quinta-feira, julho 21, 2005

Simplesmente essencial

Rui 100% Ramos volta a atacar:

Na crítica aos funcionários como uma “classe privilegiada” ecoam curiosamente os argumentos outrora usados contra a nobreza e o clero da antiga monarquia. Não é um eco despropositado. Os actuais e os antigos privilegiados têm em comum o facto de serem classes que vivem de um rendimento extraído pelo poder público, e justificado por uma ideologia de “serviço”: militar e “espiritual” num caso, “social” no outro. Os funcionários prestam serviços úteis? Sem dúvida, tal como a nobreza e o clero, de acordo com os padrões do seu tempo. Mas resta saber se o desempenho por funcionários públicos será, em todos os casos, a maneira mais eficiente de dispor desses serviços. A verdade é que, ao contemplarmos o actual Estado português, não estamos perante uma empresa de serviços, mas uma experimentação social em grande escala. Não esperem, por isso, que emagreça pacificamente, nem que faça bem o que não foi feito para fazer. E não se admirem que, como a antiga nobreza e o clero, os funcionários resistam à extinção dos seus privilégios.

1 Comments:

Blogger Paulo Trezentos said...

Privilégios.
Em qualquer organização, pública ou privada, o que pesa mais nos Custos de Exploração numa DR são os Recursos Humanos (RH).
Após Revolução Industrial, os custos dos meios de produção industrial (máquinas de produção de rolhas, máquinas de produção de moldes,...) ou de disponibilizaçáo de serviços (aluguer de instalações, telecomunicações,...) são triviais comparando com os custos de recursos humanos.
A primeira tendência do estado é, como qualquer empresa em difilculdades, cortar onde doi: nos RH.
Não tenhamos ilusões quando começarmos a cortar nos privilégios dos RH dos estado: não só estamos a cortar no empregado da fazenda publica que não tem mais para onde ir e para os quais menos 10% do salário é "igual ao litro" por falta de alternativas, mas estamos também a cortar nos professores de engenharia ou direito administrativo das universidades públicas.
E em muitas categorias do estado em que a qualidade tem de se pagar. E bem.

O grande problema é que nós não conseguimos admitir que o estado tem de conseguir e poder despedir pessoas.
Se uma pessoa é má empregada, no estado, tem de ir para a rua. E acabou.
Se reparmaros bem, com uma cunha de um vizinho, em 10 minutos entra-se para uma função que dura 35 anos. E gasta-se centenas de milhares sem fazer nada pela AP.


IMHO a via não é o corte de privilégios mas a selecção.
A "sangria" da AP vai levar a que os bons e poucos quadros da AP se mudem para o sector privado. E, quer queiramos, quer não, a Finlândia ou Suécia são o que são porque têm uma boa AP.
Sem uma boa AP, o sector privado náo vinga.

BTW, vamos a ver o que o próximo ministro das finanças tem a dizer, mas temo que o rigor orçamental vá de férias para a praia dos tomates.

PS - estou a ver que a silly season chegou ao Sinedrio com 3 posts em 6 dias. Enfim, tudo a banhos como o resto do país.

3:17 da manhã  

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