quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Não à carteira Weetabix!










Vpv e o camarada Henrique confluíram na denúncia do novo “cartão do cidadão” como o instrumento opressivo de um Estado policial vigilante. Devo dizer que por muito que aprecie ambos os argumentos liberais, não partilho este alarmismo.
Tendo a ser optimista e a acreditar que compilação não significa partilha e vigilância. Tenho fé na fiabilidade do sistema de compartimentação de informação acredito no acesso escrutinado a esta. Não tenho qualquer objecção a que a minha informação pessoal seja compilada por duas simples razões: ela já existe em poder do Estado e a compilação só me irá facilitar a vida.
Uma das grandes idiossincrasias portuguesas é o facto da nossa carteira mais parecer uma sandes de coiratos: obesa, pesada, cansada, gasta.
A nossa identificação pessoal vem do tempo em que o pedido de identificação pelo agente da autoridade era feito pela frase “deixe-me ver os seus papéis”. Porque é isso que nós carregamos na carteira, papeis, não documentos. “Documentos” é uma expressão demasiado civilizada para o volume grosso de processos burocráticos que carregamos no bolso. A limpeza de uma carteira exige a atenção científica de um arquivista e/ou um bibliotecário.
Já o disse aqui uma vez (algures nos arquivos), o meu Bilhete de Identidade, ao longo dos tempos, só meu fez passar vergonhas internacionais. Lembrei-me agora de outra: quando fui a Haia ver o Milosevic a dormitar e presenciei o meu B.I a ser enxovalhado pelos olhares jocosos dos seguranças enquanto na mesa repousavam as reluzentes identificações de verdadeiros cidadãos comunitários. Aliás, quem é que nunca passou pelo desespero de, em dia de eleições saber lá onde é que está a porra de um cartão de eleitor feito de cartolina?
Por isso, caros detractores do “cartão do cidadão”, permitam-me que desta fez fique do outro lado da barricada. Só assim não vou ter de explicar a curiosos olhares femininos que aquele alto nas minhas calças não é a erecção da quase-extinta espécie “pénis cabeça de martelo” (marterlus caput penisculorum) .

3 Comments:

Blogger AA said...

pena não poder responder agora-agora :)

4:11 da tarde  
Blogger Francisco Proença de Carvalho said...

Apoiado Gonçalo!

Ainda não entendi o porquê de tanto choque em relação a esta medida. Qual é a diferença de em vez de se ter vários cartões, passar a ter toda a informação normal de um cidadão (BI, contribuinte, n.º de eleitor...), num só cartão?
Não vislumbro qualquer atentado contra a minha liberdade, ao contrário do que acontece, por exemplo, com o descontrolo das escutas telefónicas.
Obviamente que esta não será a medida essencial, mas o país e a nossa carteira precisam de simplificação, desburocratização.
A verdade é que parece que ninguém tem interesse nisso...

5:08 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Amigo Curado,

és o maior a escrever Posts...nem sabes as vezes que eu imagino o que as mulheres pensam quando ponho a minha carteira no bolso da frente..

Abraço

Ganhão

2:58 da tarde  

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