domingo, março 13, 2005

As mulheres têm de ser boas

Novo governo. Nova ladainha feminista. As jornalistas de TV, francamente irritadas, comentaram, com desdém, o facto de o novo executivo só ter duas ministras (menos fontes, não é?). E depois? Esta mentalidade de “quota” causa um certo asco. Bem viscoso e interior nasalmente. Coloca-se as identidades geneticamente atribuídas (género, raça) à frente do mérito individual e, logo, meta-identitário. Minhas caras, não há ministras porque não há mulheres a pensar política. Gerou-se, algures, um cliché. E o cliché assenta no seguinte: quando um grupo de homens começa a falar de política, as mulheres desse mesmo grupo mudam o tema da conversa (fazendo chantagem com armas de outra índole…) para temas artísticos. Minhas caras: a arte até pode estar pendurada no gabinete, mas não é a chave para o esse mesmo gabinete. Se querem entrar na política, têm de ser capazes politicamente. Ser mulher de sensibilidade artística não chega. Se querem entrar na política, têm de saber quem foi Maquiavel ou Macmillan, saber o que é a PAC e perceber que MAD não é um insulto. Picasso pode ser interessante, mas só pintou “Guernica”. Em política, interessa saber aquilo que originou o bombardeamento. Mas quando a conversa entra por aqui, as mulheres vão ao cabeleireiro ou à exposição pós-moderna mais próxima. Thatcher não ia ao cabelereiro. O cabeleireiro vinha até Thatcher.

2 Comments:

Blogger mummy said...

Primeiro estranhei não ter um mar (tormentoso) de comentários femininos.
Depois percebi. Todas as mulheres que visitam este blog mandam ir o cabeleireiro a casa.
Já agora, quando é a sua próxima ida ao barbeiro?

3:24 da tarde  
Blogger tijulia said...

Meu caro,
Não me parece que a arte seja refúgio de conversas feministas. Como deve saber, para “ver” um quadro, como Guernica, não é preciso saber que Guernica foi destruída em 1937 por aviões nazis. Aliás, se olharmos com olhos de ver para o quadro, mais facilmente o consideramos uma obra religiosa. Mas na arte, como na política, para conhecermos temos de estudar e ler, e para se discutir com qualidade temos que saber mais que o nosso “adversário”.
Concluindo: pode criticar as mulheres por não se dedicarem à discussão e ao estudo da política (o que também me parece muito generalista) e quererem entrar política.
Não pode é falar da ida a uma exposição de arte como se fosse uma ida ao Jardim Zoológico e, por isso, considerar a arte um tema “menor”. Porque, tal como qualquer tema, pode levar-nos a sítios e descobertas muito interessantes.

5:58 da tarde  

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