terça-feira, novembro 01, 2005

Políticos profissionais

A recente polémica sobre o ser ou não ser político profissional merece um breve comentário. Existem dois tipos de político profissional que não devem ser confundidos. O primeiro é aquele que depois de ter iniciado a sua carreira profissional numa qualquer área a abandona numa determinada fase da vida para se dedicar à política, podendo, ou não, voltar à sua actividade anterior ou ingressar numa nova. Neste tipo inserem-se tanto Cavaco Silva como Mário Soares, o segundo com um evidente mais elevado grau profissionalização política.
O segundo tipo de político profissional é aquele que ainda não tendo acabado o liceu já estava numa das várias jotas, fazendo campanhas, distribuindo canetas e sacos de plástico, empunhando bandeiras e enchendo pavilhões e restaurantes com gritos e palmas. Em troca destes serviços recebeu o direito de usar umas salas nas sedes partidárias com telefone e bar aberto incluído para onde vai fazer telefonemas às amigas e beber uns copos com os amigos. Mais tarde são convidados a integrar umas listas numa paróquia desconhecida onde nem sequer põem os pés e com alguma sorte, depois do frete, entram como assessores de assessores nos gabinetes ministeriais ou no grupo parlamentar do partido na Assembleia da República. Por esta altura da vida estão a meio da faculdade e tomam a difícil escolha de servir o país, recebendo em troca um ordenado maior do que o de ministro. Vivendo em casa do país, sem contas para pagar, o dinheiro vai para um carrinho novo, jantares tardios e noitadas nas discotecas da moda. Assim passa o tempo até que cai o governo ou se perdem as eleições. É um tremor de terra de grau 7. Voltar à faculdade para acabar o curso é uma chatice e encontrar um trabalho com o mesmo tipo de remuneração é impossível. Mais um passo na evolução natural. Os mais precavidos conseguiram, através dos contactos que fizeram quando estavam no poder, lugares jeitosos nalgumas grandes empresas públicas, outros nas privadas, muitos deles não voltam à política. Os outros ficam a bater-se pelos lugares ainda vagos nos aparelhos partidários onde ficam à espera da próxima alteração política. Quando o seu partido voltar ao poder já não serão assessores mas sim chefes de gabinete, porta vozes e secretários de Estado. Aqui começam verdadeiramente as suas carreiras políticas que os levarão mais tarde a ministros, comissários do governo nas grandes empresas públicas, presidentes de institutos públicos etc. Destes, alguns conseguirão mais tarde chegar a São Bento e à chefia de grandes organizações internacionais. Aos que não chegam a esse patamar mas que estiveram quase lá dão-se uns lugares de representação em organizações como a OCDE ou a UNESCO, não vá o diabo tecê-las. Felizmente ainda nenhum destes chegou a Belém e não chegará nos próximos anos, mas vermos o que acontecerá daqui a 10 anos.

7 Comments:

Blogger Casino online said...

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8:23 da tarde  
Blogger Rosario Andrade said...

A análise é perfeita!
Não ha seres mais irritantes do que os jotas! Nem as moscas... e olha que eu não gosto mesmo nada de moscas...

Abracicos!

9:28 da tarde  
Blogger Gonçalinho said...

De mestre... Acabei de escrever Sobre o mesmo assunto, mas com formato diferente, e de forma muito inferior.
Parabéns!

2:20 da manhã  
Blogger Telmo A. said...

Já havia falado sobre o mesmo no meu blog. Se, por enquanto, ainda não chegaram a Belém, já a primeiro-ministro não faltam exemplos.

Os mais recentes foram Santana e Sócrates e ameaça continuar...

11:13 da manhã  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Totalmente de acordo!

12:37 da tarde  
Blogger Dani Domingues said...

Concordo plenamente com esta análise! Aliás, penso que Cavaco pretendia sobretudo realçar este tipo de políticos e política na sua afirmação, desmarcando-se assim do actual cenário político-partidário em que predominam os politicos profissionais do segundo tipo!

Cumprimentos!

2:06 da manhã  
Blogger Luis Fernandes said...

Quaze 5 anos depois e esta análise continua actual mas permita-me só acrescentar algo ao paragrafo.....<<Neste tipo inserem-se tanto Cavaco Silva como Mário Soares, o segundo com um evidente mais elevado grau de profissionali-zação política..........mas menos tranparência e outras coisas menos

8:03 da tarde  

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