sexta-feira, julho 08, 2005

Bees do it. Birds do it. Playboy helps out a lot…


Felizmente o meu pai nunca se sentou ao meu lado, deu-me uma tapinha no joelho e se predispôs a falar comigo sobre sexo. Se o tivesse feito, tenho a certeza que teríamos os dois morrido de vergonha.
Na verdade, como bom filho do PREC, a minha educação sexual partiu do Estado nacionalizador, com a RTP a cumprir um verdadeiro serviço público. Não, não me refiro ao “Sexo dos Anjos” (com Júlio Machado Vaz só aprendi a sentar-me num sofá televisivo como se sofresse de osteoporose), mas à oportuna estreia televisiva de Emmanuelle, algures na tardia década de 80.
À parte de uma possível presença da Playboy entre as “leituras periódicas” da Biblioteca Nacional, este é o único patrocínio estatal à educação sexual que eu admito. Ainda assim, tendem a surgir novas propostas que procuram a racionalização didáctica do sexo.
Levar a intimidade sexual para a sala de aula é levar o Estado para a cama (deduzo que na persona da senhora República”) na forma de um manual escolar da Verbo. “Pesada máquina burocrática”, a República deverá por certo querer ficar por cima e gostará de muito foreplay. Não soa de todo mal, só que me parece difícil racionalizar em currículo escolar um acto que dura, na melhor das hipóteses, meia hora. Ainda assim, um dia poderemos estar perante este diálogo de sala de aula:

Joãozinho: -“Stôra, onde é que ficámos na aula passada?”
Stôra: -“No ponto 3.1 com o título: “Fellatio- agarrar com força demais ele morre, agarrar com força a menos ele foge”, página 43.”

Mas o que me aflige mais acerca deste modelo progressista de Educação Sexual é que não haverá maior turn off do que a memória dos ensianamentos de uma professora do 6º ano durante o acto. O equivalente seco a um banho siberiano ao ar livre. Mas enfim, gerações perdidas, Malthus revisitado.
Só que a Educação Sexual merece um lugar curricular, não na observação científica do acto, mas na enunciação das suas possíveis consequências. Numa recente tertúlia liberal, alguém levantou, oportunamente, a questão do aborto. Um aborto será sempre uma resposta de urgência a uma necessidade. A sua proibição apenas limitará a resposta, mas a necessidade perdurará. Só uma verdadeira e realista Educação Sexual eliminará necessidade futuras não pela racionalização do acto sexual, mas pela enunciação das suas possíveis consequências.

3 Comments:

Blogger AMN said...

Gonçalo, recordo o igualmente importante papel desempenhado por "O Império dos Sentidos", exibido no ano de 1991, pela RTP, quando eu contava 13 anos...

6:28 da tarde  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Gonçalo,
quando apareceu a parabólica passámos também a ter acesso aos filmes didácticos da RTL. Hoje, um pai distrai-se, e tem o seu filho de 6 anos a lambuzar-se com as duplas penetrações do canal 18, ainda por cima, primariamente dobrado em castelhano. Já não há filmes eróticos com alguma história. Hoje, só há pornografia pura e dura. Daí a necessidade da educação sexual nas escolas para explicar às crianças que não é preciso falar castelhano para ter relações, que é normal trocar mais de duas palavras antes de levar alguém para a cama e que não é preciso grunhir para se ter um orgasmo.

7:01 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

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7:01 da tarde  

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