sábado, junho 11, 2005

Ainda a mutilação

1. No ano passado, um projecto de lei que visava criminalizar a mutilação genital feminina foi bloqueado na assembleia de uma democracia europeia. Qual? A mui cortês democracia portuguesa. Argumentos? Essa lei poderia ofender certas culturas, pois existem uma séria de complexidades sócio-culturais que devem ser estudadas.

2. Eu pergunto: o que há para estudar aqui? Os pais cortam as carnes íntimas das suas filhas. É muito simples. Não há complexidade nenhuma. Há alturas em que ser-se sofisticado é um atestado de estupidez. É razoável que um João Rodrigues ou José Joaquim corte a sua filha? Não. Então, por que razão é razoável admitir que alguém com um apelido africano faça o mesmo? Não é isto uma espécie de racismo condescendente?

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Não estás a inventar um bocado? Isso aconteceu mesmo? Quem é que bloqueou a lei? A extrema-esquerda que dominava o parlamento um ano atrás? A mim parece-me que é só wishfull thinking. Refiro-me ao manifesto desejo teu de ver manifestações do sistema político correcto-hermenêutico-relativista-pós-
moderno-esquerdistó-nazi em praticamente tudo o que mexe. O que aconteceu foi: o CDS-PP propôs que a mutilação passasse a ser crime específico; e o PSD não aceitou, argumentando que a prática já era condenada pela lei. O PCP e o BE (e não sei se o PS), aparentemente, queriam era mais medidas além das propostas pelo PP.

9:48 da tarde  
Blogger Henrique Raposo said...

- Mas, meu caro, o politicamente correcto, infelizmente, não é monopólio da extrema esquerda. É de muita gente precisamente por ser "politicamente correcto".

- Dois exemplos de que tenho memória: Odete Santos e Luísa Portugal não concordavam com a coisa.

- Quem me peda

11:11 da tarde  

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