terça-feira, dezembro 06, 2005

Iraque

Enquanto a Al-Qaeda continua a dar tiros no pé, tais como os recentes atentados na Jordânia ou o rapto de dois diplomatas marroquinos no Iraque, deteriorando assim a sua imagem junto do Mundo Árabe, a questão do momento é até quando as tropas norte-americanas devem permanecer no Iraque?
A meu ver, as principais razões que justificam - ou que são utilizadas para justificar - uma retirada imediata são as seguintes:
- o custo de manter tamanho exército;
- o facto de que a presença de tropas estrangeiras é por si só um factor causador de instabilidade e de violência ;
- a possibilidade das forças de segurança iraquianas desempenharem as actuais funções das tropas estrangeiras;
- demasiados erros foram já cometidos, tais como o desmantelamento das forças de segurança iraquianas ou o tratamento que as tropas norte-americanas concederam aos seus prisioneiros – é espantoso como é que Donald Rumsfeld ainda não foi despedido!

Mas também existem vários argumentos contra uma retirada precipitada:
- constituiria uma vitória do terrorismo de dimensões semelhantes ás dos atentados de 11 de Março de 2004 em Madrid, que se revelaram factor decisivo nas opções de voto dos cidadãos de uma Democracia; a vitória da violência e da chantagem;
- é errado pensar que uma retirada funcionará como factor apaziguador do terrorismo, pois os jihadistas lutam também com o objectivo da criação de um Califado ou para manter a supremacia da minoria Sunita (são os Sunitas que alimentam financeiramente a insurgência);
- se se estabelecem comparações com o Vietname, há uma que se pode fazer: o colapso do Vietname do Sul resultou em 2 milhões de refugiados e 65,000 execuções;
- as forças de segurança iraquianas ainda não estão prontas para desempenhar as funções das super-preparadas e super-equipadas tropas americanas e britânicas, no que terá de ser necessariamente um processo gradual;
- a participação Sunita no referendum de Novembro para a nova Constituição foi bastante boa, o que deixa antever uma boa participação nas fundamentais eleições de Dezembro;
- As consequências do colapso do Estado Iraquiano, tal como a possibilidade de uma guerra civil, seriam gravíssimas: instabilidade de toda a região, o inevitável envolvimento (directo ou não) do Irão, subida dos preços do petróleo, deterioração da imagem dos EUA, e consequentemente do Ocidente, junto do Mundo Árabe, etc…;
- deve ser o evoluir da situação a estabelecer o prazo de retirada e não o contrário.
Embora o apoio do povo norte-americano à guerra no Iraque seja cada vez menor, apenas um quinto dos americanos é a favor de uma retirada imediata. Em termos de política interna norte-americana, fala-se inclusivamente de uma estratégia republicana no sentido de tentar responsabilizar os democratas por uma futura retirada, embora as próximas eleições presidencias só em 2008.
Não deve fazer parte da mesma posição discordar da guerra do Iraque e concordar com uma retirada imediata.