão entrada na Câmara Municipal de Lisboa. Qualquer projecto de ampliação, alteração ou construção nova, necessita do parecer dos bombeiros para questões relacionadas com a segurança contra incêndios. Qualquer um desses projectos é apresentado em pelo menos várias páginas, podendo, nos mais complexos, ocupar vários caixotes. Entram semanalmente na CML dezenas de projectos, desde o aumento do número de pisos até ao complexo comercial com milhares de metros quadrados de área. Sabem quantas pessoas ou equipas estão dedicadas à análise e estudo destes projectos? Uma engenheira coadjuvada por um bombeiro. Por muito capazes que sejam, é natural que lhes escapem alguns pormenores (a legislação anti-fogo vai até aos centímetros), pois tem prazos a cumprir e montes de processos para despachar. Ora aqui está um caso de produtividade levada ao extremo. Se um dia houver um grande incêndio em Lisboa não os venham culpar.