segunda-feira, janeiro 16, 2006

Princípio da Incoerência Caviar



"Se não vivesse em Portugal, que país escolheria?
Estados Unidos." (In Visão)
Quem terá dado esta resposta?
Algum perigoso neo-liberal?
Não! Foi mesmo o candidato presidencial do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã. Surpreendidos?
Todos nós sabemos que os E.U.A. representam o expoente máximo do capitalismo, do liberalismo e até, segundo o próprio Louçã, do imperialismo.
Assim, é interessante que gostasse de viver num país com estas características. Sempre pensei que escolhesse um local com as qualidades que costuma apregoar (Se é que ainda existem...). Mas não. Louçã, sabe muito bem onde é que está a qualidade de vida.
Comprova, mais uma vez, que os adeptos da Esquerda Caviar têm um raciocínio muito interessante: aconselham a esquerda aos outros, mas ficam com o caviar.
Excelente opção!

6 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Pois, só que os EUA não são só imperialismo, capitalismo, caviar. E a generalidade das causas do BE são defendidas nos EUA com um militantismo e um radicalismo que deve embaraçar qualquer português com pretensões de esquerda.

12:38 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Tenho uma dúvida oh Francisco, então nessa lógica, o prof.Cavaco a traulitar o Grândola vila morena é o quê? O princípio da incoerência da direita bolo rei?
Este tipo de análises (tão)parciais não lhe ficam (nada)bem. Tenho para mim que você é mais sensato que isto. Vamos lá ser mais rigorosos, sim?
Subscrevo o comment anterior. Louçã pode ter essa preferência sem que com isso demonstre qq tipo de incoerência, é que os EUA não se reduzem à administração (en)Bush(te), digo eu... Tal como Cavaco pode entoar um hino conotado com os k7s sem com isso revelar, tb ele, incoerência, é livre de cantar o que bem entender, até a Internacional se lhe apetecesse :)
Abraços

Miss Understood

6:46 da tarde  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Caríssimos anónimos,

Obviamente que os E.U.A. não são só capitalismo e liberalismo. Mas o modelo americano é claramente esse. E isso existe independentemente de qual seja a administração no poder. A América é hoje a única superpotência mundial, em grande parte, precisamente por ter adoptado sem reservas esse modelo (em todas as vertentes: económica, social, cultura, etc.).
Portanto, a meu ver, é da mais elementar incoerência alguém que tem como tom dominante do seu discurso a crítica ao modelo capitalista e liberal, escolher como local de eleição para viver um país em que esse modelo nem se discute (sei do que falo, pois vivi lá uns tempos).
Quanto à Grândola Vila Morena, é uma canção emblemática de uma revolução que nos levou à democracia. Que eu saiba Cavaco Silva não é, nem nunca foi contra o 25 de Abril; não é, nem nunca foi fascista. Além disso, o 25 de Abril não é uma conquista da esquerda, nem da direita. É uma conquista dos democratas. Assim, Cavaco tem tanto direito a entoar "Grândola Vila Morena" como Jerónimo de Sousa.

Cumprimentos

7:28 da tarde  
Blogger Paulo Trezentos said...

Concordo com o Francisco (o do post original, está visto) que o outro Francisco está a ser algo idiossincrático: o regime é mau, a política externa é má, mas é lá que eu gostava de estar.
O que não significa que o termo "esquerda caviar", algo pejorativo, não seja redutor.
Francisco Louçã é um bom político, um bom académico e uma boa pessoa. Algo que não é assim tão vulgar.
Francisco Louçã tem ainda outra vantagem: é tão claro, tão claro, que não permite enganos: só vota nele quem concorda com ele.
Não estando nada sintonizado com as suas ideias, não o deixo de admirar.
No fundo, é essa honestidade intelectual e clareza de ideias contra a filosofia "mainstream" (demagogia popular?) dos candidatos do centrão que atrai a esquerda urbana. Uma esquerda que não é caviar, mas é certamente salmão.

12:12 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Este Trezentos só pode ser o da loja do mesmo nome, está visto.

9:22 da tarde  
Blogger Paulo Trezentos said...

É verdade.
E para ti os meus comentários ficam mais baratos do que nas lojas.

10:00 da manhã  

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