sábado, outubro 22, 2005

Perder

Tenho mau perder. Desde pequeno. Uma virtude genética. Perder num jogo de balizas pequenas era uma tragédia. Lágrimas, uivos, relva na boca. Um caso de psiquitaria. Em vez do divã, tratamento de choque caseiro sob a égide de Nosso Senhor de Coubertin: “Perder e ganhar, etc...” Tretas.

A minha dor: coroas de louros que iam, altivas, adornar cabeças que não a minha, de todas a mais merecedora de glórias.

O meu mau perder era testado amiúde, como se Deus me quisesse dizer alguma coisa. Eu estava surdo de ambição e cólera. Resistia à divindade, às evidências e à civilização.

Quando temos dez anos, perder é uma violação. Com aquela idade, lidar bem com a derrota não é sinal de maturidade, é sintoma de anemia espiritual, de um enfezamento da vontade comum em futuros escritores e outros degenerados. Quando o negócio é a derrota continuo a ter dez anos.

Perder, nem a feijões. Aliás, se preciso fosse provar a nossa natureza agonística que melhor prova do que os jogos a feijões, a botões, a caricas? Ganhar, ganhar, como dizia Paulo Futre. Outro maníaco, Baudelaire, escreveu que “a vida só possui um verdadeiro fascínio: o do jogo”.
Que se lixe o fair-play! Quando se trata de ganhar, vale tudo. Até, em último recurso, jogar limpo.

3 Comments:

Blogger Pedro said...

O que é o Sinédrio, o que é a Direita Liberal?
Um abraço.

11:30 da tarde  
Blogger Pedro said...

Ah, os sinédrios já sei o que eram, conselhos de governação Judaicos. Mas, a direita liberal ainda não. Aborrecido. Maçador. Uma chatice ninguém me saber explicar, ainda por cima com projectos sub-répticos ambicionando governar.

11:33 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Vou acusá-lo de plágio.
Este é o discurso que ouço sempre que entro no balneário do Chelsea.

5:41 da tarde  

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