terça-feira, dezembro 20, 2005

"ele"




“ele” foi talvez a expressão mais utilizada pelo Dr. Mário Soares no debate de hoje. E digo “ele” com letra pequena, porque para o Dr. Soares “ele” deve ser apenas um indivíduo qualquer de uma terrinha perdida algures no Algarve chamada Boliqueime. Penso que mesmo que assim fosse, talvez merecesse um pouco mais de respeito, mas enfim... Por acaso, esse tal de “ele” a que o Dr. Soares se refere com algum desdém, nasceu, de facto, em Boliqueime, mas, apesar das dificuldades de uma vida que se tem que construir de baixo para cima, foi trabalhador-estudante, formou-se, doutorou-se na Universidade de York em Inglaterra (sem ser “honoris causa”), foi ministro das finanças, foi 1.ºMinistro durante 10 anos, duas vezes eleito com maioria absoluta e, ainda que candidato derrotado na eleição presidencial de há 10 anos, conseguiu obter aproximadamente 46% dos votos dos portugueses. Apesar de naturalmente ter deixado muita coisa por fazer num país que não tinha nada quando "ele" chegou; apesar de ter cometido erros (como qualquer ser humano), o balanço final dos seus mandatos foi, sem dúvida, muito positivo e Portugal conheceu um desenvolvimento muito relevante aos mais diversos níveis. Arrisco-me a dizer que “ele” foi o melhor 1.º Ministro dos nossos 31 anos de democracia. Mas enfim...Para o Dr. Soares “ele” é uma espécie de iletrado que ainda por cima abre a boca para comer bolo rei.
A forma como o Dr. Soares se refere aos vários “eles” de Portugal, leva-me a pensar que o ex presidente da república, acha que nós, meros cidadãos portugueses, a maior parte esforçados trabalhadores, honestos cumpridores dos nossos deveres, estamos vários furos abaixo da sua pessoa.
Provavelmente, é o facto de se considerar (ou, pelo menos, parecer) o “ELE” de Portugal que leva o Dr. Soares a querer regressar ao estatuto de 1ª figura da nação. Era desnecessário. Eu, como a generalidade dos portugueses, tinha-lhe e tenho-lhe muito respeito e admiração, pelo que, agradecíamos que não se esforçasse mais em fazer com que alguns de nós percamos essa impressão.

Quanto ao debate, sinteticamente, não há a menor dúvida que "ele" ganhou e "ELE" perdeu.

6 Comments:

Blogger lusitânea said...

Concordo inteiramente!O sr MS pareceu-me mais um proprietário de Portugal do que um candidato igual aos outros e que nós os votantes somos todos estúpidos...

10:42 da manhã  
Blogger cardealdealpedrinha said...

Meu Caro Francisco :
Os meus parabens pelo texto que acabo de ler.
Fico contente quando posso confirmar que as novas gerações têm opinião digerida sobre temas tão importantes como o que é tratado.
Relativamente à personalidade do Dr. Mário Soares acho que o texto é excessivamente benevolente.
Mesmo com uma idade em que seria de esperar uma maior compreensão e condescendência para com os outros aqui temos um bom retrato da verdadeira personalidade do Dr. Mário Soares.
Foi preciso chegarmos a 2005 e aos seus 81 anos para percebermos isto ?
Pela minha parte nunca tive dúvidas.

12:22 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Um abraço, meu caro Francisco, pelo excelente texto, com o qual estou inteiramente de acordo.
Devo dizer que segui o debate entre divertido e espantado. É que nunca supus que o dr. Soares fosse capaz de descer tanto, embora esperasse dele um certo desvario, próprio do desespero.
Ao contrário de ti, perdi definitivamente a réstea de respeito que ainda lhe tinha. E nota que o conheço desde 1969, altura em que fui um dos subscritores da sua candidatura a deputado pela CEUD. Coisa que, então, não era propriamente fácil, como deves imaginar.

12:23 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Francisco,
Muitos parabéns por este texto, o qual retrata, de forma brilhante, o debate de ontem.
Vou passar a visitar mais vezes este blog!
Um beijinho amigo,
Mariajoão da Luz

12:58 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Francisco
O teu artigo retrata extraordinariamente um sentimentoa de que se arroga alguma elite intelectual: só os privilegiados que puderam cultivar-se sem necessidade de trabalhar para viver podem considerar-se "cultos".
Esta postura que o Dr. M.S. exibiu é arrogante e provinciana. Cavaco Silva devia ser exemplo. Enaltece-o ter uma origem social modesta e apesar das dificuldades, que o Dr. MS nunca sentiu, venceu na vida, subiu a pulso e consagrou-se na vida académica e profissional antes de entrar na política.

11:07 da tarde  
Blogger 日月神教-任我行 said...

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2:40 da tarde  

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