quarta-feira, agosto 10, 2005

A esperança

Em 1985 tinha 14 anos.
Lembro-me bem do dia em que o Prof. Cavaco Silva ganhou as eleições legislativas. Recordo-me de dizer ao meu pai: - isto agora é que vai ser a sério.
Tinha 14 anos. E tive esperança num Portugal desenvolvido, europeu, mais aberto, mais civilizado.
Cavaco Silva foi primeiro - ministro durante 10 anos. E durante essa década o país conheceu o seu período de maior desenvolvimento, de maior estabilidade, de maiores reformas estruturais, de maior autoestima, de maior esperança no futuro.
Cavaco Silva foi o Estadista do desenvolvimento, da abertura da economia, da abertura da sociedade e da moeda única.
Passaram-se dez anos desde o fim do "cavaquismo". De 1995 a 2005 o país estagnou, entrámos em crise, perdemos a confiança, perdemos a esperança.
Vivemos hoje uma das mais graves crises dos últimos trinta anos. Crise económica, crise financeira, crise moral, crise de ideais, crise de confiança, crise de esperança.
Mas há uma luz de esperança ao fundo do tunel... em Janeiro de 2006 Portugal pode retomar a rota de convergência com a Europa desenvolvida.
É certo que o Presidente da República não tem, nem deve ter, poder executivo. Mas pode inspirar, puxar pela autoestima, dar um exemplo de exigência e rigor, aconselhar e, acima de tudo, assegurar os portugueses que não alinhará com eleitoralismos, com interesses partidários ou outros.
Numa sociedade aberta - um dos créditos do Prof. Cavaco Silva -, compete a todos trabalhar pelo desenvolvimento do país. Mas, pelo seu exemplo, o Presidente da República pode devolver-nos a capacidade de voltar a acreditar. E sem esperança não se edifica o futuro.

p.s. A todos os companheiros de blog um grande abraço. Desculpem a prolongada ausência. Mas estou de volta. E cheio de vontade de trabalhar pois Portugal bem precisa de muito trabalho.

10 Comments:

Anonymous Bruno Jacinto said...

Sem duvida que o Professor Cavaco Silva foi um grande estadista, e deu muito a Portugal, mas a maioria das pessoas em vez de querer olhar para isso prefere andar a tentar atirar culpas de um lado para o outro a ver se acertam, em vez de tentar apostar em pessoas competentes.

Nos ultimos anos temos votado sempre em alguem por este nao ser tao mau como o outro, e não por méritos próprios.

12:49 da tarde  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Bem-Vindo Tiago!
Já tinhamos saudades dos teus posts.
Isto agora está em ritmo de Agosto, mas contamos com a tua ajuda para manter o Sinédrio vivo.
Um grande abraço

10:22 da tarde  
Anonymous Carlos Campos said...

Parabéns por este excelente post.
É o facto de ainda haver jovens a pensar assim que nos faz ter esperança no futuro de Portugal.

10:24 da tarde  
Anonymous Pedro Vendas said...

Very Good!

11:06 da tarde  
Blogger Joana said...

Bem... Há alguma verdade neste post, mas não nos podemos esquecer que Cavaco teve a benesse de "reinar" enquanto recebiamos milhões em fundos estruturais. Consigo aceitar que foi, provavelmente, o melhor Primeiro Ministro da nossa democracia, mas não posso deixar de pensar que ninguém, como ele, teve oportunidade de reformar o nosso país - nomeadamente a Função Pública.

Costumo dizer, meio a brincar, que há dois tipos de políticos: os que agem e os diplomatas. Cavaco pertence aos primeiros. Acho que para Presidente precisamos de um diplomata.

10:09 da manhã  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Joana,
Já estou um bocadinho farto da diplomacia de Jorge Sampaio.
Precisamos, sem dúvida, de alguém que saiba agir.

3:18 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Pelo teor geral dos comentários parece-me que os mais jovens percebem melhor a situação em que nos encontramos. É óbvio que o Prof. Cavaco Silva não fez todas as reformas de que o País necessitava. Apesar dos milhões da UE, como alguém refere, foi preciso trabalhar muito e fazer face a muitos obstáculos de carácter política para poder mudar a face do País em apenas 10 anos. Hoje é fácil não recordar ou esquecer que em 1985 ainda havia ncionalizações irreversíveis, que quase todos os sectores estratégicos estavam vedados à iniciativa privada (banca, seguros, energia, transportes públicos, comunicação social, etc.). A rede de estradas tinha a configuração dos anos 60, a auto-estrada Lisboa-Porto, iniciada em 1961, ia pouco mais além de Vila Franca de Xira e só era retomada próximo do Porto; os IP, hoje tão criticados, não existiam nem em projecto - a viagem para qualquer cidade do Nordeste ou da Beira Alta demorava praticamente um dia. Como se vê é fácil dizer hoje que se fez pouco... A experiência do Prof. Cavaco Silva, que soube o que era ter de governar com fortes resistências institucionais, será seguramente uma mais-valia para cooperar com qualquer Governo, no sentido de dar o impulso essencial para o nosso País sair do impasse em que se encontra.

10:58 da tarde  
Anonymous ADR said...

Tenhamos FÉ.
Infelizmente uma grande parte da Juventude anda arredada da vida política e pelas razões que todos conhecem, mas uma outra mais consciente e atenta vive na esperança que homens com dignidade e capacidade como o Prf Cavaco Silva assumam uma posição mais interventiva e activa. É a sua esperança para um futuro digno.
Este é o meu sentir.

1:36 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Não tirando mérito a toda a obra de Cavaco Silva, não esqueçamos a "ajudinha" que ele teve com os fundos comunitários, vindos da nossa adesão à CEE, liderada por Mário Soares.
Em termos de créditos pela evolução do país, nenhum deixa a desejar ao outro.

5:12 da tarde  
Blogger Paulo Trezentos said...

Um pouco sebastiânico de mais, não?
Cavaco Silva dará certamente um contributo precioso mas não decisivo.
Quer queiramos, quer não, mesmo como modelo para os mais novos ou "farol" de valores e práticas, o impacto do PR é menor que em 75.
Só tem tempo de antena se medalhar os U2.

O próximo PR vai ter uma importância decisiva na medida em que quando se está como nós estamos a nível económico e social, tudo tem uma importância decisiva e definitiva.
O PR, o 1ºMinistro e o Presidente da Junta de Freguesia.
O que faz falta é todos acreditarmos no que expressaste: como colectivo (desculpem, continuo com o jargão do post anterior sobre o sporting) sabermos e querermos trabalhar para criar um Portugal do século XXI.

Eu tenho para mim que Portugal vai dar um pulo mal passe os 35/40 anos da revolução de 74. Por essa altura, e como Cavaco Silva bem o disse, os recursos humanos da Adm.Pública e empresas sociabilizados na cultura pré-74 estarão mortos ou reformados. Esperemos que aconteça o segundo caso - porque há humanistas a ler este blog - mas se acontecer o primeiro caso, a saúde financeira da Seg. Social agradece.

12:24 da manhã  

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