
Parte da minha manhã de Domingo foi dedicada a ler a entrevista de Pedro Santana Lopes à Única. Gostei! Foi um bom entretenimento para aquelas manhãs de preguiça dominical.
Encontramos as várias facetas de Santana:
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Pedro o Conquistador, que cresceu no seio de uma família numerosa e remediada, que frequentou a escola oficial de bairro, que trabalhou arduamente para pagar o seu 1º automóvel e para ajudar a família (apenas comendo duas sandes de ovo mexido e um pacote de leite com chocolate), que lutou nos meandros da política para chegar ao topo;
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Pedro o Católico, que foi catequista e acólito, que fez a 1ª comunhão, o crisma, a comunhão solene, a perseverança e que frequentava assiduamente o seminário;
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Pedro o Bonus pater familias, pai de cinco filhos, que ajuda nos trabalhos de casa, que, apesar do mísero ordenado que recebe como Presidente de Câmara, se esforça para lhes poder oferecer as melhores condições possíveis;
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Pedro o Anti-Social, que não tem paciência para cínicos, queques, copos de leite, paparazzi e grandes ajuntamentos de gente (leia-se festas e discotecas);
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Pedro o Ingénuo, que por essa razão participou no programa “Cadeira do Poder” na SIC e que não tem “killer instinct”;
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Pedro o Supersticioso, que acredita em números da sorte (7 e 34) e em pulseiras mágicas;
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Pedro o Pobrezinho, que não tem casa e carro próprio e que é despegado de coisas materiais;
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Pedro o Museólogo, que em jovem ia todos os dias a museus, elaborando relatórios sobre os mesmos de modo a acrescentar 5$00 à semanada;
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Pedro o “enfant terrible”, crítico dos líderes, sincero e corajoso que diz sempre o que tem a dizer e que recusa cargos quando discorda das opções do partido/governo;
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Pedro o “Livro Aberto”, que prefere mil vezes sair à frente de toda a gente e beber um copo com os amigos do que andar escondido à tarde em hotéis com portas fechadas;
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Pedro o Soarista;
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Pedro o Injustiçado, que sofreu um golpe de Estado constitucional, que não tinha margem de erro no governo, que é vítima dos mais variados boatos (festas em São Bento, falta de pontualidade em encontros de Estado, que passa cheques sem cobertura, que não paga a renda, que faltou a um jantar de Estado para dormir uma sesta ...);
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Pedro o Resistente, que foi gravemente ferido em combate, mas que não morreu politicamente.
Nota-se que Santana faz sempre um esforço para construir a imagem de homem com um percurso de vida que lhe confira o carisma, a vivência e o sofrimento ideal para ser um verdadeiro líder.
Pessoalmente, simpatizo com Santana Lopes. Será, com certeza, um homem porreiro para tomar um copo, ir ver um jogo de futebol e até, sendo uma pessoa inteligente, para falar de coisas sérias.
Mas, a meu ver, para se ser um verdadeiro líder é preciso muito mais. Deve-se, pelo menos, saber transmitir confiança, ponderação, serenidade e até ser-se um pouco previsível. Além disso, deve-se saber rodear pelas pessoas certas. Definitivamente, Santana não possui aquelas características e muito menos se sabe assessorar.
Santana quer ser tudo e o que normalmente acontece às pessoas que querem ser tudo, é que acabam por não ser nada .
“Esperem por mim!” diz Santana .
Esperaremos...