quinta-feira, janeiro 26, 2006

Já não devo chegar aos 100 anos de idade

O mundo já passou o ponto de não-retorno no que diz respeito à mudança climática e é improvável a sobrevivência da civilização. Quando? Não, não é como nos filmes daqui a longínquos 1000 anos. É já neste século. Quem o diz é o Professor James Lovelock.
Um lunático? Uma pessoa em busca de atenção como certos candidatos presidenciais em determinados países? Não, não. Membro da Royal Society, trabalhou para a NASA no sentido de explorar a possibilidade de existência de vida em Marte, foi também ele deu o primeiro briefing a Margaret Thatcher e ao seu gabinete sobre aquecimento global, foi único cientista, desde Charles Darwin, que concebeu um modo inteiramente novo de estudar a vida na Terra com a "Gaia theory" - a Terra como um organismo vivo que se auto-regula. Trata-se de um cientista conceituadíssimo, com uma experiência inigualável e que é considerado o melhor entre os melhores.
E se Lovelock estiver enganado? A principal implicação desta possibilidade é que afinal ainda se vai a tempo de alterar o processo.
A importância deste estudo está bem patente na reacção da sociedade inglesa: o tempo de discussão na Houses of Parliament dedicado a este assunto bate qualquer outro tema, anúncios de alerta na televisão, petições como "thebigask" para a qual são esperadas milhões de assinaturas, etc...
Um exemplo da gravidade da situação: Lovelock e outros especialistas prevêem que o gelo do Oceano Ártico derreta por completo nos próximos 30/40 anos.
O que eu acho espantoso é que continuo mais preocupado com a escolha do tema da minha tese do que com a possibilidade do fim da civilização humana ainda neste século.