O Contrato
Há dias fui veemente criticado por ter feito uma referência aos acontecimentos que se têm passado em França através do título "O Exemplar Estado Social Francês". Reconheço que a crítica é em parte merecida, pois, infelizmente, por falta de tempo, não tive oportunidade de me explicar. Assim, deixo aqui hoje o meu pensamento sobre o assunto.
Primeiro que tudo, quero que fique claro que não tenho absolutamente nada contra os imigrantes. Aliás, sendo um total defensor da globalização, estranho seria se tivesse alguma coisa contra o fenómeno migratório. Além disso, eu próprio já fui emigrante (pouco tempo) e tive contacto com muitos emigrantes portugueses (e também de outros países, culturas e religiões) que, no geral, são pessoas honestas e trabalhadoras.
A meu ver, a emigração/imigração deve ser entendida como um contrato entre o imigrante e o país que o acolhe. Contrato esse que, como qualquer outro, atribui direitos e deveres a ambas as partes e que caso não seja cumprido deve implicar uma qualquer punição para o infractor.
Na minha opinião, a forma como a generalidade dos estados europeus tem lidado com o fenómeno migratório está errada. Os países europeus acolheram-nos, deram-lhes trabalho, casa, educação e saúde gratuitas, no fundo, condições de vida muito superiores àquelas que teriam nos seus países de origem, mas, esqueceram-se de lhes exigir o cumprimento da sua parte no contrato. E a parte que os imigrantes têm que cumprir é, pelo menos, fazerem um esforço sério para se integrarem nas sociedades em que escolheram viver, respeitando os princípios e valores fundamentais dessas sociedades. O que acontece em muitos países receptores de imigração é que os imigrantes, principalmente aqueles provenientes de países cujos valores são muito diferentes, pura e simplesmente, fecharam-se em guetos e quiseram trazer todos os seus hábitos e costumes, sem fazerem qualquer esforço de adaptação. Mas o problema maior não é esse. Pior, acontece quando, para além disso, movidos por um enorme ódio em relação à civilização que os acolheu, procuram atacar e destruir os valores fundamentais dessas sociedades.Os estados não podem ser tolerantes com isso, sob pena de fazerem nascer uma bolha de tensão enorme entre imigrantes e não imigrantes que a qualquer momento pode rebentar e também sob pena de prejudicar os imigrantes que se integraram nas sociedades para onde foram (ou os seus ascendentes) em busca de uma vida melhor.
O medo que os governos têm ao lidarem com as comunidades imigrantes de ultrapassar a fronteira do xenofobismo e do racismo, faz com que as prioridades sejam esquecidas. O caso francês é um bom exemplo:2 marginais em fuga da polícia trepam uma vedação de arame farpado e entram para dentro de uma central eléctrica; morrem electrocutados. Perante a estupidez do acto, as autoridades francesas apressaram-se a instaurar um inquérito para apurar responsabilidades, quando a responsabilidade parece óbvia.Depois, gera-se um enorme escândalo porque um ministro apelida de "escumalha" os indivíduos que têm destruído escolas, automóveis, agredido pessoas, disparado contra polícias, etc. Independentemente da expressão poder não ser a mais feliz, a verdade é que os responsáveis pelos distúrbios, sejam brancos, pretos, amarelos, católicos ou muçulmanos, são de facto "escumalha" ou algo semelhante. Qual deverá ser a prioridade: exigir a demissão do ministro, ou combater veemente os responsáveis por aqueles actos?
O maior escândalo é o facto de a França se encontrar há 11 dias em verdadeiro estado de sítio e, por se encontrar embrulhada em inúmeros equívocos, não conseguir ter uma resposta clara para repor a ordem pública.
A maior responsabilidade do estado social encontra-se no facto de dar cegamente e não exigir nada em troca.
Os E.U.A. arranjaram uma forma politicamente incorrecta, mas minimamente eficaz de lidar com o incumprimento do contrato: deportação para o país de origem.
Primeiro que tudo, quero que fique claro que não tenho absolutamente nada contra os imigrantes. Aliás, sendo um total defensor da globalização, estranho seria se tivesse alguma coisa contra o fenómeno migratório. Além disso, eu próprio já fui emigrante (pouco tempo) e tive contacto com muitos emigrantes portugueses (e também de outros países, culturas e religiões) que, no geral, são pessoas honestas e trabalhadoras.
A meu ver, a emigração/imigração deve ser entendida como um contrato entre o imigrante e o país que o acolhe. Contrato esse que, como qualquer outro, atribui direitos e deveres a ambas as partes e que caso não seja cumprido deve implicar uma qualquer punição para o infractor.
Na minha opinião, a forma como a generalidade dos estados europeus tem lidado com o fenómeno migratório está errada. Os países europeus acolheram-nos, deram-lhes trabalho, casa, educação e saúde gratuitas, no fundo, condições de vida muito superiores àquelas que teriam nos seus países de origem, mas, esqueceram-se de lhes exigir o cumprimento da sua parte no contrato. E a parte que os imigrantes têm que cumprir é, pelo menos, fazerem um esforço sério para se integrarem nas sociedades em que escolheram viver, respeitando os princípios e valores fundamentais dessas sociedades. O que acontece em muitos países receptores de imigração é que os imigrantes, principalmente aqueles provenientes de países cujos valores são muito diferentes, pura e simplesmente, fecharam-se em guetos e quiseram trazer todos os seus hábitos e costumes, sem fazerem qualquer esforço de adaptação. Mas o problema maior não é esse. Pior, acontece quando, para além disso, movidos por um enorme ódio em relação à civilização que os acolheu, procuram atacar e destruir os valores fundamentais dessas sociedades.Os estados não podem ser tolerantes com isso, sob pena de fazerem nascer uma bolha de tensão enorme entre imigrantes e não imigrantes que a qualquer momento pode rebentar e também sob pena de prejudicar os imigrantes que se integraram nas sociedades para onde foram (ou os seus ascendentes) em busca de uma vida melhor.
O medo que os governos têm ao lidarem com as comunidades imigrantes de ultrapassar a fronteira do xenofobismo e do racismo, faz com que as prioridades sejam esquecidas. O caso francês é um bom exemplo:2 marginais em fuga da polícia trepam uma vedação de arame farpado e entram para dentro de uma central eléctrica; morrem electrocutados. Perante a estupidez do acto, as autoridades francesas apressaram-se a instaurar um inquérito para apurar responsabilidades, quando a responsabilidade parece óbvia.Depois, gera-se um enorme escândalo porque um ministro apelida de "escumalha" os indivíduos que têm destruído escolas, automóveis, agredido pessoas, disparado contra polícias, etc. Independentemente da expressão poder não ser a mais feliz, a verdade é que os responsáveis pelos distúrbios, sejam brancos, pretos, amarelos, católicos ou muçulmanos, são de facto "escumalha" ou algo semelhante. Qual deverá ser a prioridade: exigir a demissão do ministro, ou combater veemente os responsáveis por aqueles actos?
O maior escândalo é o facto de a França se encontrar há 11 dias em verdadeiro estado de sítio e, por se encontrar embrulhada em inúmeros equívocos, não conseguir ter uma resposta clara para repor a ordem pública.
A maior responsabilidade do estado social encontra-se no facto de dar cegamente e não exigir nada em troca.
Os E.U.A. arranjaram uma forma politicamente incorrecta, mas minimamente eficaz de lidar com o incumprimento do contrato: deportação para o país de origem.
Paulo de Carvalho, "E Depois do Adeus"
5 Comments:
Caro Francisco,
Eu apenas critiquei o teu post por achar que o titulo era algo oportunista. Repara que a minha critica so faz sentido porque o associo a tudas as diatribes contra a europa e estado social que blogs de direita tem andado por ai a escrever (a meu ver de uma forma um pouco monolitica e algo simplista)...A europa tem muitos problemas. O Estado Social ate pode ser demasiado generoso (em certas areas sim, noutras nao, e em certos paises como portugal nao o e certamente), mas o que nao suporto e a tendencia de alguma direita fazer o mesmo que os deserdados do marxismo: arranjar um inimigo unitario que e a causa de todo o mal. Neste sentido acho que os ultimos posts do HR no Acidental sao bastante sensatos. O problema da emigracao na europa e a bomba relogio que temos a nossa porta (portugal inclusive) nao tem de ser integrado na problematica do estado social...
Um abraco,
Joao Galamba
A maior parte dos imigrantes cumprem a parte deles do «contrato»: respeitam as leis e trabalham, mesmo tendo menos direitos do que têm os indígenas europeus. Os «insurrectos» dos subúrbios de Paris são uma minoria.
Bem, daquilo que eu vi dos suburbios de Paris (e é uma cidade de que não gosto particularmente e que fui forçada a visitar algumas vezes...), acho que este é também um problema de urbanismo. Aqui em Portugal também andamos com a moda de criar pequenos guetos nos arredores das grandes cidades. Integrar alguém significa acolhe-la no meio, não nos arredores.
Concordo plenamente com o que dizes Francisco (infelizmente, porque gosto de discutir contigo ;op), mas ando numa de dar na cabeça dos arquitectos e autarcas...
Bjks
J
"Aqui em Portugal também andamos com a moda de criar pequenos guetos nos arredores das grandes cidades."
Mas será o prório país que escolhe fazer guetos ou os imigrantes?
Para além do óbvio desejo de um imigrante poder viver num ambiente cultural o mais próximo possível do país de origem ainda há o facto de os guetos serem a única chance para um emigrante ilegal poder estar "seguro".
Quanto muito será possível criticar os governos pela passividade perante a geração de guetos, mas é uma questão bastante delicada onde não é propriamente fácil de mexer
Grande Francisco. Grande.
Sabes por que razão há medo de falar a sério disto? Porque há uns meninos ditos progressistas que, na verdade, são uns reaccionários do pior, a dominar a "moralidade" da situação. São os ditos multiculturalistas.
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