domingo, março 13, 2005

Experiência Reveladora

Conheci duas pessoas. Altas, bonitas… esquerdistas. Começaram a falar do 11 de Março e chegaram onde queriam: 11 de Setembro. Para quê? Para dizer “bem feito”. Bom, comecei a dizer que não era bem assim. Não tive sucesso. A explicação sobre o radicalismo islâmico, as nuances da estratégia, a evidência dos factos - nada disto as demoveu. Então, num acesso de raiva, lancei uma mentira:
- Mas eu estava lá, porra!!!
Meus caros, sabem qual foi o resultado? Aquela mentira, que nasceu do meu desespero argumentativo, abriu os corações das minhas interlocutoras. De repente, os meus factos e as minhas análises já faziam sentido. Estavam legitimadas pela minha dor. Nesta óptica, apenas as vítimas directas do 11/9 podem condenar o atentado. Mas, claro, sempre pela via emocional e afirmativa e nunca pela via racional e argumentativa. Como todas as épocas excessivamente democráticas, o nosso tempo despreza as ideias e que adora emoções. Não quer debate racional mas sim comunhões moralistas.

3 Comments:

Blogger Joana said...

A questão não é condenar... apenas tenho tanta pena das vitimas e familiares das vitimas do 11/9 (que por acaso, de psicologos a apoios financeiros não lhes falta nada...), como das vítimas do ataque (terrorista) ao Iraque (que já agora, nem tratamento médico decente recebem)...

5:51 da tarde  
Blogger kjsbnkjsnkslnlsk said...

O conceito de "época excessivamente democrática" escapa-me, meu caro, mas os efeitos da mesma por ti descritos, já kundera classificava: O "Kitsh da grande marcha". Um abraço e a promessa de futuras polémicas cibernéticas.

Victor Hertizel

10:30 da tarde  
Blogger kjsbnkjsnkslnlsk said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

10:30 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home