terça-feira, janeiro 31, 2006

Hoje nas bancas

Atlântico n.º11, a primeira da gestão Paulo Pinto Mascarenhas.

E agora a Atlântico tem um blog: http://www.revista-atlantico.blogspot.com/

PS: Bernardo, Gonçalo, não consigo meter a foto... SOS

3 anos e meio

Há muito tempo que não escrevia no blog.
Confesso que me tem faltado "pachorra" para a realidade portuguesa. Logo, não me apetece escrever, ler ou mesmo pensar.
Há um ano que não se fala de outra coisa que não das presidenciais (com excepção do futebol, claro). E ainda hoje se fala e escreve. E as eleições já passaram!
Que há um movimento de cidadania.
Que os cidadãos têm poder.
Que Alegre é a renovação dos partidos políticos.
Que Cavaco Silva é um perigo para a democracia pois quer governar a partir de Belém.
Que Socrates vai ter vida dificil.
Que vem ai a instabilidade.
Que vai surgir um novo movimento civico que fará tremer os políticos e os partidos.
Blá, blá, blá
Tudo imaginação, ou falta de capacidade para compreender o que é básico na lógica das coisas políticas.
E tudo é muito mais simples do que parece e resume-se a uma frase: vamos viver 3 anos e meio de tranquilidade política.
Alegre não existe (de resto, nunca existiu)
Os cidadãos não existem, como nunca existiu a cidadania na nossa tradição pública. Logo, não há movimento civico (quanto muito um foclore que dura uns 2 ou 3 meses)
O Prof. Cavaco Silva não é nenhum perigo para a democracia nem quer governar a partir de Belém. Não quer porque é um homem com sentido de Estado e percebe a particularidade do momento que o País atravessa. Mas também não pode pode.
Na verdade ninguém quer instabilidade. Nem o PS (a parte deste que verdadeiramento conta), nem o PSD, nem mesmo o Bloco de Esquerda (cuja meta é de médio prazo, ou seja, daqui a 3 anos e meio). Nem os empresários, nem a banca, nem a comunicação social, nem os sindicatos, nem os "opinion makers".
Talvez queira o PCP e a Intersindical, mas esses também já não existem.
Assim, vamos ter 3 anos e meio de "cidadania tranquila".
Pois isto só voltará a ser a sério uns meses antes das próximas eleições legislativas.
Até lá tudo é pura perda de tempo.

O Fim da Era Greenspan

Terminam hoje os 19 anos de mandato de Alan Greenspan à frente da Reserva Federal Americana.
Nomeado por Reagan, Greenspan mereceu a confiança de todas as Administrações seguintes e deu um contributo essencial para a hegemonia económica dos E.U.A.
Beneficiando da estratégia e visão deste senhor, os americanos conseguiram passar ao lado das diversas crises económicas que têm assolado o globo.
Assim, hoje, a América e o mundo, não podem deixar de se questionar:
Como será o futuro sem Alan Greenspan?

Intervenções Militares e Tecnologia

Conferência: "Cyborg Dreams - Urban Warfare and US Military Techno Science", Stephen Graham, Universidade de Durham.

Dos conflitos que os EUA estiveram envolvidos entre 1984 e 2004, 21 deles decorreram em zonas urbanas, 10 dos quais exclusivamente em zonas urbanas.
Esta urbanization of insurgency revela que o grande desafio para as forças militares "ocidentais" neste século será o conflito assimétrico em zonas onde o inimigo se mistura com a população inocente.

O desenvolvimento da tecnologia militar Norte-Americana, com a inevitável redução no número de baixas - como a intervenção no Kosovo deixou bem patente - tem um profundo efeito na postura dos EUA em considerar a intervenção militar não como última opção mas como uma das opções viáveis.
Para quem gosta de ficção científica, aqui ficam algumas das ideias desenvolvidas (e algumas delas já postas em prática):
- em relação ao bombardeamento da aldeia paquistanesa (a que eu fiz referência no post "Problemas à vista"), parece que quem primiu o botão estava numa base algures na Flórida, e o avião que sobrevoava o Paquistão não tinha qualquer piloto ou ser humano no seu interior.
- no caso de uma infra-estrutura estrategicamente importante mas que esteja ocupada pelo inimigo, a utilização de uma arma que dispara uma espécie de micro-ondas que desfaz por completo as pessoas no seu interior mas deixa o edifício totalmente intacto.
- uma nuvem de poeira artificial que é lançada sobre a cidade que se pretende ocupar; esta tal "poeira" regista o número e o tipo de pessoas que ocupam a cidade, bem como o desenho das ruas, sendo estes dados imediatamente transmitidos para computador, permitindo, num espaço de poucas horas, saber o número de inimigos a abater, o traçado exacto da cidade, sítios seguros e sítios onde possam haver potenciais embuscadas,etc...

O cepticismo do Professor Graham perante a possibilidade de utilização em massa de soldados- robôs pareceu-me ser mais moral do que prático.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Ordem no Tribunal


O blog que conta histórias interessantes da nossa (in)Justiça

Maturidade


Se o Dr. Medeiros Ferreira declara desde já o seu apoio a Hillary Clinton para as eleições presidenciais americanas de 2008.
Aproveito também para revelar minha preferência por outra senhora:
Mulher, negra, natural do Alabama, com uma ascensão política notável.
Uma eventual eleição desta senhora, será mais uma lição de maturidade que os E.U.A. darão à Europa.
Não me parece que num futuro próximo os europeus estejam em condições de eleger para um cargo de relevo, uma pessoa com estas características. Não por razões políticas, mas por outras, muito mais profundas e enraizadas na sociedade.

1 Aninho


Pois é, o Sinédrio completa, agora, um ano de vida. Está na hora de começarmos a pensar em jardins-escola e playdates. Hoje à noite sopramos as velas!

domingo, janeiro 29, 2006

Parabéns ao Sinédrio!


Pois é, hoje fazemos 1 ano de existência. Tudo começou assim: O livro cinzento do comunismo.
Ao longo deste período, tivemos aproximadamente 70.000 visitas. Este número não é nada para muitos blogs, mas é assinável para um blog formado por um pequeno conjunto de rookies da blogosfera, muitos dos quais deram os primeiros passos na arte de opinar aqui neste espaço.
Deixo um agradecimento ao nosso fundador, Gonçalo Curado, por me ter convidado para participar nesta iniciativa. Antes disso, só tinha visto o blog "O meu pipi", agora o Sinédrio e a blogosfera fazem parte da minha rotina diária (dentro das possibilidades de tempo de um amador destas coisas).
Fica também um agradecimento muito especial a todos aqueles que nos têm dado o privilégio da sua atenção. Esperamos que tenha valido a pena e esperamos continuar a contar com a vossa leitura e com os vossos comentários por muito mais tempo.
A luta continua! A liberal, claro...

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Atlântico Renovada, a 31 de Janeiro


Entre outros: João Pereira Coutinho, Constança Cunha e Sá, Rui Ramos, Luciano Amaral, Maria de Fátima Bonifácio, João Marques de Almeida, Pedro Lomba, Vasco Rato, Carla Hilário Quevedo, Rita Barata Silvério, Francisco Mendes da Silva, Nuno Costa Santos, Eduardo Nogueira Pinto, Henrique Burnay, Adolfo Mesquita Nunes, Rodrigo Moita de Deus...

O Sinédrio orgulha-se de colaborar com três dos seus elementos, Gonçalo Curado, Henrique Raposo e este que vos anuncia o próximo e renovado número de uma revista que promete.

E promete já para o número de Março, Maria Filomena Mónica na última página. Para ficar. Por muitos e bons anos.

Não percam.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Já não devo chegar aos 100 anos de idade

O mundo já passou o ponto de não-retorno no que diz respeito à mudança climática e é improvável a sobrevivência da civilização. Quando? Não, não é como nos filmes daqui a longínquos 1000 anos. É já neste século. Quem o diz é o Professor James Lovelock.
Um lunático? Uma pessoa em busca de atenção como certos candidatos presidenciais em determinados países? Não, não. Membro da Royal Society, trabalhou para a NASA no sentido de explorar a possibilidade de existência de vida em Marte, foi também ele deu o primeiro briefing a Margaret Thatcher e ao seu gabinete sobre aquecimento global, foi único cientista, desde Charles Darwin, que concebeu um modo inteiramente novo de estudar a vida na Terra com a "Gaia theory" - a Terra como um organismo vivo que se auto-regula. Trata-se de um cientista conceituadíssimo, com uma experiência inigualável e que é considerado o melhor entre os melhores.
E se Lovelock estiver enganado? A principal implicação desta possibilidade é que afinal ainda se vai a tempo de alterar o processo.
A importância deste estudo está bem patente na reacção da sociedade inglesa: o tempo de discussão na Houses of Parliament dedicado a este assunto bate qualquer outro tema, anúncios de alerta na televisão, petições como "thebigask" para a qual são esperadas milhões de assinaturas, etc...
Um exemplo da gravidade da situação: Lovelock e outros especialistas prevêem que o gelo do Oceano Ártico derreta por completo nos próximos 30/40 anos.
O que eu acho espantoso é que continuo mais preocupado com a escolha do tema da minha tese do que com a possibilidade do fim da civilização humana ainda neste século.

A Região dos Azares


Como se não bastasse a morte política de Sharon, os Palestinianos decidiram dar a vitória nas legislativas ao grupo terrorista (não tem outro nome) Hamas.
O Médio Oriente é uma região de azares, ou, pelo menos, de infelizes coincidências…É impressionante como em tão curto espaço de tempo se consegue passar da esperança para a descrença total. Mas, se o coma de Sharon foi inevitável, a ascensão ao poder de terroristas foi um acto de vontade claro do povo Palestiniano.
De facto, depois das cedências israelitas que levaram ao desmantelamento repentino dos colonatos, exigia-se do povo Palestiniano uma demonstração de reciprocidade. No entanto, com esta eleição, revelaram que não estão dispostos a colaborar na construção efectiva de um futuro pacífico para a sua terra. Obviamente que Israel não negociará com um governo terrorista, cujo objectivo é eliminar o seu eterno inimigo. Neste impasse alguém tem que ceder, mas dificilmente alguém o fará; uns por imperativo de consciência, outros por fanatismo puro e duro.
Espero estar enganado, mas, por uma sucessão contínua de "azares", talvez não exista solução para o conflito do Médio Oriente.
Construa-se o muro, que será sempre da vergonha, para ambas as partes!

Conservador liberal


Raymond Aron, conservador liberal, o Tocqueville do XX.

Conservador liberal? Que porra é essa? [pergunta feita por sms]. Como estou sem saldo, aqui fica a resposta:

«Aquele que procura ser o anjo acaba por ser a besta. O Político não deve esquecer que a ordem internacional é mantida apenas na condição de ser suportada por forças capazes de equilibrar as forças de estados revolucionários ou insatisfeitos […] mas aquele que procura ser a besta não será anjo. Os realistas spenglerianos, que julgam que o Homem é uma besta e que, por isso, instigam esse comportamento bestial, ignoram um lado essencial da natureza humana. Mesmo nas relações entre Estados, o respeito pelas ideias, a aspiração a valores e preocupação com obrigações são evidentes».
Aron, Paz e Guerra.

O meu terrorismo é melhor que o teu

Miguel Portas foi à TSF dizer que o Hamas é uma realidade mais complexa do que um mero grupo terrorista e que a Europa deve ter cuidado e não ostracizar o partido vitorioso das eleições palestinianas pois isso pode levar ao poder a extrema-direita em Israel! Aquela malta continua a defender que há terroristas bons e maus. Vai na volta e o Miguel também emprestou o "seu" carro para o Hamas fazer campanha.

Sinédrio à escuta

A direita pode ter emenda,
do meu camarada acidental Eduardo Nogueira Pinto

aqui fica a parte final:

O liberalismo mitigado deve ser a aposta da direita para os próximos anos. Em Portugal, país onde o Estado continua a ter uma presença asfixiante em quase todas as áreas, não é ideologicamente complicado a um direitista ser liberal. Mesmo os mais puros conservadores se tornam de bom grado liberais. Há muito pouco para preservar. Há muito para liberalizar. Não se trata de querer privatizar tudo e mais alguma coisa, de acabar com a segurança social e com o sistema nacional de saúde, ou de outros niilismos megalómanos. Trata-se, tão-somente, de repor algum bom senso na coisa pública. Depois de alcançado esse objectivo, depois de reduzido Estado às suas tarefas fundamentais, depois de as políticas essencialmente de direita passarem a ser prática comum, depois de tudo isso, poderemos, então, voltar a ser conservadores. Conservadores-liberais, bem entendido.

Top Gun, Socialist Style

“A leftist maverick, Manuel Alegre, had 20.7 percent of the vote and Mário Soares, the Socialists' official candidate, had 14.21 percent.”
Maverick, a.k.a. “you’ve lost that party feeling”


Iceman

Goose

Also starring: Jorge Coelho as unfriendly MIG pilot

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Que Direita?

Tal como se explica o sexo às crianças por meio de alegorias com cegonhas e abelhas, também grande parte da Direita recorre a expressões que minoram a sua natureza política, tal como “o candidato da sua área política” ou a crucial alusão composta ao “centro-“.Não digo que seja necessário fazer uma arruada ou qualquer acto público de consagração comunitária. Isso fica para outros. Mas dificilmente haverá uma Direita com vocação de poder, enquanto esta se envergonhar da sua própria natureza.

O meu plano tecnológico

Foi preciso quase 1 ano de actividade na blogosfera, para eu, finalmente, saber mexer no template. Nunca fui muito dado a estas tecnologias e além disso o Gonçalo Curado trata muito bem do assunto.
Mas enfim, iniciei o meu próprio plano tecnológico e consegui adicionar à lista, 3 blogs de amigos:
Estudar Cereais, onde o João Segorbe nos conta histórias da experiência americana que está a viver em Evanston, subúrbio de Chicago, Illinois; Ofício Diário, do Torquato da Luz para os amantes de poesia and, last but not the least, o Palmier, da Joana Mil Homens (entre outros), uma das maiores comentadoras do Sinédrio.
Ficam as sugestões e espero que depois de me imiscuir nos meandros da tecnologia blogosférica, não tenha apagado os mais de 1050 posts que constituem o Sinédrio.
Por falar nisto, no próximo dia 29 estaremos de parabéns!

Há! Isso foi o Joseph...


Para refutar a projecto de resolução do Conselho da Europa sobre a “Necessidade de uma condenação internacional dos crimes dos regimes comunistas totalitários”, o PCP nem se deu ao trabalho de recorrer à comum tese de uma ideologia inocente dos crimes cometidos em seu nome.
Na Declaração Política do PCP, o comunismo totalitário perde por falta de comparência, apresentando-se a resolução do Conselho da Europa como instrumento de uma ofensiva “fascizante”, disposta a “branquear o nazi-fascismo” pela aproximação deste à natureza cândida do marxismo-leninismo.
Assim se constrói a contemporânea essência comunista. Partilhando a matriz ideológica de experiências totalitárias, o PCP afirma a sua inocência porque, entretanto, se foi dissociando de qualquer cumplicidade por associação. O que o presente ideário comunista esconde é a vocação sanguinária e repressiva, escrita em small print, em qualquer magna utopia.

Uma medida

O principal problema do país não é, ao contrário do que se diz, o défice orçamental, o principal problema do país é o défice comercial, que entre outras coisas afecta o défice orçamental. Um dos principais factores que agrava do nosso défice comercial é a dependência energética nacional. De pouco valem todos os sacrifícios e todos os cortes se continuarmos a comprar mais do que produzimos. Podemos incentivar aumentos de produtividade de maneira a aumentar as exportações, mas mais produção exige maior importação de energia, ou seja, entramos num ciclo vicioso. Uma Grande Política Energética que procure diminuir a dependência do país aumentado a produção energética é de importância vital para o nosso futuro e é uma matéria que deveria ser uma das primeiras a obter a atenção do novo Presidente, que pode e deve transformar esta questão num novo desígnio nacional.
Feita a descolonização, a democratização, a adesão à Comunidade Europeia e à moeda única, chegamos a um ponto onde não vemos maneira de alcançar a outra grande tarefa que nos tem ocupado nas últimas décadas: Atingir os níveis de desenvolvimento dos restantes países europeus. Não é acenando com subidas do PIB e descidas do défice orçamental que se consegue mobilizar a população. Uma ideia simples como esta, se bem estudada, aplicada e divulgada pode operar grandes mudanças no país em áreas tão distintas como as finanças públicas, a economia, o desenvolvimento tecnológico e o ambiente. Uma menor dependência neste domínio significa uma menor dependência do petróleo e do gás oriundo maioritariamente de regiões instáveis politicamente e uma menor exposição às crises internacionais que ciclicamente nos afectam, permite também a afectação de recursos que actualmente saem para o exterior para outros domínios onde eles são mais necessários. Uma aposta forte em novas fontes de energia pode também traduzir-se na fixação de novas indústrias tecnologicamente avançadas ligadas a este sector, com contratação de mão-de-obra especializada. Finalmente pode e deve contribuir para a diminuição das emissões de CO2.
O papel principal cabe ao governo: orientando e estimulando os investimentos públicos e privados para este sector; centrando o plano tecnológico nas questões energéticas com projectos de investigação vocacionados para estudo de alternativas às fontes de energia tradicionais, no melhoramento das performances obtidas no uso de energias limpas e no apoio à aplicação dessas inovações na indústria automóvel; analisando seriamente a questão nuclear; realizando pesquisas na vasta zona económica exclusiva portuguesa; promovendo e incentivando a construção de edifícios auto-suficientes em termos energéticos; combatendo o desperdício; implementando políticas de transportes nas grandes cidades; promovendo um verdadeiro ordenamento do território, etc. Mas o Presidente da República é a única pessoa que pode transformar todas estas políticas numa grande questão nacional que envolva todo o país e que não seja vista nem a curto nem a médio mas a longo prazo.

Hairball II

Medeiros Ferreira bem pode parar de agitar bandeiras. Afirmar a depuração democrática dos 700 mil eleitores soaristas só demonstra a incapacidade de alguma Esquerda para aceitar uma derrota como sua. É a inabilidade para apresentar a sua razão de ser futura, em democracia liberal, que explica o recurso a alusões a ameaças internas ao próprio sistema democrático. Rotativismo e Pluralismo foram, entretanto, engavetados.
A “Esquerda” que, no Domingo, dormiu como um bebé é aquela que antes de fechar os olhos não olhou, saudosa, para o espaço vazio na parede onde um dia se pendurou um qualquer projecto holístico para as massas.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Pedagogia Sinédria

Aqui, num blog com o nome de um dos meus bolos favoritos.

A clarividência aqui tão perto


“Tras dos meses de campaña agotadora y bastante plúmbea en general, el pueblo portugués diseñó unos resultados sensatos y templados, que no revelan tanto entusiasmo como ganas de acabar lo antes posible con el asunto.

....


El primer ministro, Sócrates, asistió como si la cosa no fuera con él al cataclismo histórico (quizá el último, pero nunca se sabe con el Viejo León) de su candidato, Mário Soares, de 81 años. Aunque los analistas no hablan de un voto de castigo al Gobierno sino de un error de timing, o más bien de época, cometido por el propio Soares, como recordaba ayer el director de Público. El PS no vivía tal desastre (un 14% de los votos) desde que el extinto Partido Renovador Democrático engulló en 1985 a la mitad de su electorado.”

Cavaco promete lealtad al Gobierno”, El País

Cavaco Silva


Desde o dia em que anunciou a sua candidatura que se comportou como um Presidente e, por isso, mereceu a vitória que os portugueses lhe deram.
Fez uma campanha pela positiva, com dignidade, educação, responsabilidade e sentido de Estado. É isso que se espera de um Presidente da República e, por isso, a grande maioria dos portugueses, de norte a sul do país, incluindo o Alentejo, confiou nele para assumir o mais alto cargo da nação. Ficou demonstrado que Portugal não é propriedade de uma elite de Lisboa que se julga exclusiva detentora da cultura e sabedoria suprema e que olha para Cavaco com um enorme preconceito cultural. Nessa elite estúpida, Cavaco obteve com certeza uma fraca votação. Foi o povo que votou em Cavaco, deixando para trás a dicotomia entre direita e esquerda que, a meu ver, faz cada vez menos sentido.
Cavaco representa hoje a esperança de um povo que na última década sofreu uma enorme crise de valores, também por culpa de uma geração de políticos vaidosa, medíocre e sem espírito de sacrifício. Goste-se ou não, Cavaco é muito diferente desta geração! E os portugueses tinham muitas saudades de um pouco de elevação na política.
Cavaco não representa claramente os valores liberais do Sinédrio, mas perante as opções que nos eram apresentadas, foi, sem dúvida, a melhor escolha possível dos portugueses. Agora, como o novo Presidente disse ontem: “chega de eleições, vamos ao trabalho!"

Manuel Alegre


Embora não o confesse, Alegre sabe que foi o segundo vencedor da noite. Contra ventos e marés, sem qualquer apoio de aparelhos partidários, recolheu mais de um milhão de votos e deixou a confortável distância o seu principal adversário, Mário Soares.
Fez uma campanha inteligente, apelando a valores, de certo modo, um pouco esquecidos e que fazem alguma falta a Portugal: patriotismo, solidariedade, respeito, integridade…
Tudo isto de forma moderada, sem o radicalismo que tem caracterizado, por exemplo, Soares nos últimos tempos.
Com esta atitude ganhou muitos votos daqueles que decidem as eleições, os do centro.
Muitos se questionam o que fará Alegre com estes votos. Na minha opinião, não fará nada! Já fez o suficiente até ao dia 22, demonstrando que os portugueses estão fartos do aparelhismo dominante.

Mário Soares


Depois da estrondosa derrota que sofreu, ouvi muitos dos seus apoiantes e comentadores afirmarem, convictamente, que a sua imagem não ficaria minimamente abalada pelo resultado destas eleições. Gostava de não ter que discordar destas opiniões, mas, infelizmente, discordo.
De facto, se Soares tivesse optado por fazer uma campanha séria, digna e com ideias construtivas para o país, independentemente do resultado, eu seria o primeiro a dizer que a sua imagem ficaria intacta.
No entanto, a sua opção foi claramente outra.
Ao não revelar uma única ideia para Portugal, ao "passar por cima" de Alegre, ao preocupar-se exclusivamente em atacar a pessoa de Cavaco Silva, muitas vezes recorrendo a críticas “baixas”, Soares demonstrou que a sua candidatura não foi “Por Portugal”, mas sim por uma necessidade egocêntrica de se manter no palanque.
Os portugueses não o perdoaram. E tenho sérias dúvidas que o voltem a perdoar tão cedo…

Jerónimo de Sousa


Soube capitalizar a sua simpatia, mantendo, pelo menos, a votação normal do PCP.
No entanto, a forma como começou o seu discurso no dia das eleições, ao dizer que “ao fim de 31 anos do 25 de Abril a direita apoderou-se da Presidência da República”, demonstra que ainda não se conformou com uma coisa chamada Democracia.
De resto, a cassete é a de sempre e só um país que ainda não atingiu a maturidade é que lhe pode conferir quase 10% de votos.

Francisco Louçã





Só num país com uma comunicação social tendenciosa é que Louçã pode ter o protagonismo que tem. Aliás, atrevo-me a dizer que Louçã é, em larga medida, um fruto das redacções dos media. A verdade é que nem assim consegue ter mais de 5% dos votos dos portugueses. Daí que me custe entender que a uma pessoa com pouco mais de 288.000 votantes, possa ser dado tanto protagonismo (ou mais) como a uma pessoa que recolhe a preferência de milhões de portugueses.
Apesar desta insignificância política, Louçã fala como se fosse o patriarca de Portugal, portador dos anseios da generalidade dos portugueses.
Nestas eleições, ficou demonstrado que não é.
Ps: desconte-se da subvenção que receberá, o custo do automóvel topo de gama com que andou a fazer campanha. Segundo sei, foi cedido pelo Parlamento Europeu ao seu comparsa, Miguel Portas. O que diriam os jornalistas se em vez de Louçã fosse Santana e em vez de Miguel fosse Paulo???

Garcia Pereira


Ao MRPP devemos algumas das boas lutas do 25 de Abril. Garcia Pereira é, porventura, o último resistente dessa ideologia.
Com estas eleições, o advogado, angariou, com certeza, mais uns clientes para o seu escritório.
Ninguém o pode levar a mal por isso.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Leitura Recomendada

Martim Avillez Figueiredo, Se a Economia Fraquejar, Começam os Conflitos (DE)

João Marques de Almeida, África e o Terrorismo Islâmico (DE)

Já vou lixar a linha editorial do blog!

O Pedro Mexia, há uns tempos atrás, falou do carácter foleiro do sexo literário português e deixou-me a pensar. Acabei por chegar à conclusão que não é só a qualidade da prosa que dá um contributo foleiro, é o próprio vocabulário português que não é amigo do sexo literário.
Bocage safava-se porque, na altura, podia-se deixar as coisas subentendidas, mas o leitor contemporâneo não tem paciência para silogismos e quer qualquer coisa mais explícita. Só que o emprego de vocábulos gráficos como “perpúcio”, “genitália” ou “escroto” são ainda piores do que os wannabe Bocage que recorrem a eufemismos arrepiantes como “monte de vénus” e as clássicas referências a parafernália de combate a fogos.
Por exemplo, no filme Point BreakRuptura Explosiva há uma personagem que diz: “young, dumb and full of cum” e o tradutor optou uma qualquer solução púdica como “jovem, burro e cheio de genica”.
Isto é obviamente foleiro, mas imagine-se a tradução literal.

Aritmética ideológica

É engraçado que enquanto se minimiza a aritmética da derrota soarista, ninguém repara na irracionalidade de Soares se predispor a alcançar a Presidência com base no programa ideológico do Bloco.

liberalismos

And the difference over competing policies stems from a more fundamental disagreement between left and right about the primacy of the factors that menace freedom. Progressive liberals see inequality as the chief menace to freedom and government as an essential part of the solution. For libertarian liberals, who like progressives think that freedom yields progress and like conservatives stress that freedom depends on limits, it is government that is the chief menace to freedom, and the restraint of government is freedom’s essential safeguard. And for CONSERVATIVE LIBERALS, both of the traditional and neoconservative variety, it is the excess of freedom and equality that poses the biggest threat to freedom, and government is seen as both friend and foe in the battle to limit freedom and equality on behalf of freedom and equality.

Peter Berkowitz

Hairball

Enquanto Medeiros Ferreira aceita a sua derrota “como se fosse sua” e no Super Mário se ouve Sinatra a dizer “and now, the end is near”, Vital Moreira insiste num azedo revisionismo. Para essa derrota entalada na garganta, o Sinédrio recomenda-lhe:

O pré-requisito grisalho

Sempre que digo que cedo chegará o tempo de António Borges no PSD recebo a resposta que “ele ainda está muito verde” ou “ainda faltam uns anos”, apesar de Marques Mendes ser, por natureza, transitório.
Isto deixa-me algo confuso. Serão ecos de Mitterrand que envelhecem os requisitos portugueses de liderança? Que tal olharmos para o exemplo britânico?

Facção


Curioso fenómeno. Santanistas e Soaristas, todos levaram o coração e a facção para lá do interesse e do pragmatismo político. Todos negaram as evidências.

Já se podem guardar as muletas no armário


A forma como José Sócrates geriu a campanha presidencial é text book maquiavélica. Nos próximos dias, no Largo do Rato, espera-se observar um estranho fenómeno de flash mobbing com inúmeras pessoas a olhar por cima do ombro.

Óbito

Morreu ontem uma geração de poder, tão corroída e cansada que nem há quem lhe escreva um obituário.

Hoje Portugal acordou confiante

Revivalistas precisam-se

Ultimamente tenho vindo a concordar com o Henrique na crença de que boa música tem de passar o teste do tempo. Porém, os camaradas revisionistas Bernardo e Manuel juntaram-se no pedido de uma renovada soundtrack para o Sinédrio. Por muito que eu aprecie bandas recentes começadas por The, continuo a acreditar que não há nada como:












Ainda assim, aí ficam na “Grafonola” alguns acordes de modernidade.

domingo, janeiro 22, 2006

Estou com um bom pressentimento...

Votem...

Bem!

sábado, janeiro 21, 2006

Pensem...

sexta-feira, janeiro 20, 2006

O Friedman de 1910 ou o Utopismo liberal da I Globalização

As frases seguintes não se referem ao nosso tempo. Pertencem a um livro de 1910:

«essas tendências, resultantes em sua maior parte de um conjunto de condições inteiramente modernas, fazem com que os problemas da política internacional sejam profunda e essencialmente diferentes dos antigos». E este provincianismo do presente (daquele “presente”; também naquele tempo se pensava que a integração económica seria sinónima de integração política; típico erro da modernidade de esquerda; sim, pode-se ser capitalista, liberal e apresentar, ao mesmo tempo, uma disposição mental de Esquerda, isto é, Progressista e Universal; Thomas Friedman é da "esquerda" americana) continua, continua contra os "reaccionários", essas malditos, que só pensam com grelhas do passado já ultrapassado: «não obstante, essas ideias ainda estão dominadas por antigos axiomas e princípios, assim como por um terminologia ultrapassada».

Norman Angell, A Grande Ilusão, 1910. Os Norman Angell's de hoje - Friedman à cabeça -repetem a mesma arrogância. Só resta esperar que a II Globalização, a nossa, não termine com um bang.

Deus existe, Henrique!

Henrique, estou farto de te dizer que Deus, para além de estar em todo o lado, está também em Bruxelas. Não, não é nos corredores que andas a pensar. É nas guitarras destes ilustres senhores. Deixa lá os teus ataques com Bach e esses defuntos do tempo do terramoto e adere ao mundo dos vivos. Dos bem vivos.

“Coincidência” é a palavra que o agnóstico usa quando começa a pensar que, se calhar, há mesmo Deus

Quando alguém, na mesma tarde, encontra três ex-namoradas, todas pedindo encore com os olhos, esse alguém só pode mesmo pensar no Poder das coincidências.

Pergunta do dia

O que preferem Soares e Sócrates, a vitória de Cavaco sem maioria absoluta com Alegre a passar à segunda volta ou a vitória de Cavaco na primeira volta?
Numa eventual segunda volta tudo pode acontecer, sendo bastante possível a vitória do candidato da esquerda. Anda tudo muito preocupado com as relações Sócrates/Cavaco mas muito mais preocupantes serão as relações Sócrates/Alegre.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

A Aliança mais importante do mundo

Japan and the United States: the Essential Alliance
Yukio Okamoto

1. Globalização? Sempre. Mas cuidado. “Ela” depende de alianças estratégicas. E a mais importante é a aliança entre EUA e Japão (no Japão, os EUA têm a única task force - um Porta-Aviões e afins - estacionada fora do continente americano). Este é um dado pouco comentado. Talvez porque temos como certa e garantida a dita aliança. Mas, em Política, nada é garantido. As alianças EUA-Europa e EUA-Coreia do Sul encontram-se num estado de ambiguidade. Se essa ambiguidade chegar a Tóquio, meus caros, teremos sarilhos. Um mundo sem aliança Tóquio-Washington é um mundo desconhecido; um estranho, novo e perigoso mundo.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

A Utopia de Friedman

Barry C. Lynn “War, Trade and Utopia” (National Interest, 82).

Excelente crítica ao utopismo comercial e determinista de Thomas Friedman. Thomas Friedman faz lembrar Norman Angell. Em 1910, Angell também afirmava que a globalização – a primeira – iria conduzir o mundo para a paz e prosperidade. Norman Angell também criou um fim de história. Errou por completo. Thomas Friedman, na nossa 2ª Globalização, repete os erros. Não resiste à utopia. Globalização, sim. Mas devemos estar conscientes que não é um processo autónomo. Dependente da política dos estados liberais que a sustentam.

Irresponsabilidade

Confesso que me causa alguma perplexidade ver um ministro criticar veementemente um candidato presidencial. Não me parece que faça muito sentido que alguém que integra um órgão de soberania e exerce tão importante função da nação, considere que pode chegar a um comício, tirar o seu “fatinho” de ministro, colocar o de militante e a partir daí dizer tudo o que lhe vem à cabeça. Obviamente que quem é ministro de manhã, não o deixa de ser à noite; obviamente também que um ministro tem direito a ter as suas preferências políticas. No entanto, deverá ter uma atitude minimamente discreta e digna da função que exerce.
Pior: o comportamento a que temos assistido de alguns governantes é ainda mais irresponsável quando o visado pelas críticas é a pessoa que, como é público e notório, muito provavelmente irá ocupar o palácio de Belém.
Não se estará já a minar uma relação que ainda nem sequer começou?

terça-feira, janeiro 17, 2006

Corte na ortodoxia


Peço desculpa aos caros colegas pelo corte na ortodoxia musical do estabelecimento, mas é que o camarada Bernardini afirmou que esteve com a imortalidade. Pois bem, eu hoje estive a tarde inteira com Deus. Duas vezes, para ser correcto. Bebemos uns copos e tudo.

Estreia dia 22

A não perder


Mais do que um filme sobre o homem que desde Napoleão III mais tempo ocupou o poder em França, Um passeio pela história, de Robert Guediguian, é um ensaio sobre a morte e a imortalidade. É também um retrato de uma França em decadência que ainda não conseguiu sarar todas as feridas causadas pela Segunda Guerra e que vive amarrada ao passado.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

The Strokes


"First Impressions of Earth"

Bernardo, este é para aqueles que acham que o bom rock morreu de vez. Muito bom mesmo!

Problemas à vista

A falta de sensibilidade e de tacto da administração Bush a lidar com a maioria das questões internacionais é algo que tenho sérias dificuldades em "encaixar". Penso muitas vezes em como é possível coexistirem no mesmo país esta total ausência de prudência, informação e bom senso nas decisões e universidades da qualidade de Georgetown, Harvard ou Yale entre outras (muitas outras). A última jogada de génio foi o bombardeamento de uma aldeia no Paquistão, sem pré-aviso de qualquer espécie às autoridades paquistanesas, resultando na morte de pelo menos 18 inocentes pessoas. Nem sinal do suposto terrorista que hipoteticamente terá pernoitado naquela infeliz aldeia.

É dentro deste contexto de imbecilidade generalizada que os EUA enfrentam um crítico desafio, vindo de um país mais poderoso e influente que o Iraque: com o apoio inicial do maquiavélico Putin, o Irão pretende tornar-se (se é que já não o é) o segundo país Islâmico a possuir a bomba atómica.

Sanções? Esse mecanismo que quando utilizado afecta todos menos aqueles que verdadeiramente interessa atingir não poderá ser utilizado neste caso. Porquê? Os preços do petróleo estão muito altos. O Irão tem petróleo e pode responder afectando a economia mundial. Nas palavras de um diplomata europeu: "temos de encontrar uma forma de prejudicar o Irão sem nos prejudicarmos a nós próprios."
O Presidente Iraniano afirma nos seus amáveis discursos que "Israel devia ser apagado do mapa", faz claras tensões de, em breve, começar a produzir uma bomba nuclear por mês, para não falar das amizades estreitas com o Hizbollah e a Jihad Islâmica.

Coloco a seguinte questão, sem no entanto concordar que seja a solução certa: no caso de não ser possível chegar a acordo no Conselho de Segurança acerca da melhor forma de lidar com o problema (devido às posições da Rússia e, principalmente da China), qual a legitimidade de um eventual ataque preventivo às centrais nucleares iranianas por parte de Israel?

God bless you

Há quatro horas consecutivas que alterno entre o divino e a imortalidade.
Gonçalo, será que podias proceder à inevitável alteração musical neste blog?

Princípio da Incoerência Caviar



"Se não vivesse em Portugal, que país escolheria?
Estados Unidos." (In Visão)
Quem terá dado esta resposta?
Algum perigoso neo-liberal?
Não! Foi mesmo o candidato presidencial do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã. Surpreendidos?
Todos nós sabemos que os E.U.A. representam o expoente máximo do capitalismo, do liberalismo e até, segundo o próprio Louçã, do imperialismo.
Assim, é interessante que gostasse de viver num país com estas características. Sempre pensei que escolhesse um local com as qualidades que costuma apregoar (Se é que ainda existem...). Mas não. Louçã, sabe muito bem onde é que está a qualidade de vida.
Comprova, mais uma vez, que os adeptos da Esquerda Caviar têm um raciocínio muito interessante: aconselham a esquerda aos outros, mas ficam com o caviar.
Excelente opção!

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Dois livros essenciais

O verdadeiro criminoso agradece

A banalização e o alarido em torno das escutas telefónicas tem pelo menos um efeito:
não haverá criminoso com um mínimo de inteligência que utilize o telefone para falar sobre os seus actos...

Atenção: Big Sister is listening you!!!


O Verdadeiro Órgão de Soberania

Por muito que me custe, começo a ter que dar razão àqueles que dizem que o Presidente da República é um cargo meramente simbólico, não serve para nada. Eu diria mais: no contexto actual, ser 1.º Ministro é também quase irrelevante.
Na verdade, quem realmente manda no país é este senhor:


devidamente assistido pelos seus camaradas. Embora não conste da Constituição, este sim é o verdadeiro órgão de soberania.
Não os conhecemos, não os elegemos, mas estamos todos nas mãos destes senhores.
Viva o Estado de Direito!

Então dr. Coelho?

Está na altura do dr. Jorge Coelho vir a público para, em nome de toda a esquerda, ou em seu nome pessoal como nos tem habituado, defender a desistência de Soares, Jerónimo e de Louça a favor de Alegre. Segundo a maioria das sondagens é Alegre quem se encontra em segundo lugar e é também Alegre que consegue o maior número de votos numa eventual 2ª volta contra Cavaco Silva. O candidato independente não apresentou grandes ideias, mas o simples facto de não estar a receber apoio de nenhum partido favoreceu-lhe. Este é por si só um aspecto positivo da sua candidatura que deve ser louvado por todos.
Soares arrancou mal e habilita-se a acabar pior. Um terceiro lugar com cerca de 14% dos votos é realmente uma desgraça. Por um lado é um bom sinal ver que a Pátria já não precisa do pai. É um sinal de maturidade e de maioridade democrática. Por outro lado é triste, e ao contrário de muitos digo-o sinceramente, ver Soares sair de cena tão mal. Os eleitores não vêm razões para o seu regresso e o factor idade teve um efeito diferente do esperado. As pessoas não deixam de votar em Soares por acharem que ele não está em condições de ser Presidente, mas sim porque, numa atitude muito portuguesa, têm inveja da sua forma física e intelectual, Soares não tem mais votos por duas grandes razões: esteve lá dez anos e está bem de mais para idade.
Estamos à espera do seu apelo, dr. Jorge Coelho.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Que grande disparate!

Leitura Recomendada

«Como muito oportunamente lembrou Luís Aguiar Santos, no blogue da Causa Liberal, se Soares saiu das suas presidências com a imagem de Pai da Pátria, por todos aclamado, deve-o às maiorias de Cavaco. Estas maiorias serviram para disciplinar os seus piores instintos manobristas e arbitrários. Soares preparou-se para ir para a Presidência para pôr e dispor. Mas aconteceram então as duas maiorias absolutas, que ninguém previu e que o tolheram. As maiorias absolutas de Cavaco viabilizaram a nossa democracia quando muita gente começava a duvidar da sua governabilidade. Elas devolveram ao exercício dos poderes legislativo e executivo uma dignidade que sempre andou extraviada desde a fundação do regime. Tal como a conhecemos hoje, a democracia portuguesa é, portanto, em grande medida a democracia de Cavaco».

Luciano Amaral, DN, Hoje.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Novo Ocidente

A crise entre a Europa e os EUA é a crise de sucesso do velho ocidente. Criou-se uma ‘open society’ de estados 'ocidentais' ao longo da globalização. Mas a Europa ainda não percebeu que, após 500 anos de domínio, é, agora, apenas mais um pólo dessa ‘open society’. O fantasma criado pelos europeus - América imperial ou malfazeja - é uma forma de escapar à realidade: a América lidera um novo quadro geo-político marcado por potências liberais espalhadas pelo globo. A Europa é apenas mais "uma". Os europeus ainda não perceberam que são tão ou menos importantes que brasileiros, indianos ou japoneses, ilustres membros deste Novo Ocidente.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Apenas, um Presidente mais


Agora que estão a terminar 10 anos de mandato presidencial de Jorge Sampaio, permito-me fazer um pequeno balanço.
Foi Sampaio um bom Presidente?
Porventura, a esta pergunta responderia a grande maioria dos portugueses com um convicto “sim!”. De facto, com as competências que o nosso sistema atribui ao presidente, não é fácil ser-se um mau presidente; no entanto, penso que é necessário algo mais do que boa vontade para se ser realmente um bom Presidente. Para mim, Sampaio foi um presidente “nim”!
Mas comecemos pelo princípio. Fruto de uma elite, Sampaio é um homem que tem tido alguma sorte na sua carreira política. Depois de falhar na liderança do PS, chegou à CML, vencendo as eleições contra uma direita desgastada por vários anos de poder, órfã de Krus Abecassis e enfrentando um adversário cujos comportamentos na altura, não poderiam merecer a confiança dos lisboetas, Marcelo Rebelo de Sousa (quem não se lembra do refrescante mergulho no Tejo?). Daí até à presidência, foi um ápice. Um ano antes das eleições, Sampaio anuncia a sua candidatura, concorrendo contra um Cavaco Silva que vivia tempos de arrogância e com a fragilidade própria de quem terminava 10 anos de poder. Apoiado por todas as forças de esquerda, Sampaio ganha as eleições, ou melhor, Cavaco perde-as.
Segue-se um primeiro mandato sem história, em que o Presidente assistiu impávido e sereno ao espectáculo Guterres, evitando qualquer deslize que pudesse comprometer a sua reeleição. O segundo mandato não seria muito diferente, se não fosse Durão Barroso ceder a uma tentação e seguir para Bruxelas, deixando como legado Pedro Santana Lopes. Nesse momento, Sampaio tremeu. Foram necessárias várias semanas de consultas às personalidades mais extraordinárias (como se não bastasse consultar um núcleo duro) para que o presidente tomasse a decisão de nomear Santana Lopes; enquanto isso, o país entretinha-se com especulações e afundava-se numa incerteza quanto ao futuro. Ainda assim, embora decidindo tardiamente, Sampaio teve a coragem de enfrentar o seu partido que, no entanto, viria a recompensar poucos meses mais tarde ao “oferecer” repentinamente o poder a Sócrates. Hoje, passado um ano, reconheço que foi uma decisão acertada.
A estas incidências juntou umas largas centenas de discursos, cujo conteúdo derivou entre um conjunto de “pás” e um conjunto de palavras confusas, cujo sentido nem sempre foi fácil de decifrar. Condecorou também inúmeras personalidades, seguindo, por vezes, critérios, no mínimo, estranhos (como, por exemplo, uma célebre bombista/nutricionista).
Em tempos de crise, Portugal precisava de um presidente com uma voz clara, forte e com capacidade para suportar um rumo que se afigurava (e afigura) inevitável com vista a assegurar o nosso futuro. Penso que Sampaio não foi essa voz. Na sua tentativa de se comportar como um árbitro isento e procurando agradar a gregos e troianos, as suas intervenções pautaram-se, não raras vezes, por, como se costuma dizer, “dar uma no cravo e outra na ferradura”. Tanto estava num dia a dizer que é preciso fazer muitos sacrifícios para combater o défice, como surgia noutro a dizer o óbvio, ou seja, que a vida não se resume ao défice. Tanto afirmava num dia que é necessário repensar o sistema judicial, como manteve uma confiança absurda num dos responsáveis pelo estado de completo descontrolo do sistema, Souto Moura.
Devido a um enorme conjunto de ambiguidades, as posições de Sampaio nunca conseguiram realmente ser interiorizadas pelos cidadãos e governantes, acabando por se diluir sempre numa panóplia de opiniões que nos entram diariamente pelos ouvidos.
Sampaio foi, apenas, mais um presidente. Estou convencido que a história não lhe guardará um lugar de grande relevo. Com isto não pretendo, minimamente, colocar em causa a sua boa vontade, a sua seriedade e o seu empenho. Simplesmente, por muito impopular que seja a minha posição, no cômputo geral, não apreciei a forma como exerceu o mais alto cargo da nação.
A verdade é que, bem ou mal, Jorge Sampaio ficará associado a um período em que a nossa sociedade foi minada por diversas crises: económica, de autoridade do Estado, de confiança, de valores...
Será que poderia ter feito mais?

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Amuou...

Soares diz que não fala mais com jornalistas.

A minha sobrinha de 10 anos também costuma amuar quando não lhe fazem as vontades.

Soares já percebeu que o povo português não está disposto a fazer-lhe a vontade.

Science

Meio dia e meia. Página word em branco no écran. Quinto lugar no campeonato. Vitória em Treviso. Prazos para cumprir. Tese para acabar. Artigos para escrever. Livros para ler. Jantares para ter. Um senhor de Braga para insultar até não poder mais. Science nas colunas e a entrar-me pelos ouvidos dentro: um dos discos da segunda metade da década de 90.

Post perdido nos bolsos do casaco

O Manuel José tem voz de barítono; o Vitor Manuel tem voz de forja e o Jorge Jesus tem um problema recorrente com o cabelo e com a escolha das camisas, para além da tendência irritante para observar o jogo com um joelho no chão. Paulo Bento faz um medley.
Ao princípio ainda pensei que o facto de o Paulo Bento ter passado umas temporadas no Oviedo justificasse o presente estado do seu Português. No entanto, com o correr do tempo cheguei à conclusão que o problema assume maiores proporções: Paulo Bento “fala ao sopro”. O novo mister simplesmente não sabe equilibrar a respiração com a fala.
Isto lança algumas dúvidas sobre a capacidade directiva da SAD do Sporting. É, desde já, curioso que se tenha tido a audácia de contratar alguém que aos trinta e tal anos ainda não aprendeu a usar o pente e a fazer um risco para o lado... Mas apresentar um treinador com problemas de dicção marca um novo low point.
Mas o futebol é mesmo um mundo sociologicamente à parte.
Se não o fosse, a afirmação daquele senhor que foi publicamente bitch slapped na Portela (“todo o mundo sabe que eu sou o pai do Moretto no futebol”) teria sido imediatamente de denunciada como a coisa mais foleira que já foi dita na televisão. Se duvidam, a minha colecção de cadernetas da Panini e revistas da temporada do Record estão à vossa disposição. Reparem, em especial na equipa do Tirsense com Marcelo, Giovanella, Paredão e Caetano que partilham páginas com personagens do passado recente como o Nelo (ainda hoje um enigma dos relvados) ou o Basaúla.

Evidências II

domingo, janeiro 08, 2006

Evidências


O meu caro Ivan tem toda a razão. De facto, o Expresso poderia ter escolhido outras imagens para além de um Soares confuso (1ª página) ou de Soares amparado a sair de um comboio suburbano (p. 9). Mas ao fazê-lo, o Expresso estaria a fugir às evidências da realidade.
Desde o princípio de Dezembro que o único foco de interesse da corrida presidencial é saber que nível profundo marcará o ocaso político de Mário Soares.
Ilustrar um texto acerca da campanha soarista com um Mário Soares alegre, confiante ou dançarino seria uma falácia brutal.
Que outra imagem poderia enquadrar gaffes e absurdos como este:

Mário Soares escolheu reinventar-se politicamente na periferia ideológica e sofre com a realidade que o ultrapassa. Soares está velho mas não é de idade física é na ideológica. Soares está tão velho quanto o meu caro Ivan. Ambos escolheram uma base ideológica do passado, de um passado recente, sem raízes e sem futuro.
Fundar uma campanha presidencial nesta base ideológica não é um erro de cálculo, é fratricida.

Humor constitucional

Entrei. Perguntei: “quanto é que custa o curso de chinês?”. O interlocutor – chinês, mas com um razoável português – lá indicou o preço. Conversa puxa conversa. E chega-se à política. Às tantas, digo que Portugal – o país onde vivem os dois intervenientes desta estória – tem na constituição a seguinte frase: abrir caminho para uma sociedade socialista. O tipo começou a rir (bom, os chineses não riem; sorriem um pouco mais depressa). O tipo pensava que eu estava a gozar com a China. Estória ridícula? Pois é. Mas não tão ridícula como a nossa constituição.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

E o Vale e Azevedo?

No Público de hoje:

"Há pelo menos dez reclusos condenados por homicídio, entre os quais um arguido preso por cinco mortes, entre os 56 indultados pelo Presidente da República em Dezembro. Tráfico de estupefacientes, furto e fraude fiscal são outros dos crimes praticados por pessoas que receberam agora o perdão de Jorge Sampaio."

Alguns pormenores da notícia são arrepiantes, por exemplo: "O perdão presidencial de dois anos foi dado também a um recluso castigado com sete anos e três meses de cadeia por tentativa de homicídio. O agressor, com 78 anos, desferiu golpes na vítima com uma "roçadeira", um acutilante utensílio de lavoura. "

Outros tipicamente portugueses: "A clemência de Sampaio incluiu ainda delitos relacionados com o fisco. Foram perdoadas a um arguido "todas as penas aplicadas" (de prisão e multa) por crimes de fraude fiscal e abuso de confiança. "

Eu já tinha a ideia de que quando as pessoas chegam ao fim da carreira têm uma certa tendência para a magnânimidade, mas hoje quando saír de casa vou olhar por cima do ombro umas quantas vezes.

Jagunços & Jagunços Inc.


Enquanto o novo presidente iraniano continua a sua retórica e práticas ofensivas o caso do Hamas é paradigmático. O Hamas compreende que o futuro do seu financiamento e relevância política depende da viabilidade de uma via de violência. Enquanto organização política a sua natureza e acção são para-militares, adversas à paz. Ambos compreendem que de Sharon e da sua herança política depende o processo de paz. Ambos não o desejam.
Para agentes políticos formados pela violência física e ideológica a pacificação não só é indesejável como é incompreendida. Para estes, não poderá haver qualquer resolução o Médio Oriente que não passe por uma marcha triunfal por baixo de um imaginário Arco do Triunfo após uma campanha sedenta de violência.
Os seus futuros dependem da ausência de soluções de compromisso.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

País que foge do óbvio: para quando um investimento na luso-esfera?

«And finally, the increasingly close connection between Brazil and the former Portuguese states of the Africa foreshadows the possible development of a Lusophere. Such ties would be an asset out of proportion to Portugal’s other economic opportunities»

Deste senhor.

Sinédrio Winter Camp 2005/2006

Acredito que é difícil, quase impossível, definirmo-nos politicamente sem uma passagem obrigatória por Paris. Foi com isto em mente que, enquanto o campo de férias do Bloco de Esquerda ensinava “a malta” pintar palavras de ordem em ráfia, o Sinédrio patrocinou uma viagem de instrução política a mim e ao distintíssimo Secretário Geral para a reeducação musical, Francisco.
Palmilhámos o Pigalle e Montmartre, bocejámos em Versailles (o Palácio da Pena é muito mais íntimo, cosy!), constipámo-nos nos Campos Elísios, sofremos com as tabelas de preços do Estado Social, confraternizámos com a comunidade lusa (faltou a arruada em Saint Maur como o Jorge Plácido e com o Litos e a entrevista à Radio Alfa) e observámos in loco o curioso costume local de atirar garrafas a agentes da autoridade.
Regressámos com a confirmação da nossa tese original: “Ils sont fous, ces Français!”


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À espera do nosso colar de cebolas. Reparem na forma revolucionária como Francisco colocou a sua boina. Antecipo-lhe um futuro boliviano.

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Aqui, ensaiávamos a pose de superioridade intelectual enquanto escutávamos uma sócia da Madame Edith do Allo Allo, em Montmartre

Haja decência

Evo Morales com o Ministro de Exteriores espanhol , Miguel Ángel

Carta aberta à mãe de Evo Morales, Presidente Eleito da Bolívia

Exma. Sra. Morales

É, já por si, difícil compreender a razão pela qual um homem adulto ainda recorre à sua mãe para lhe escolher a roupa. Mas as evidências estão todas presentes: a camisola tricotada pela avó, a camisa a sair pela gola, etc.
Devo, no entanto adverti-la para o facto que vestir um filho a caminho da 4ª classe não é o mesmo que vestir um Chefe de Estado.


Com os melhores cumprimentos