segunda-feira, janeiro 16, 2006

Problemas à vista

A falta de sensibilidade e de tacto da administração Bush a lidar com a maioria das questões internacionais é algo que tenho sérias dificuldades em "encaixar". Penso muitas vezes em como é possível coexistirem no mesmo país esta total ausência de prudência, informação e bom senso nas decisões e universidades da qualidade de Georgetown, Harvard ou Yale entre outras (muitas outras). A última jogada de génio foi o bombardeamento de uma aldeia no Paquistão, sem pré-aviso de qualquer espécie às autoridades paquistanesas, resultando na morte de pelo menos 18 inocentes pessoas. Nem sinal do suposto terrorista que hipoteticamente terá pernoitado naquela infeliz aldeia.

É dentro deste contexto de imbecilidade generalizada que os EUA enfrentam um crítico desafio, vindo de um país mais poderoso e influente que o Iraque: com o apoio inicial do maquiavélico Putin, o Irão pretende tornar-se (se é que já não o é) o segundo país Islâmico a possuir a bomba atómica.

Sanções? Esse mecanismo que quando utilizado afecta todos menos aqueles que verdadeiramente interessa atingir não poderá ser utilizado neste caso. Porquê? Os preços do petróleo estão muito altos. O Irão tem petróleo e pode responder afectando a economia mundial. Nas palavras de um diplomata europeu: "temos de encontrar uma forma de prejudicar o Irão sem nos prejudicarmos a nós próprios."
O Presidente Iraniano afirma nos seus amáveis discursos que "Israel devia ser apagado do mapa", faz claras tensões de, em breve, começar a produzir uma bomba nuclear por mês, para não falar das amizades estreitas com o Hizbollah e a Jihad Islâmica.

Coloco a seguinte questão, sem no entanto concordar que seja a solução certa: no caso de não ser possível chegar a acordo no Conselho de Segurança acerca da melhor forma de lidar com o problema (devido às posições da Rússia e, principalmente da China), qual a legitimidade de um eventual ataque preventivo às centrais nucleares iranianas por parte de Israel?