segunda-feira, fevereiro 28, 2005

O culto do chefe

Em Portugal vive-se o culto do chefe.
As lideranças políticas (de partidos ou movimentos) são hoje idolatradas, assim como se bajula amanhã um novo rosto de liderança. São, mais uma vez, as clientelas partidárias a falar mais alto.
Tenho para mim que isto resulta de dois factores endógenos à sociedade portuguesa. Em primeiro lugar, a uma mesquinhez própria da portugalidade que acentua a bajulação, a palmadinha fácil nas costas, a correria ao lado da eminente figura política. É um sinal da nossa mediocridade social. Portugal continua a ser uma feira de vaidades e uma praça de homens sem qualquer personalidade. De uma vez por todas: assumam-se.
Por outro, o recurso ao culto do chefe apenas reflecte a debilidade das nossas instituições, sejam estas partidárias ou até mesmo de outro nível político. Com uma pujança pouco sólida, a Instituição política vive inevitavelmente dos seus protagonistas, caíndo-se num cenário reflector destes últimos.
O país devia de uma vez por todas largar o sebastianismo. A idolatração da liderança apenas espelha a fraqueza das instituições democráticas.
Não nos podemos continuar a queixar eternamente da qualidade da classe política se não valorizarmos mais a sua condição passageira.
Para isto teríamos que privilegiar o Parlamento em detrimento da Presidência da República. Dar ao Parlamento o lugar central no sistema político português significa acentuar a democracia representativa, o debate pluralista, a responsabilidade governativa - uma vez que esta emanaria do Parlamento. Haja, para tal, coragem para uma revisão constitucional de fundo.
Fortaleça-se a prática política institucional e ver-se-ão os resultados a médio prazo, também. Estou em crer que muito melhora.

Million Dollar Baby

The great winner!

domingo, fevereiro 27, 2005

Insurgência de peso

Para uns um regresso, para outros uma nova casa, mas O Insurgente promete muito. Bem vindos.

Fotografia da Semana


Posted by Hello

Revista de Imprensa

"Colin Powell: 'I'm very sore'"- Daily Telegraph (é necessário fazer o registo primeiro)

O meu favorito para os Academy Awards


Javier Bardem em grande Posted by Hello

Em Portugal este filme seria impossível. Seria realizado por Manoel de Oliveira, com diálogos em Francês e com o pormenor no silêncio ou na planície alentejana. Em Portugal não há um Alejandro Amenábar, há muitos wannabes Jean-Luc Godard.

sábado, fevereiro 26, 2005

Curiosa leitura

Sinédrio Undercover

Empolgado pelos recentes resultados eleitorais, o Bloco de Esquerda parece querer reinverter a sua situação de ausência no poder autárquico (com excepção para Salvaterra de Magos), apostando na corrida aos principais municípios nacionais. O Expresso de hoje avança o nome de Ana Drago como escolha para Lisboa, mas o Sinédrio procurou ir mais longe e infiltrou-se na estrutura do Bloco na ânsia de conhecer outros nomes.
Munidos de um lenço Arafat, de algumas citações obscuras de Bakunine e apresentando-nos como o porta-vozes oficiais da CALPATQD (Causa Alternativa para a Liberalização do pé de atleta entre o terceiro e quarto dedos), conseguimos identificar o candidato do Bloco de Esquerda para o Porto:

nova geração revolucionária para o poder autárquico Posted by Hello

Espaço Rebelo de Sousa-Da força da técnica à técnica e à força coligadas

Obra essencial para a compreensão das opções estratégicas militares contemporâneas. Presença habitual na International Security e professor no US Army War College, desde o seu artigo “Victory Misunderstood. What the Gulf War Tells Us About the Future of Conflict ”, que Sephen Biddle tem marcado o passo no debate estratégico e sua mais recente obra Military Power –Explaining Victory and Defeat in Modern Battle é apenas mais uma etapa nesse sentido.
A Guerra Anglo-Boer com o fim das investidas suicidas em campo aberto face à inovação das trincheiras e do arame farpado; e a Guerra Russo-Japonesa onde a vitória japonesa se deve à sua valorização tecnológica ofensiva (armas automáticas e artilharia sincronizada de longo alcance) contra o numeroso mas paupérrimo exercito czarista, haviam já demonstrado a vantagem militar da revolução tecnológica, mas será a I Guerra Mundial que apresentará o campo de batalha à contemporaneidade. É nesta “Guerra Total” que a tradicional historiografia militar coloca uma barreira temporal e Biddle não foge à regra. No entanto a doutrina clássica personificada em
T.H.E. Travers e Michael Howard remete-nos para a obra de Ivan (ou Jean) de Bloch, financeiro polaco que em 1898 publicou La Guerre Future; aux points de vue technique, economique et politique, antevendo uma realidade bélica novecentista delineada pelos benefícios da Revolução Industrial, financiada pela vitalidade económica de 1890 e remetida para tácticas de “análise operacional moderna” onde a tradição das “batalhas decisivas” era substituída por uma guerra de desgaste político, técnico, humano e económico.
A partir de Bloch e até hoje, a ênfase radica no poder de fogo e na capacidade técnica das potências beligerantes, desaparecendo o predomínio das teorias do número, do carácter e da estratégia que recordam von Clausewitz. E é aqui que Sephen Biddle se distancia da doutrina dominante.
Para Biddle a relevância não está no número de operativos ou de efectivos militares, na presença tecnológica ou nas capacidades económicas de um Estado, mas na pureza da táctica e no seu diálogo íntimo com as capacidades militares de um exército. A sua teorização, omissa quanto à disposição naval ou aérea e limitada a situações de “high-intensity conflict” (não abrangendo cenários de guerrilha ou de guerra urbana) é fulgurante e original ao enfatizar a necessidade de uma disposição racional e equilibrada das capacidades ofensivas e defensivas, onde os níveis de disposição das forças guardam a chave para a vitória.
Este é o seu “sistema moderno”, onde em situação defensiva se deverá recorrer à concentração das forças à distância de segurança, dando ao oponente uma margem lata de progressão territorial, mas sempre em prontidão para um contra-ataque de oportunidade; enquanto que na ofensiva o segredo está na exploração pária do poder de fogo da artilharia contrária, avançando em grupos reduzidos mas coordenados que, deduzo, explorariam as reticências inimigas a uma situação de fogo cruzado.
No pragmatismo e na simplicidade do seu “sistema moderno” não há lugar para grandes concentrações de fogo “tecnológico” de artilharia, mas antes uma dispersão racional de forças por pontos chaves, colocando-se a tónica, deduzo novamente, na estratégia de incursão em vez de na força despendida. Esta é uma lógica que Biddle suporta socorrendo-se de recriações vituais, computadorizadas, de situações de combate e pelo recurso a três batalhas chave: a Operação Desert Storm de Janeiro/Fevereiro de 1991; a Operação GoodWood de Julho de 1944 e a II Batalha do Somme em Março/Abril de 1918
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Somme ; Goodwwood ; Desert Storm
Na realidade, é esta última e no sucesso do ataque alemão às linhas defensivas aliadas que Biddle procura apresentar como o sustento do seu argumento de disposição racional das forças em situação de inferioridade numérica ofensiva. Mas também é aqui que o leitor fica curioso. Não tanto por esta ser uma ofensiva secundária no contexto final da I Guerra Mundial, até algo ausente das mais recentes narrativas de Niall Ferguson, John Keegan ou de Liddell Hart ou pelo facto da iniciativa ter estado do lado alemão em situação já de “desespero”, mas por ser a II batalha, obrigatoriamente precedida por uma I. E conhecer a I ofensiva do Somme abre óbvias brechas no “sistema moderno” do Biddle.
Já no quotidiano de impasse em Verdum , a I ofensiva do Somme nasce na Conferência Aliada de Chantilly de Dezembro de 1915 e do difícil diálogo franco britânico entre a perpectiva de “war of attrition” do General Joffre e a teoria de uma ruptura decisiva das linhas inimigas do Estado-Maior de Haig e representará o fim do familiar e voluntário “Kitchener’s Army” e a conclusão da estratégia de ataques decisivos e sincopados que havia ganho corpo nas ofensivas de Outono em Artois e na Champagne.
A estratégia da I ofensiva do Somme, em teoria, era algo inovadora e partida da fase prévia de uma semana de contínuas descargas de artilharia pesada que destruiriam as trincheiras, o arame farpado e os nichos de artilharia inimiga, após a qual a infantaria, em estratégia de creeping barrage (onde a artilharia devasta o terreno metros à frente da infantaria, criando espaço para a progressão desta) deveria romper as linhas alemãs e abrir caminho para uma tranquila marcha aliada de ataque aos flancos alemães desprotegidos, bem como para a tomada da povoação e obrigando à regressão e fragmentação das linhas alemãs.
A realidade, no entanto, criou um cenário bem diferente. Com a artilharia aliada dependente da locomoção ferroviária e a uma distância demasiado acentuada para ter precisão de tiro e com o nevoeiro matinal a impedir um reconhecimento aéreo, o optimismo do avanço britânico não se concretizou.
A inexistência de um trabalho prévio de colocação de minas subterrâneas em toda a extensão da linha alemã permitiu que inúmeros abrigos subterrâneos e nichos de armas automáticas alemães sobrevivessem ao ataque da artilharia. Quando a infantaria britânica ultrapassou e passa a linha defensiva alemã, os nichos defensivos alemães envolveram-na numa bolsa de tiro fatal onde o avanço significaria o confronto com as reservas germânicas e a retirada a sujeição ao varrer das armas automáticas alemãs que, entretanto, haviam liquidado qualquer ímpeto de uma segunda ofensiva aliada.
Este é um cenário que questiona seriamente o “sistema moderno” de Biddle, assente na progressão em profundidade de grupos isolados de infantaria suportada pelo poder de fogo combinado da artilharia. No fundo é um regresso ao modelo estático de creeping barrage com a única originalidade de substituir um ataque maciço da infantaria por uma divisão em pequenas unidades de combate. O objectivo é óbvio e passa pela a abertura de várias brechas nas linhas defensivas e pela multiplicação de flancos de ataque, deixando, porém, em aberto a demasiada confiança na táctica e na capacidade do fogo de artilharia à distância, bem como não apresenta soluções para situações de retirada inimiga ou para uma opção desta pela guerra de guerrilha, onde o “sistema moderno” não tem lugar. Por isso é curioso que Biddle apresente, em Julho de 2004, a operação Desert Storm de 1991 como o maior caso de sucesso contemporâneo do seu sistema moderno e não o Afeganistão ou a mais recente intervenção no Iraque. Ainda assim, a sua obra não deixará de fazer sentir o seu impacto tanto no debate académico, como na racionalização de orçamentos de Defesa e no delinear de estratégias militares de disposição de forças e do tamanho destas.


sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Importa-se de repetir?!

Descomplexado

Há muito que a Direita se devia abrir à sociedade civil. Parece um cliché mas é a pura das verdades. Não o faz, também, por incapacidades próprias.
Digo isto depois de ler o que o Paulo Mascarenhas escreve hoje: "Sendo o actual PS claramente social-democrata, parece-me óbvio que está aberto o caminho ao crescimento de um partido, como o CDS, naturalmente aberto a um espaço político mais alargado, com a participação de intelectuais e académicos independentes, que se assuma de Direita, liberal e conservadora, sem mais rebuços ou complexos".
Partilho da mesma percepção enunciada pelo Paulo. Isto é, existe um ambiente sombrio que mistura vergonha e fraqueza no campo da Direita liberal. Existe, efectivamente, um peso nos ombros de um jovem em assumir-se como sendo de Direita, liberal ou conservador. Existe uma enorme relutância em acreditar e dar a cara por um sólido projecto político que possa ocupar o espaço que cabe ao CDS (e não ao PP) e a boa parte do centro direita ocupado pelo PSD. Existe, ainda, uma confragedora apatia dos mais novos em discutir os assuntos políticos - ou mesmo projectos políticos de governo - caíndo-se, invariavelmente num discurso radical que tendencialmente reforça os extremos.
Atendendo aos dois fenómenos - apatia e radicalismo - a Direita liberal deve aproveitar a recentragem do PSD para marcar a agenda política. Para além disto deve apresentar, de vez, um projecto político de governação a médio prazo que cative e motive os desinteressados, os temporariamente desligados, ou os simplesmente desmotivados.
Deve saber ir ao encontro dos melhores quadros do país e não apenas de Lisboa. Deve saber motivar as pessoas para a política feita de modo civilizado (talvez seja um paradoxo, mas de qualquer forma não deixo de me bater por ela) e não abraçar assuntos fracturantes, que a Rua vai gritando, e fazer deles as suas bandeiras políticas e eleitorais. Deve, pelo contrário, marcar a agenda política.
Assim se vêem quais os partidos garantes de uma democracia consolidada e aqueles que nunca passarão de meros instrumentos populistas, amarrados à gritaria de rua e desenquadrados de um modelo democrático ocidental.
Sei, perfeitamente, que o jogo está, em muitos campos, à partida viciado. Tanto o centrão como o corporativismo estão enraizados em Portugal. O Estado é asfixiante e a vontade política escasseia. Para além disto, as vias de comunicação política sofrem invariavelmente deste quadro de interesses estabelecidos, tendo a esquerda - e crescentemente o Bloco - ocupado o espaço mediático e comunicacional. Também aqui a Direita devia refletir e deixar de se lamentar por não ter voz nos media. Agarre num projecto e faça dele a sua voz. Assumidamente.
Sei que este discurso pode parecer ambicioso. Pouco realista ou pretencioso. É capaz. De qualquer maneira prezo a liberdade de escrever o que me apetece e quando me apetece. E isto, meus caros, foi também uma conquista da Direita portuguesa.

Democracia da “velha-guarda”

Durante o seu encontro com o Presidente Bush, Putin afirmou peremptoriamente que : "any return to totalitarianism would be impossible,".
Pessoalmente estou confiante e descansado, especialmente quando se apresentam tão sólidas credenciais democráticas quanto estas:

Putin, orgulhoso, exibe o seu cartão do KGB Posted by Hello

Showdown at Bratislava Corral

"Bush presses Putin on democracy", BBC
" Here's the deal, President Putin ", Strobe Talbott, IHT

Posted by Hello"This Eurasia is not big enough for both , buster! One of us has got to leave"

Agradecimentos

O Sinédrio gostaria de agradecer ao Bloguitica por ter, literalmente, duplicado o nosso número de leitores. Muito obrigado e esperamos vir a corresponder às expectativas.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Que nada fique na mesma

Fui ontem a sessão de lançamento da candidatura de Luís Marques Mendes à liderança do PSD.
Do seu discurso, aliás muito bom, retenho duas passagens que dizem tudo: primeira, o PSD deve voltar a ocupar no sistema político o centro democrático - social; segunda, além das questões de finanças e economia o Partido deve retomar a líderança das políticas sociais.
Este é, em meu entender, o verdadeiro PSD. Foi deste partido que me tornei militante. Foi esta a estratégia que permitiu ao Professor Cavaco Silva ganhar duas maiorias absolutas.
Gostaria de acrescentar que o Partido tem ainda que voltar a ter políticas em áreas fundamentais que não podem ser vistas como património da esquerda (até porque tal não é historicamente verdade): na cultura, na investigação, na universidade, no ensino, no ambiente, na qualificação das cidades.
Ontem fiquei mais optimista. Embora, ao olhar para a sala e para a sua composição, não tenha podido escapar a um pensamento: se é para mudar, que nada fique na mesma!
Há muita gente nos institutos, nas universidades, nas empresas, e por ai fora, que se afastou da política (e do PSD). Da capacidade de atrair de novo estas pessoas dependerá o sucesso desta "nova era".

Ar fresco por favor



20 de Fevereiro - o PSD sofre uma derrota histórica nas eleições legislativas alcançando apenas 29% dos votos;
21 de Fevereiro - ainda se faz o rescaldo das eleições e já se perfilam vários candidatos à sucessão de Santana Lopes;
22 de Fevereiro - Marques Mendes apresenta oficialmente a sua candidatura à liderança do partido; nesse mesmo dia, Luís Filipe Menezes anuncia também a sua intenção de se candidatar ao mesmo cargo (estando marcada para amanhã a apresentação da candidatura). Bastaram umas horas para a luta pelo poder se acender!
Talvez por ingenuidade, faz-me um bocado confusão todo este processo de sucessão. Neste caso, tenho que concordar com Alberto João Jardim - parece-me tudo muito precipitado. Ao contrário do que acontece noutros partidos, no PSD, felizmente, os candidatos não têm que ser fabricados num qualquer “comité” e são livres de avançar; no entanto, penso que depois do resultado de Domingo, antes de qualquer candidatura ser anunciada, seria importante que os militantes fizessem uma reflexão profunda sobre o rumo que o partido tem vindo a seguir nos últimos tempos e sobre o caminho que pretende seguir no futuro. Mas, infelizmente, a realidade é outra...A realidade é que o PSD de hoje, mais do que um conjunto de pessoas interessadas em definir uma estratégia comum para o bem do partido e para o bem de Portugal, é, basicamente, uma feira de vaidades , uma “passadeira de carreiristas políticos”, cujo principal interesse é subir na carreira (como se de uma profissão estivéssemos a falar)... Isso revelou-se na formação das listas de deputados e vê-se hoje no apressado processo de sucessão de Santana Lopes. É perfeitamente natural e saudável que as pessoas tenham ambições pessoais... Mas, não consigo ver a política só dessa maneira (aí está a minha ingenuidade a revelar-se mais uma vez). A verdade é que esta forma de estar tem impedido o contributo de inúmeras pessoas com muito valor que poderiam enriquecer o partido e a actividade política em Portugal.
Não tenho absolutamente nada de pessoal contra os dois candidatos que avançaram para a corrida pela liderança. Com certeza que são pessoas com valor. No entanto, penso que o PSD precisa urgentemente de uma cara nova, de uma lufada de ar fresco trazida por alguém que esteja fora deste circuito cada vez mais fechado. Esta derrota eleitoral deveria servir de tónico para o PSD dar esse passo. Tenho a certeza que se o desse, pelo menos neste ponto, já estaria em vantagem sobre o PS.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Um regresso aguardado

Para quem se interessa por questões de Relações Internacionais, a Política Internacional regressa em força e com um formato renovado.

O sucessor natural de... Cavaco Silva


Social-democracia Posted by Hello

Em situação de maioria absoluta uma oposição condigna é um imperativo. Marques Mendes representa uma herança de credibilidade em contacto com as raízes tradicionais do PSD e com o seu ideário original. Como o próprio diz: “longe da Direita populista”. Se fosse social democrata teria o meu apoio e seria a minha escolha, sendo socialista tem o meu apreço.

Discursos importantes

Para os mais curiosos e para que não se formem opiniões apenas pelo que se ouve nos telejornais, aqui ficam os principais discursos deste périplo europeu do Presidente dos EUA.

President and French President Chirac Discuss Common Values, Vision

President Discusses American and European Alliance in Belgium

Agradecimentos e Parabéns

Gostaríamos de dar os parabéns ao Blogue dos Marretas pelo seu segundo aniversário e pelos 9 deputados eleitos e de agradecer ao Jaquinzinhos pela referência ao Sinédrio.

As vitórias de Cavaco Silva

Estou a ler o livro de Fernando Lima sobre o seu tempo como assessor de imprensa do Professor Cavaco Silva.

Esta leitura não podia vir em melhor tempo: um tempo em que o PSD precisa de mudar de estratégia para se preparar, o mais rápido possível, para voltar às vitórias.

Fernando Lima enuncia, numa frase que resume todo o livro, a equação certa para uma estratégia de vitória. Diz ele: Cavaco Silva preocupava-se muito com o controle da agenda política pois sabia que quem detinha o controle da agenda política estava quase sempre em vantagem.

É preciso não esquecer que este ciclo eleitoral apenas agora começou. Em Outubro há Eleições Autárquicas e em Janeiro Presidenciais.

Os bons exemplos podem ser muito úteis!

Copyright L.A. Times Posted by Hello

Revista de Imprensa

1-“Pressing Putin to mend his ways”, The Economist
"There was a time when a meeting between the American and Russian leaders was a summit of the world’s two great powers. Nowadays, it is a meeting between the world’s one main power and a medium-sized country whose global importance is still fading but which still has plenty of scope for troublemaking—and a huge nuclear arsenal."
2-Kenneth Pollack e Ray Takeyh, “Taking on Tehran”, Foreign Affairs
"With Tehran divided over how to balance its nuclear ambitions with its economic needs, Washington has an opportunity to keep it from crossing the nuclear threshold. Since the economy is a growing concern for the Iranian leadership, Washington can boost its leverage by working with the states that are most important to Tehran's international economic relations: the western European countries and Japan, as well as Russia and China, if they can be persuaded to cooperate. Together, these states must raise the economic stakes of Iran's nuclear aspirations. They must force Tehran to confront a painful choice: either nuclear weapons or economic health….
In the 1990s, Europeans could ignore much of Iran's malfeasance because the evidence was ambiguous. But with the IAEA recently having uncovered so many of Iran's covert enrichment activities--and with Tehran subsequently having admitted them--it will be far more uncomfortable, if not impossible, for Europeans to keep looking the other way."
3-Niall Ferguson, “Sinking Globalization”, Foreign Affairs

Skins: Mais cabelo do que cabeça


Posted by Hello
Junto a minha voz à do Intermitente.
Já agora uma palavra para as senhoras na fotografia: calças elásticas e botas militares não fazem maravilhas pela figura!

FSM e os libertadores

Ontem recebi este fantástico e-mail:

5 o. Fórum Social Mundial (FSM): "diversidade", "revolução intersticial" e sonho anárquico

* Uma radiografia atualizada do chamado "movimento de movimentos" alter-globalista, suas metas, sua função dinamizadora, suas discussões estratégicas e de bastidores, seu poder real e seus calcanhares de Aquiles
*Um informe exclusivo, com entrevistas a José Saramago, Frei Betto, Leonardo Boff, Ignacio Ramonet, presidente Chávez, Alina Guevara, John Holloway, Michael Hardt, Tariq Ali, Atilio Borón, João Pedro Stédile, Ricardo Alarcón e outros participantes do FSM
Introdução:
1. Frei Betto, Gramsci e Lenine: "pressão popular" para "conquistar" o poder
2. Transformar o mundo sem tomar o poder, ou tomar o poder para transformar o mundo?
3. Chávez: o"novo libertador", sucessor de Fidel Castro?
4. Foro de São Paulo, Cuba e Lula
5. "Teologia da libertação", indigenismo e "sociedade futura"
6. Desconstrução de teorias, utopias e teologias...* Utopistas versus anti-utopistas * Saramago: não-utopia * Ramonet: anti-utopia * Gadotti: "a época das certezas passou" * Siddhartha Shivamurthy * Teologia da libertação e desconstrução * Revolução sexual * D. Casaldáliga: "mudar a religião" * Pe. Barros: "Superar a convicção de que o cristianismo é a única religião verdadeira" * Inflexão no alter-mundialismo: rumo à anarquia política e religiosa? * O caminho rumo a um estado de coisas "tribal" * Estruturalismo e vida tribal
7. "Território Social Mundial" e Acampamento da Juventude, laboratórios de um "outro mundo" autogestionário e anárquico;
8. FSM, "matança dos inocentes" e "diversidade" intolerante"

Como sempre, não poderia faltar o nosso prémio Nobel...
Chavez o novo libertador? Sucessor de Fidel Castro? Ou seja, Fidel Castro foi um libertador? Bom, nesse caso, prefiro continuar preso.
Será que qualquer dia teremos um novo tema: Louçã o novo libertador?
Para as pessoas que defendem estas ... (nem sei como adjectivá-las), a minha solução é simples: cada vez que utilizarem a palavra "liberdade" em vão, têm direito a um estágio (remunerado nos termos locais) na Coreia do Norte ou em Cuba (não para a praia) para experimentarem viver sob a égide destes grandes "libertadores".

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Revolução Constitucional?

Gosto particularmente de ler Rui Ramos. A sua presença dentro de uma nova geração académica abre boas perspectivas para o futuro e a sua dialéctica discursiva é uma das melhores fontes para inspirar um debate sério e elevado. Ultimamente, por necessidade e gosto, tenho lido bastante da sua obra e fico sempre com a impressão que Rui Ramos poderá receber parte da herança historiográfica “revisionista” que remonta a Vasco Pulido Valente. Ainda assim todo o argumento é passível de contra-argumentação e o seu artigo de dia 17 no Portugal Diário (via O Acidental) é um bom exemplo.
Rui Ramos subentende a existência de uma estratégia de longo curso na dissolução parlamentar de Dezembro de 2004 que terá aberto um precedente infra- constitucional letal para o futuro. O autor não o afirma peremptoriamente mas pressente-se, nas suas palavras, uma intenção tácita de Jorge Sampaio em, estrategicamente, esperar pelo momento certo para a dissolução. Mas o cerne do seu argumento não está nas motivações para a dissolução, mas no precedente que esta abre: “para derrubar um governo, tinha sido destruída uma tradição constitucional”.
Esta “revolução constitucional” dará o mote para a intersecção entre influências de poderes e actos eleitorais. Na sua lógica, aberto o precedente, o acto eleitoral de Domingo último só será legitimado em função da futura escolha de um Presidente da República e o ciclo será vicioso. No entanto, o seu discurso parte de pressupostos e de paralelismos demasiado ténues. Qualquer pessoa que tenha acompanhado a curta vida da presente legislatura não poderá aceitar tacitamente uma equiparação entre esta e o antagonismo pessoal entre Mário Soares e Cavaco Silva. Há demasiados factores aleatórios para este ser um argumento válido (inexistência de coligação governamental; mandato sólido e uníssono de Cavaco Silva; estabilidade orçamental e vitalidade da sua política económica; etc). Da mesma forma o autor não poderá assentar o seu argumento numa quebra de pressupostos constitucionais.
Rui Ramos pretende um regresso subentendido aos moldes constitucionais britânicos onde um texto constitucional exaspera da sólida compilação escrita para uma prática jurisprudente ou juspositivista historicista. Esta lógica pressuponha que a Constituição da República Portuguesa assumisse uma forma parcial e consuetudinária de Magna Carta ou, mais em particular, de Conventions of the Constitution na sua regulamentação do diálogo de poderes. Este não é o caso e no sistema político português não se escutam os ecos de Burke ou de Bolingbroke, da mesma forma que uma dissolução parlamentar nunca poderá representar “uma revolução constitucional” ou a destruição de uma tradição constitucional.
Apelar a tais probabilidades surge como a ponte necessária para suportar o argumento seguinte de que “o Presidente a eleger em 2006 poderá inspirar-se no precedente de Dezembro para interromper a legislatura” ou de que “as eleições legislativas, devido à decisão presidencial de 2006, estão, neste momento, reduzidas a uma primeira volta das presidenciais”. Rui Ramos é inteligente e consegue criar um argumento catch 22, de auto- justificação e de difícil contra-argumentação mas falhou pela sua aversão a moldes doutrinários marxistas: não escolheu uma fonte discursiva suficiente e solidamente dogmática. Fazer a prática constitucional portuguesa discorrer de “costumes e convenções” que ultrapassam a legalidade escrita é uma matriz demasiado instável e dúbia que esquece a realidade de um sistema de governo semi- presidencialista prospectivo, cujas fontes radicam nos exemplos constitucionais pós- fascistas de Itália e de Bona, longe do exemplo consuetudinário britânico.

Revista de Imprensa

1-“Kim Jong Honecker? Our strategy for dislodging the North Korean tyrant should recall East Germany.” -por Duncan Currie, Weekly Standard

2-Zakaria: “Standing Up for People Power”. Farred Zakaria, Newsweek Int. Ed.

“Syria does not think of itself as a pariah state like North Korea—and if it does not stop funding terrorists, occupying Lebanon and crushing all dissent, it should be treated as such.”

3-" Etats-Unis - Europe : une Alliance vitale et durable ", Donald Rumsfeld, Le Figaro

"Quand la communauté atlantique est unie, elle peut réaliser des exploits. Cette unité ne doit en aucun cas impliquer une uniformisation des tactiques ou des perspectives – mais plutôt une union des intentions. Ceux qui apprécient les systèmes politiques libres et les systèmes économiques libres partagent des espoirs similaires. Ces espoirs peuvent devenir des réalités pour de nombreux autres peuples si nous oeuvrons ensemble. "

4-" A Transatlantic Truce ", Max Boot, L.A. Times
“Divorce isn't an option. Europe and the U.S. are consigned to a loveless marriage in which they will continue to bicker and squabble but stay together for the greater good. That's not a very romantic vision to propound right after Valentine's Day, but, as they say on the Continent, c'est la vie.”

Tirem-me deste filme!!

Bom sinal

As novas decisões na área da cooperação de Portugal com o Iraque foram concertadas com o Partido Socialista, que irá assumir, em Março, responsabilidades governativas.

A confirmar-se isto, o novo executivo dá um sinal de extrema responsabilidade. Pelo menos não cometeu nenhuma Zapatada como fizeram os nossos vizinhos espanhóis há quase um ano.
Um bom princípio. Veremos o resto.

Sinal do tempo

Um conselho ao PSD

«Segui o seu conselho: ele perdeu o seu posto. Um ligeiro sorriso provou-me que esperava isso mesmo. Sabia muito bem que nenhuma solicitude intempestiva para com um velho amigo me impediria de adoptar a atitude mais esclarecida.; aquele fino político não aprovaria que eu procedesse de outra forma».

Marguerite Yourcenar, "Memórias de Adriano"

Reconciliação

Obviamente inspirado pelo sucesso de António Variações/Humanos, Marques Mendes afirmou que urgia “mudar de vida”. Luís Delgado percebeu a dica e no seu artigo de opinião de hoje chega mesmo a chamar -imagine-se- “ingénuo” a Pedro Santana Lopes. O golpe de rins é fabuloso e deve ter-lhe custado muitos nervos. Ainda assim, o Sinédrio descobriu que o ímpeto de Luís Delgado para se aproximar do novo executivo era ainda maior. Este blog está agora em condições de divulgar a primeira versão deste surpreendente artigo:

Linhas Direitas Posted by Hello

Uma lição


Paulo Portas


Tal como muitas outras pessoas, apesar de lhe reconhecer inúmeras qualidades, sempre desconfiei de Paulo Portas enquanto político . O seu passado no “O Independente” não o tornava uma pessoa credível, o seu discurso parecia-me demagógico, a sua atitude revelava-se muito inconstante. No entanto, depois de 3 anos em que tive a oportunidade de ver Portas em acção, tenho que admitir que a minha opinião se alterou.
Paulo Portas foi reconhecidamente um bom ministro do governo cessante;
na sua actuação colocou o interesse de Portugal no lugar onde sempre deve estar, no topo;
demonstrou ser um homem com Sentido de Estado;
foi um parceiro de coligação leal e de confiança;
lutou sempre com dignidade pelos princípios que regem o seu partido;
foi o melhor nos debates em que participou;
por fim, foi, sem dúvida, o melhor no momento da derrota.
Todos pensavam que seria o CDS de Portas a fazer desabar a coligação de direita... Tal não aconteceu! Pelo contrário, foi Portas que foi arrastado pelo fracasso de um PSD totalmente descaracterizado. O CDS foi um dos derrotados, mas, com certeza, que não foi por culpa do seu líder.
Portas tem sido um resistente... Apesar de ter sofrido inúmeras tentativas de “assassinato político”, conseguiu resistir sempre! Penso que tomou a atitude correcta, no momento certo, da maneira certa . Isso abre-lhe boas perspectivas para o seu futuro político. É uma lição que outros deveriam aprender...A política não é uma profissão, é uma missão!

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Revisionismo histórico em tempo real

Pelo artigo de Vasco Pulido Valente depreendo que ontem só houve um vencedor destacado:

Posted by Hello sua Majestade El-Rei Dom Manuel II (1889-1932)

New York Times

Para quem tiver interesse em saber como foram noticiadas as eleições portuguesas na cidade onde me encontro a viver, aqui fica o artigo publicado hoje no New York Times:

Socialist Builds Big Lead in Portugal Election, Voter Surveys Shows

Portuguese voters appeared Sunday to be choosing the Socialist candidate, José Sócrates, to become the country's fourth prime minister in three years.
Surveys of voters after they cast their ballots indicated that the center-left Socialists would win 45 percent of the vote, followed by the 29 percent for the center right Social Democrats, led by the acting prime minister, Pedro Santana Lopes, Radio Television Portugal reported.
The figures suggested that the Socialists stood a strong chance of winning an absolute majority in Parliament, meaning the party could govern alone without having to form alliances with other groups.
An absolute majority, which no party has obtained since 1991, would represent a significant step toward stabilizing Portugal's democracy, which has been plagued by years of volatility, experts say.
Over the past five years, governments have risen and fallen with alarming rapidity, leading many Portuguese to fear that the country is returning to the political instability that marked the nation's first decade of democracy, before it entered the European Union in 1986, said Pedro Magalhães, a political scientist at the Institute of Social Sciences at the University of Lisbon.
The political situation may have reached a low point during the tenure of Mr. Santana Lopes, when ministers contradicted one another regularly, sometimes daily, and one of them resigned four days after starting work.
"The government presented an image of total incoherence and lack of organization," Mr. Magalhães said.
Mr. Santana Lopes lasted only four months before President Jorge Sampaio decided on Nov. 30 to dissolve Parliament and call early elections after a tide of complaints from business leaders, politicians, academics and editorial writers who contended that the government was foundering under increasingly chaotic leadership.
Portugal, with about 10 million people, was one of Europe's brightest success stories in the late 1990's. Its economic growth regularly outpaced the European average, and continuity in the political leadership provided a measure of predictability after years of volatility.
Since then, the economy has suffered a recession, unemployment has risen and the budget deficit has ballooned. Before the European Union expanded last year, Portugal was the poorest member state.
In his campaign to convince voters that he could get Portugal moving forward again, Mr. Sócrates focused more on his leadership qualities than on his policies. In fact, it can be difficult to distinguish his policy positions from those of his predecessor, particularly in international affairs, where the two share a commitment to further integration into the European Union and to strong ties with the United States.
Domestically, the differences are starker, but not much so. The economic platform laid out by Mr. Sócrates differs little from the fiscal conservatism of his opponent, including a proposal to trim the government's huge work force and a declaration that tax cuts are out of the question during a time of economic stagnation and budget deficits.
"The Socialists are very pragmatic," Mr. Magalhães said. "They are likely to govern from the center."

"A new era of transatlantic unity".


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É curioso ver como a visita do Presidente Bush à Europa tende a suscitar os mais diligentes comentários. O pessimismo atípico de Niall Ferguson no Guardian de hoje é um mero exemplo. O eminente historiador britânico sugere-nos um admirável paralelo entre a visita de Nixon à China em 1972 e a visita de George Bush à Europa em 2005. Niall Ferguson parte do engraçado pressuposto de um regresso a um sistema internacional triangular, onde a China se instaura como vector alternativo para a destabilização de um cenário crónico de deterrence. Para Ferguson o vínculo transatlântico está condenado à secessão por factores cruciais como o Iraque o Irão e a China. Se a lógica de Ferguson perde imediata validade pela sua relativização de questões menores como a enunciação de um afastamento europeu face aos EUA justificado pela relutância dos executivos europeus em hostilizarem as suas faixas populacionais árabes, a sua argumentação face ao Iraque, Irão e China, merece ser debatida.
Se o Iraque continuará a ser um marco importante na divisão de esforços transatlânticos, por outro lado, o Irão deverá representar um argumento de união. Só um esforço transatlântico concertado poderá dar resposta a um Irão nuclear e sobre isso já se falou muito neste blog, mas a China é um dado novo. A intenção europeia de levantar o embargo ao tráfico de armas conhece profunda aversão na política externa americana e o debate transatlântico acerca desta questão começa a ganhar momentum. A questão é mais grave quando se compreende que as duas principais vozes pró-china no seio da EU são francesas e alemãs, que oportunamente esquecem que génese do embargo europeu radica em Tiananmen. Porém também Ferguson se “esqueceu”, oportunamente, de que o fim do embargo europeu só poderá ser uma realidade mediante o voto favorável da unanimidade dos Estados europeus, um cenário tão difícil quanto distante, bem como dependente de uma abertura profunda do regime chinês. O quotidiano chinês de uma dualidade democratizante sui generis, just doesn´t cut it..., mesmo dentro do enquadramento do EU Code of Conduct for Arms Exports de 1998.
A hábil argumentação de Niall Ferguson respeita unicamente a difusos factores de desunião entre as vontades transatlânticas. Elege a China, mais do que o Irão ou o Iraque, como o móbil original para uma dispersão de esforços e para a polarização de políticas externas, e o seu regresso ao périplo asiático de Nixon procura enunciar um imaginário de hostilidade ou de adversidade no seio de uma devastada Aliança Atlântica. No entanto, Ferguson partiu de um pressuposto errado e todo o seu argumento é minado por essa mesma escolha original. O seu discurso, desde o primeiro ao último parágrafo, assume uma certa dispersão de objectivos transatlânticos. O Irão e a China serão exemplos e não causas de uma derrocada eminente da Aliança Atlântica.
A descontinuidade entre o argumento de Niall Ferguson e a realidade é por demais evidente. Na sua chegada à Europa, George Bush declarou que "no temporary debate, no passing disagreement of governments, no power on earth will ever divide us." A frase é passível de inúmeras interpretações e mentes mais férteis podem exportá-la para a Pequim de 1972, ainda assim, ela assume uma verdade inequívoca: o actual sistema internacional só poderá ser factor de união transatlânticas.
Num futuro próximo, quando Chirac e Schroder deixarem os seus executivos, algo permanecerá imutável: o parceiro lógico da Europa são os EUA e vice-versa. Não será necessário enumerar os fortes laços económicos que unem as duas margens do atlântico, apenas o recurso a uma estrita análise geopolítica dissipará qualquer dúvida. O cenário actual é passível de constituir protótipo para o futuro. Com a Coreia do Norte à parte, o conflito isrealo –palestiniano, um Mubarak endogâmico, o eixo moral sírio-iraniano, o Irão nuclear e um regresso da Rússia ao proto-czarismo, a já proximidade geográfica europeia e o previsível alargamento da EU, colocam-na no papel de actor - regional. Uma lúcida resposta da política externa europeia só poderá passar pelo eixo transatlântico de união de vontades e de objectivos estratégicos. Brzezinski compreendeu-o perfeitamente e o seu argumento pode, muito bem, ser reconvertido à política externa europeia.
Depois de Condi Rice e de Rumsfeld, a presença do Presidente Bush em solo europeu só poderá expressar uma resposta uníssona para objectivos comuns. Alguns conflitos são, obviamente, previsíveis e o Iraque, dificilmente, poderá padecer de um esforço europeu concreto, bem como Kyoto será, por enquanto, um factor de divisão. E se a Europa é, por demais, realista para aderir integralmente a doutrinas de realismos democráticos, a sua política externa e de defesa terá de passar, obrigatoriamente, pela Aliança Atlântica.
A Aliança Atlântica não poderá ser encarada como um enquadramento necessário face às carências europeias, mas como um bónus. Inúmeras questões emergem que só podem ser endereçadas por uma responsabilidade transatlântica partilhada. Numa altura em que na Rússia emerge uma vontade regional hegemónica e que parte das suas capacidades militares fluem em redes transnacionais de tráfico ielgal de armamento, a cooperação transatlântica no caso ucrâniano tem de constituir exemplo para a previsível aproximação geográfica da Nato e da EU às suas fronteiras.
O Presidente Bush e o seu II mandato chegam a solo europeu com a pretensão de abrirem “a new era of transatlantic unity", a Europa deverá cumprir a sua parte.

Boas vindas da praxe

A família do Sinédrio cresce e multiplica-se a passos largos. A chegada do Tiago Moreira de Sá só deixa antever grandes contributos. Bem vindo Tiago!

Sugestão de leitura 3



O terceiro e último é escrito pelo principal conselheiro de Ronald Reagan para os assuntos soviéticos, sendo mais tarde embaixador em Moscovo. As relações entre Reagan e Gorbatchev são analisadas e descritas por um dos homens que mais de perto viveu os últimos anos da relação entre os protagonistas do período final da Guerra Fria. Excelente livro.

Sugestão de leitura 2



Neste livro são abordadas as principais características, desafios e protagonistas da era Bush. O argumento novo defendido pelos autores - ambos do Brookings Institution, próximo dos democratas - prende-se com o facto de a "revolução" em política externa, encetada por esta Administração, não ter começado com o 11 de Setembro mas sim desde a tomada de posse, em Janeiro de 2001. A não perder.

Sugestão de leitura 1



Special Providence é um exercício estimulante. O autor procura definir a política externa dos EUA em quatro grandes correntes de acordo com quatro presidentes emblemáticos: hamiltonianismo, wilsonianismo, jeffersonianismo e jacksonianismo.Mais do que um conjunto de certezas, este livro é um desafio enorme de compreensão da complexa política externa dos EUA desde a sua fundação.

Bem vindo Tiago

Eis senão quando ele aí está.
Tiago Moreira de Sá é a mais recente aquisição do Sinédrio.
Bem vindo a esta casa Tiago!

Hoje como há 30 anos

Eleição para a Constituinte em 1975:

PS - 2.162.972 (37,87%) - 116 deputados
PPD - 1.507.282 (26,39%) - 81 deputados
PCP - 711.935 (12,46%) - 30 deputados
CDS - 434.879 (7,61%) - 16 deputados
MDP - 236.318 (4,14%) - 5 deputados

Legislativas 2005:

PS - 2573302 - 45,05% - 120 deputados
PPD/PSD - 1638940 - 28,69% - 72 deputados
PCP-PEV - 432130 - 7,57% - 14 deputados
CDS-PP - 414856 - 7,26% - 12 deputados
B.E. - 364296 - 6,38% - 8 deputados

De Direita

Declaradamente Não socialista - embora optimista - não partilho da esperança do Gonçalo. Embora tenha enormes dúvidas quanto ao sucesso ao leme do governo da actual maioria, temo que a esquerda radical seja a verdadeira oposição na próxima legislatura. Recuemos pois aos idos anos 70!
Espero estar redondamente enganado.

Confiança


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Eternamente optimista, a ala Socialista deste blog declara a sua confiança num futuro melhor para Portugal.

"Está escrito nas estrelas..."

«Há uma matriz, um “chip”, que está dentro de mim: um governo, uma maioria, um Presidente, a Junta de Freguesia de Manteigas». Pedro Santana Lopes

"A alegria da Esquerda"

Pedro: Quero acreditar que ainda há três esquerdas e não uma só. Que a responsável faça valer esse título. É o que todos esperamos.

Nada de novo

Portugal está como sempre esteve: Guterristas de um lado e Cavaquistas de outro.
Desde ontem, tudo como dantes.

Bem Vivo!


trotsky

Este é um dos grandes vencedores de ontem. De brincadeira em brincadeira já vão em 364.296 eleitores.

"Gonzo Journalism"

Responsabilidade


Novo 1º Ministro de Portugal

Decorridos poucos anos após uma viragem à direita, Portugal voltou a virar à esquerda e, desta vez, absolutamente à esquerda. Alcançada a tão ambicionada maioria absoluta, o PS de Sócrates tem agora uma oportunidade ímpar na sua história de executar com estabilidade o seu programa de governo, sem necessitar de ceder a caprichos de um qualquer deputado ou ficar amarrado a outro partido.
Após vários anos de desnorte dos governos, quer do PS, quer do PSD, que contribuíram para que o Estado e os portugueses tivessem que enfrentar diversas crises (económica, de autoridade, de confiança nas instituições, de esperança num futuro melhor...), Portugal encontra-se agora num frágil equilíbrio: ou o novo governo é bem sucedido e poderemos voltar a acreditar no nosso país, ou, mais uma vez, falha, e será a ruptura “desta maneira de fazer política” e desta geração de políticos...Veremos para que lado penderá a balança!
Sócrates tem portanto uma grande responsabilidade! Neste momento, tem a base para implementar as grandes e verdadeiras reformas que o país há muito reclama: administração pública, justiça, saúde, educação, etc. (infelizmente, há muitos anos que ouvimos a mesma história), resta saber se terá talento e coragem. Desde logo, coragem para aproveitar as boas medidas tomadas pela maioria de direita, em vez, de como vem sendo habitual em Portugal, riscar totalmente e cegamente tudo o que foi feito pelo governo anterior; segundo, coragem para controlar os interesses existentes dentro do próprio PS, que estarão neste momento a esfregar as mãos por um tacho ou favor; depois, coragem para enfrentar os inúmeros interesses corporativos há muito enraizados nos diversos sectores da sociedade portuguesa (que, como se sabe, têm sido um permanente entrave à execução de reformas)...No fundo, Sócrates terá que ter um verdadeiro sentido de missão e de estado!
Mas, não é só o governo que terá de colocar Portugal no caminho certo, na verdade, somos todos nós! Temos que entender, de uma vez por todas, que grande parte do sucesso do nosso país, passa pelo nosso próprio sucesso: quantos mais portugueses forem bem sucedidos na vida, mais sucesso terá Portugal...Quanto mais sucesso tiverem as nossas empresas, mais sucesso terá Portugal...Mas, o sucesso não cai do céu, conquista-se! E, por vezes, para o conquistar, é necessário ultrapassar grandes obstáculos e suportar enormes sacrifícios...Temos que perder a tendência de esperar que seja uma entidade sobrenatural chamada Estado a nos dar trabalho, a nos pôr a comida na mesa, a educar os nossos filhos, a nos levar à felicidade!!! Está na altura dos portugueses assumirem também as suas responsabilidades na construção de um futuro melhor para Portugal...

sábado, fevereiro 19, 2005

Um passo importante

Dia 17 deste mês foi assinado um acordo que compromete os dois lados do Atlântico que se identificam com a parceria transatlântica como eixo central de uma política de segurança global mais eficaz.
Compromisso este - ao abrigo do Brookings Institution, um dos Think Tanks mais poderosos nos EUA - subscrito por inúmeras personalidades, desde académicos a ex-conselheiros de Presidentes, passando por embaixadores, eminentes jornalistas ou políticos de renome.
O objectivo é só um: em vésperas da viagem de George W. Bush à Europa (visitando os centros de decisão da UE e não capitais europeias) procura-se realçar uma agenda comum que releve a parceria transatlântica como pilar da segurança internacional e da eficácia de decisões tomadas em zonas chave do globo. Agenda esta que passa inevitavelmente pelo Irão, Iraque, Processo de Paz no Médio Oriente, China, Alterações Climáticas, Expansão da Democracia, Tribunal Penal Internacional, Convenção de Genéve, Afeganistão, Relações UE-EUA, Ajuda ao Terceiro Mundo, Sudão e Nações Unidas.
Este compromisso é extremamente relevante. É também assim que se vê como o mundo académico, centrado sobretudo nos Think Tanks, pode influenciar o processo decisório, a forma de relacionamento entre aliados ou, simplesmente, colocar o problema no espaço público para debate alargado.
Não deixem de ler o documento. Façam o vosso julgamento depois.

Mais do mesmo

Depois destes quinze dias de campanha eleitoral presenciei o momento que mais risos me causou. Ao som de "Chama o António", desse já mítico Toy, o Contra Informação desta noite punha a tralha guterrista aos saltos em torno do timoneiro Guterres.A chamada de António é um grito de libertação. Alguém que consiga dizer mais que Sócrates e ao mesmo tempo não dizer absolutamente nada. Alguém que transpire mais política, mas que de político nada tenha. Alguém que articule mais propostas e decisões governamentais, mas que a passagem pelo cargo demonstrou tudo menos isso.Meus senhores, já todos vimos este filme. A conversa é a mesma e os protagonistas também.
Caberá a cada um de nós saber se é isto que quer de volta. A responsabilidade é, em grande medida, de cada eleitor. Depois não digam que a culpa é do outro...

Reconhecimento

Obrigado ao Arte da Fuga pelo tropeção. Continue a visitar-nos!
E já agora os parabéns ao Intermitente pelo segundo aniversário. É obra. Um dos primeiros a descobrir-nos. Aqui fica um abraço desta casa!

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

If you want to see little Peter again, vote for me


Posted by Hello
Não sei se será dos antibióticos, mas a carta misteriosa que recebi hoje de Pedro Santana Lopes parece-se demasiado com um pedido de resgate. Com um envelope em branco e uma frase de abertura como esta:

“Não pare de ler esta carta” (Bold incluído)

a minha reacção natural foi chamar estes senhores.

N 3ª pessoa, como um verdadeiro jogador da bola


O Gonçalo tem-se esforçado no treino para mostrar ao mister o seu valor. O Gonçalo tem consciência das suas capacidades e no Verão fez um programa de treino intensivo e programático, alternado entre grandes escaldões na praia e não saber o que é um par de meias. Não ter atingido logo os altos índices esperados não o desmoralizou e no Outono e no Hinverno, o Gonçalo multiplicou esforços. O Gonçalo sabia que um treino intensivo adem de o ajudar a alcançar a meta desejada. Saídas à rua em camisa, continuar a não usar chapéu de chuva para se parecer com Patrick Swayze de cabelo molhado no Dirty Dancing tinham de trazer os seus frutos. Hoje, o Gonçalo assume que é candidato ao título no I Campeonato da gripe na blogosfera . O Gonçalo assume como natural a chegada aos playoffs e está confiante na vitória. Os concorrentes merecem respeito, são experientes e de maior cotação no mercado e o júri é parcial já que faz parte dos concorrentes, mas a final está à vista. O actual momento físico e moral faze-o acreditar que pode fazer o bonito.
Ainda assim, prognósticos só no final do jogo.

Verdes por fora...Vermelhos por dentro


Os Verdes

No outro dia tive uma conversa com um amigo sobre as eleições e foi mais ao menos assim:
Eu: Em quem é que vais votar?
Ele: Olha, estou um bocado indeciso... Sabes que o meu voto normalmente é PSD, mas o Pedro... Ai o Pedro...
Portanto, como não gosto de votar mais à direita que o PSD, como não me apetece ver um Guterres parte 2, como não posso com a demagogia do Louçã e votar PCP nunca esteve em questão, estive a pensar e lembrei-me que se calhar podia votar nos Verdes.
Eu: Nos verdes???
Ele: Sim...Tu sabes que eu sou uma pessoa com grande consciência ambiental e, além disso, simpatizo bastante com aquelas senhoras que aparecem sempre nos debates parlamentares... Como é que elas se chamam?
Eu: Apolónia...Heloísa Apolónia e Isabel Castro.
Ele: Exacto, é isso mesmo!
Eu: Mas ouve lá, tu sabes que para votar nos verdes tens que votar no PC?
Ele: no PC?
Eu: Sim, tens que votar na CDU (Coligação Democrática Unitária) que é uma coligação entre o PC e os Verdes.
Ele: Mas, para seres politicamente ecologista em Portugal também tens que ser comuna?
Eu: Parece que sim...
Ele: Por acaso não fazia ideia... Como costumo sempre ver duas senhoras a falar na AR e por baixo aparece “Os Verdes“, pensei que fossem directamente eleitas enquanto representantes do partido ecologista português e de todos aqueles que como eu se preocupam muito com o meio ambiente.
Eu: Pois é, sabes, no fundo, os verdes só são verdes por fora, por dentro são vermelhinhos...
Ele: Tal e qual as melancias...
Eu: Ah pois! Então e agora?
Ele: Não sei...Se para votar nos verdes tenho que votar no PC, vou desistir dessa ideia... Eu que tive o meu avô perseguido e preso pelos comunas depois do 25 de Abril, só porque tinha uma pequena empresa de transportes que empregava uns quantos trabalhadores que até gostavam dele, não posso agora colocar uma cruz numa coligação comunista .
Eu: Outros tempos! O PC agora é diferente... É um partido mais divertido! Até dizem que o camarada Jerónimo é um grande dançarino!
Ele: Pois é, eu até simpatizo com o homem, mas, infelizmente, não consigo! Domingo logo se vê... Ainda voto é no Garcia Pereira, esse ao menos é sincero, não se disfarça!

Depois desta pequena conversa, reflecti pela primeira e, provavelmente, pela última vez, sobre a situação dos partido Os Verdes e cheguei à conclusão que aquelas simpáticas senhoras que aparecem tantas vezes a falar sobre os mais variados temas: política orçamental, defesa, economia, entre outros temas muito pouco ecológicos, nunca, verdadeiramente, se submeteram ao sufrágio eleitoral. Ou será que sem os verdes o PC em vez de ter 7% passaria a ter 3%?
Salvo erro, até me lembro de ver a ilustre deputada Heloísa Apolónia a discursar, convictamente, dizendo que o Governo de Santana Lopes não tinha legitimidade democrática, porque não tinha sido eleito pelo povo.
É capaz de ter razão!
Mas, será que as verdes alguma vez foram verdadeiramente eleitas pelo povo? E já lá estão há vários anos...

Revista de Imprensa

Dois Artigos:
"All Eyes turn to Syria", IHT
"Gross:North Korea's nuclear capability grown", CNN, Int. Ed.

E um cartoon:

Copyright L.A. Times Posted by Hello

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Parabéns ao menino déspota...

O Sinédrio gostaria de inaugurar um novo segmento intitulado “Parabéns ao Déspota” que procurará reunir os mais marcantes momentos Kodak da classe tirânica mundial. Para inaugurar este espaço inovador nada melhor do que:

As 63 Primaveras de Kim Jong Il e
.
E os 46 anos da “eleição” de Fidel como PM cubano
Que superiores exemplos de fotogenia! Um grande abraço de parabéns aos dois. Que nos continuem a brindar com a sua anacrónica soberania draconiana e pauperizante por longos anos

Agradecimentos

O Sinédrio gostaria de agradecer ao Observador e ao Crónicas Matinais por terem acordado o Site Meter da sua hibernação. Ao dois, um grande obrigado.

O outro Eixo


Posted by Hello

Iran has vowed to back Syria against "challenges and threats" as both countries face strong US pressure.

Numa altura em que é tida como certa a presença de centros operacionais das forças insurgentes iraquianas no seu território, Damasco opta por uma estratégia de crispação diplomática com os Estados Unidos, tento como parceiro natual o Irão de aspirações nucleares.
A opção é mais um passo no suicida jogo de equilíbrio entre a popularidade interna e regional do regime e um progressivo isolamento internacional da Síria. As suspeitas de mãos sírias no assassinato do ex-PM libanês, o Syrian Accountability Act de 2003 a menção de Damasco no State of the Union Address de 2005, bem como o esforço de requalificação do seu armamento defensivo abre sérias preocupações para a estabilidade regional. O State Department já se expressou pela retirada da sua enviada diplomática, mas a situação começa a agravar-se com os votos de união de esforços entre o Irão e a Síria.
A reunião de hoje entre o vice-presidente iraniano e o PM sírio e o resultante plano de acção conjunta representam tanto a continuidade do autismo iraniano como uma Síria cada vez mais ousada no sistema internacional. Estas políticas de união de esforços junto da volatilidade iraquiana e da progressão libanesa só será um factor de destabilização regional, especialmente dada a presença militar síria em território libanês.
Quando se prevê uma resposta sólida da política externa americana, seria um erro um abstencionismo europeu nesta questão. Ainda que, no curto prazo, Israel detenha o monopólio regional das preocupações face ao escalar da situação, a aproximação geográfica das tensões às fronteiras de uma futura União Europeia alargada terá de resultar num presença firme da diplomacia europeia, em comunhão com os esforços de Washington.
Os esforços sírios de rearmamento e a progressiva audácia internacional de Teerão só podem suscitar uma resposta dentro de tradicionais moldes realistas.

"The whole Iranian nation is united against any threat or attack. If the invaders reach Iran, the country will turn into a burning hell for them."

Estas palavras do Presidente Khatami, ainda que mais orientadas para o público doméstico, afastam sérias esperanças de abertura do regime. A tradicional visão do Irão dilacerado entre os intuitos democratizantes do poder político legítimo e o radicalismo religioso dos Mullahs começa a perder sentido. Um Eixo Damasco-Teerão será um péssimo cenário para a resposta diplomática às aspirações nucleares iranianas e o regime de Mubarak bem como a Arábia Saudita, ainda que não formalmente, poderão ajudar a consolidar um bloco de hostilidade internacional.