Para os puristas, politólogos, historiadores, um título destes é um atentado ao pensamento, um autêntico crime! Peço desculpa! Permitam-me tamanho atrevimento, mas não ambiciono ser mais do que um activista do senso comum...
Afinal, o que é que andamos todos aqui a discutir? O que é que move blogs da denominada direita ou de uma tal de esquerda? Para que serviram então as fervorosas polémicas entre Acidentais e Barnabés que nos divertiram no passado? Para que servem páginas e páginas de palavras apregoando a derrota da esquerda moderna? Para que servem discursos inflamados apelando ao fim das perigosas políticas de direita? Eu próprio me questiono: “então não foste sempre um indivíduo de direita?”
Há muito que as cartas estão na mesa: As doutrinas políticas de ambos os lados foram elaboradas e colocadas em prática. Nenhuma se revelou perfeita. Aliás, as tentativas de concretização à letra (ou quase) das ideologias de direita/esquerda, deixaram (e ainda deixam) uma marca de injustiças e abusos que mancham o percurso histórico da humanidade. Mas, nos países desenvolvidos ou com ambições de desenvolvimento, tudo isso é história. Onde é que está a esquerda/direita na Inglaterra de Blair? Foi Aznar um líder marcadamente de direita? Lula da Silva aplica as políticas que defendia nos tempos de sindicalista? O espírito de Mao Tse-tung ainda domina a China?
Na verdade, nestes casos de sucesso ou bem encaminhados, a dicotomia que alimenta muitas das nossas discussões, deixou de existir. Seguem-se políticas pragmáticas, ou seja, tendo em vista o progresso e o bem-estar, aplicam-se as soluções que se revelem mais adequadas, deixando para trás todos os complexos de esquerda/direita. É este o caminho do futuro, são os pragmáticos que decidirão eleições, são os líderes conscientes desta realidade que ficarão na história por boas razões.
Penso que o Pragmatismo já começa a entrar em Portugal: É José Sócrates um 1.º Ministro socialista? Será Cavaco Silva um Presidente de direita? Aliás, diga-se, os eleitores que elegeram José Sócrates foram precisamente os mesmos que votaram em Cavaco. São estes eleitores que decidem e que decidirão cada vez mais eleições no futuro – os pragmáticos! Não auguro grande futuro para os partidos que insistem repetidamente na demonização da esquerda ou da direita. No momento de votar, os eleitores que decidem, estão-se (e bem) absolutamente nas tintas para isso.
Assim, aproveito para deixar, humildemente, um conselho aos liberais: se querem ser bem sucedidos, devem deixar para trás a conversa da treta – “ a direita isto, a esquerda aquilo”; devem dar um novo nome às interessantes “Noites à Direita” (proponho Noites Liberais); devem deixar de teorizar sobre a perfeição da direita e a imperfeição da esquerda. A meu ver, só assim poderemos ambicionar deixar de ser “marginais” e chegar ao poder.
O passado foi dos de esquerda e dos de direita, o futuro é, claramente, dos pragmáticos.