segunda-feira, dezembro 19, 2005

26 de Dezembro de 2004



Fará um ano na próxima Segunda-feira que um Tsunami provocado por um terramoto no Oceano Índico fez mais de 220.000 vítimas distribuídas por 16 países diferentes.

O sismo, o mais violento registado desde 1960, deslocou as placas tectónicas cerca de 15 metros, originando um tsunami que atravessou o Oceano Índico e causou destruição nas zonas costeiras da África oriental.

Embora eu só tenha chegado à Índia 3 meses após o desastre, as suas consequências estavam ainda bem presentes na realidade do dia-a-dia daquele país. Uma pessoa que pertencia à organização onde eu trabalhei esteve responsável pela recuperação de 3 vilas numa das zonas mais afectadas de todo o território indiano.
Das várias histórias que ele me contou houve duas de que eu me recordo particularmente bem. Primeiro, verificaram que em aldeias situadas a apenas 2 ou 3 km de distância a diferença no número de vítimas era gigantesca. A explicação é a existência ou não de palmeiras entre a praia e as casas. Tendo chegado à conclusão de que o número de vítimas poderia ser muito mais baixo, ou mais elevado caso não existissem nenhumas palmeiras, as autoridades indianas estão a criar uma barreira natural de palmeiras junto às praias e a reconstruir todas as casas depois dessa barreira.
A segunda história, que não me surpreendeu nada mas que não me deixou de causar arrepios, foi a influência do sinistro sistema de castas na distribuição da ajuda humanitária, nomeadamente comida, àgua e remédios. Os "dalits", os mais em baixo da hierarquia e que nem se considera uma casta, tiveram apenas direito às sobras, ou seja, praticamente nada. Exactamente nas mesmas zonas houve pessoas que receberam uma assistência completa, enquanto outras morriam de sede, fome e doença porque outros seres humanos (indianos responsáveis pela distribuição da ajuda) tinham a ideia pré-concebida que eles eram seres inferiores. Desumanidade é apenas humanidade sobre pressão.

2 Comments:

Anonymous luis said...

Bom testemunho. E bom "post".

6:51 da tarde  
Blogger Gonçalinho said...

Faz pensar duas vezes o Natal.

8:33 da tarde  

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