quarta-feira, dezembro 28, 2005

Bean


Ontem, descobri que o meu cão é socialista, pós-moderno ou romântico: não gosta muito de liberais. Facto que deixa a minha costela liberal um pouco receosa.

Grande Adolfo, devo-te, no mínimo, um jantar. Pela boleia e pelo… susto.

Grande abraço,

terça-feira, dezembro 27, 2005

Ainda acredita no Pai Natal

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Grandes lidos em 2005, VIII

Por aquilo que representa: um hino à liberdade; um hino à liberdade cantado por quem nunca leu uma linha. Um hino ao direito natural, à ideia de que existe mesmo um chão comum de dignidade a montante de todo e qualquer homem, de toda e qualquer cultura.

Ou o sexo – ou a ausência dele – como arma da dignidade moral.

Ou uma das maiores ferroadas na muralha relativista da esquerda reaccionária.


PS: Não, Francisco. Não me enganei. Queria mesmo acabar esta série no Sinédrio.

Grandes lidos em 2005, VII

1. Himmelfarb - a mãe Kristol - devolve dignidade à Razão, depois de décadas de sevícias impostas a essa mesma Razão pelo irracionalismo pós-moderno.

2. Afirma-se, e bem, que não houve apenas um Iluminismo. Existiram diversas escolas iluministas. Himmelfarb analisa o Iluminismo francês, americano e britânico.

Terrorismo, um offspring da Esquerda?

As declarações de Ribeiro e Castro sobre a correlação entre o terrorismo contemporâneo e a Esquerda têm suscitado as mais diversas reacções. Umas ridículas, outras teoricamente estruturadas e até gaffes eleitorais.
A realidade é que o terrorismo que inaugurou o século XX, pela mão de Gavrilo Princip, é indiscutivelmente de Esquerda. Da mesma forma, a grande parte de todos os actos de terror do século passado tiveram a sua base ideológica à Esquerda. Mas, daí a afirmar que o terrorismo contemporâneo é filho da Esquerda, vai um longo caminho que advinha falácia histórica.
Sim, o terrorismo islâmico contemporâneo adoptou a base funcional e ideológica do terrorismo de Esquerda europeu do século XX. Sim, o fenómeno terrorista que assolou a Europa e o Mundo na segunda metade do século passado foi, maioritariamente de Esquerda. Sim, lá para terras gaulesas existiu em tempos um regime político apelidado de “Terror” que concedeu ao terrorismo uma entidade nominal e uma inspiração para o extremo e violento exercício político. O Henrique será, decerto, capaz de compilar uma extensa lista bibliográfica que comprove estes factos.
Mas a falácia de Ribeiro e Castro encontra-se escondida na sua própria frase: “o terrorismo contemporâneo”. Na realidade, não há uma barreira cronológica ou um facto paradigmático que isole algo como o “terrorismo contemporâneo”. O uso político do Terror na idade contemporânea é constituído por práticas e bases ideológicas empilhadas pela experiência e pelos resultados. O seu berço é feito da experiência e suas repercussões políticas. O Terror é, assim, um fenómeno gradual sem limites cronológicos. Algo que extravasa no tempo, a própria dicotomia Esquerda-Direita.
A sua natureza ou infância não é de Esquerda, mas minoritária. Minoritária face ao consenso político, minoritária face à potência ocupante ou invasora, minoritária face à nacionalidade dominante, etc.
O Terror, de Esquerda, de Direita, feudal ou proto-histórico passa, simplesmente, pelo recurso de uma minoria a acções de violência para frisar objectivos políticos.
E até alguém conseguir provar que no colete de pele do Viriato estava um cartão de militante da LUAR, essa continuará a ser o berço do terrorismo. A minoria.
Agora, que partilho com Ribeiro e Castro a preocupação pela adaptação iconoclasta de genocidas com figuras da Esquerda pop, isso partilho.

Boxing Day

Enquanto os jogadores do campeonato português descansam da "exigência e dureza" da competição, inclusivamente o largo contingente brasileiro que vai passar umas semaninhas de Verão à sua terra, o campeonato inglês continua e jogar-se-ão 4 jogos em 9 dias.
Feriado em todos os países Commonwealth, as origens do "Boxing Day" - dia 26 de Dezembro - são algo incertas, mas a ideia principal é a de que é o dia para pensar e para fazer algo pelos menos afortunados: dinheiro, roupa, comida, ferramentas,etc... eram colocados em caixas e distribuídas por pobres, empregados e camponeses.
PS: Liedson, vê se voltas antes de Fevereiro!

domingo, dezembro 25, 2005

2ª boa razão para ligar a televisão no dia 25 de Dezembro

Cinema Paraíso, na RTP2. Presentemente entre os 3 melhores filmes que já vi.

Sentido de Estado

Foi tão bom ver o nosso PM em Cabul para o Natal, como ver na televisão a sua mensagem de Boas Festas. Depois do ridículo do ano passado, é bom regressar a um PM com pose e sentido de Estado. Independentemente do posicionamento ideológico, a representação do Estado deve ser feita com a elegância da sobriedade formal.

Uma boa razão para ligar a televisão no dia 25 de Dezembro

Natal voyer

A certa altura, estavam 3 Maria Filomena Mónicas debaixo da árvore.

sábado, dezembro 24, 2005

Natal marroquino

A cada natal, Portugal revela o seu problema central. Qual é? É simples e tem dois componentes: (1) um português consome tanto como 3 americanos, mas (2) são precisos três portugueses para produzir tanto como um marroquino.

Temos de decidir. Queremos ter hábitos marroquinos ou bolsas americanas? As duas coisas juntas não funcionam.

Portugal precisa mesmo de um novo Sinédrio…

Feliz Natal para a Comunidade Sinédria

Para todos os camaradas Sinédrios, para os fellow bloggers e para os nossos distintos leitores, aqui ficam os votos de um Feliz Natal!

A minha wish-list para este Natal está curta:

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Desenhos a giz



Feliz Natal!



A todos os camaradas Sinédrios e a todos os nossos estimáveis leitores, desejo um Natal muito feliz!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Leitura Recomendada

Sérgio Figueiredo, «O Refém Constitucional», Jornal de Negócios, 21 Dezembro.

E que tal escrever um postzito de vez em quando?

Grande Henrique,

Ainda te lembras de um blog chamado O Sinédrio?
Vou soletrar: O S I N E D R I O

No Acidental exigem exclusividade, ou podes dar uma ajudinha esporádica a este humilde blog de amadores? :)

Um abraço

Atingimos a "maioridade democrática"

Após os dez debates (10) presidenciais (ou terão sido governamentais?), onde se debateram assuntos do calibre, por exemplo, da "água", o país está muito mais esclarecido e confortado. Diria mesmo, descansado. O Natal fará outro sentido e o mês de Janeiro trará consigo eventos da importância de uma campanha eleitoral para a Presidência da República. Serão arruadas atrás de arruadas, mercados atrás de mercados, ranchos atrás de ranchos. Uma ou outra alusão ao fascismo e ao Tarrafal, e ainda mais uma pitada de "só eu é que posso e sei galvanizar os portugueses!!". Voltaremos a ver nos écrans gestores de sucesso da craveira de um Fernando Gomes, provavelmente teremos o prazer de rever Armando Vara, ou ainda ex-secretários de Estado como o mítico Narciso Miranda. É o reencontro das elites nacionais em volta dos seus protectores.
Enfim, coisas novas e modernas que se passam num sítio "novo e moderno" lá para os lados das Europas, na segunda metade da primeira década do séc.XXI. Leram bem: XXI.
Se não os podes vencer, junta-te a eles.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

A prova que faltava

Passaram-se quase 24 horas sobre o debate de ontem, e Joana Amaral Dias, Medeiros Ferreira e companhia ainda não bajularam o desempenho extraordinário do seu candidato a todos os níveis possíveis e imaginários: teórico, prático, filosófico, cultural, moral, político, educacional, sociolágico, humano e do ponto de vista da cidadania global (conceito que Soares tem conhecimento único e profundo).
Perante tanto tempo de inacção daqueles camaradas, pelos vistos não deve estar fácil arranjar argumentos para justificar tão brilhante desempenho.

A vitória é dele

















Eu bem sei quem ganhou ontem o debate.
Obrigado Rogério.

terça-feira, dezembro 20, 2005

"ele"




“ele” foi talvez a expressão mais utilizada pelo Dr. Mário Soares no debate de hoje. E digo “ele” com letra pequena, porque para o Dr. Soares “ele” deve ser apenas um indivíduo qualquer de uma terrinha perdida algures no Algarve chamada Boliqueime. Penso que mesmo que assim fosse, talvez merecesse um pouco mais de respeito, mas enfim... Por acaso, esse tal de “ele” a que o Dr. Soares se refere com algum desdém, nasceu, de facto, em Boliqueime, mas, apesar das dificuldades de uma vida que se tem que construir de baixo para cima, foi trabalhador-estudante, formou-se, doutorou-se na Universidade de York em Inglaterra (sem ser “honoris causa”), foi ministro das finanças, foi 1.ºMinistro durante 10 anos, duas vezes eleito com maioria absoluta e, ainda que candidato derrotado na eleição presidencial de há 10 anos, conseguiu obter aproximadamente 46% dos votos dos portugueses. Apesar de naturalmente ter deixado muita coisa por fazer num país que não tinha nada quando "ele" chegou; apesar de ter cometido erros (como qualquer ser humano), o balanço final dos seus mandatos foi, sem dúvida, muito positivo e Portugal conheceu um desenvolvimento muito relevante aos mais diversos níveis. Arrisco-me a dizer que “ele” foi o melhor 1.º Ministro dos nossos 31 anos de democracia. Mas enfim...Para o Dr. Soares “ele” é uma espécie de iletrado que ainda por cima abre a boca para comer bolo rei.
A forma como o Dr. Soares se refere aos vários “eles” de Portugal, leva-me a pensar que o ex presidente da república, acha que nós, meros cidadãos portugueses, a maior parte esforçados trabalhadores, honestos cumpridores dos nossos deveres, estamos vários furos abaixo da sua pessoa.
Provavelmente, é o facto de se considerar (ou, pelo menos, parecer) o “ELE” de Portugal que leva o Dr. Soares a querer regressar ao estatuto de 1ª figura da nação. Era desnecessário. Eu, como a generalidade dos portugueses, tinha-lhe e tenho-lhe muito respeito e admiração, pelo que, agradecíamos que não se esforçasse mais em fazer com que alguns de nós percamos essa impressão.

Quanto ao debate, sinteticamente, não há a menor dúvida que "ele" ganhou e "ELE" perdeu.

Leitura Recomendada

Tony Blair, Blair defends UK’s presidency of EU, Financial Times.

António Borges, Blair, o europeu , Diário Económico.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

26 de Dezembro de 2004



Fará um ano na próxima Segunda-feira que um Tsunami provocado por um terramoto no Oceano Índico fez mais de 220.000 vítimas distribuídas por 16 países diferentes.

O sismo, o mais violento registado desde 1960, deslocou as placas tectónicas cerca de 15 metros, originando um tsunami que atravessou o Oceano Índico e causou destruição nas zonas costeiras da África oriental.

Embora eu só tenha chegado à Índia 3 meses após o desastre, as suas consequências estavam ainda bem presentes na realidade do dia-a-dia daquele país. Uma pessoa que pertencia à organização onde eu trabalhei esteve responsável pela recuperação de 3 vilas numa das zonas mais afectadas de todo o território indiano.
Das várias histórias que ele me contou houve duas de que eu me recordo particularmente bem. Primeiro, verificaram que em aldeias situadas a apenas 2 ou 3 km de distância a diferença no número de vítimas era gigantesca. A explicação é a existência ou não de palmeiras entre a praia e as casas. Tendo chegado à conclusão de que o número de vítimas poderia ser muito mais baixo, ou mais elevado caso não existissem nenhumas palmeiras, as autoridades indianas estão a criar uma barreira natural de palmeiras junto às praias e a reconstruir todas as casas depois dessa barreira.
A segunda história, que não me surpreendeu nada mas que não me deixou de causar arrepios, foi a influência do sinistro sistema de castas na distribuição da ajuda humanitária, nomeadamente comida, àgua e remédios. Os "dalits", os mais em baixo da hierarquia e que nem se considera uma casta, tiveram apenas direito às sobras, ou seja, praticamente nada. Exactamente nas mesmas zonas houve pessoas que receberam uma assistência completa, enquanto outras morriam de sede, fome e doença porque outros seres humanos (indianos responsáveis pela distribuição da ajuda) tinham a ideia pré-concebida que eles eram seres inferiores. Desumanidade é apenas humanidade sobre pressão.

O carro de todos nós

O candidato Louçã anda a percorrer o país com um carro que o parlamento europeu colocou à disposição do eurodeputado Miguel Portas. Ainda bem que isto se passa na candidatura do BE, perdão de Louçã, se fosse noutra qualquer haveria grandes manchetes a denunciar o uso abusivo de um carro de serviço para outros fins. Parece que afinal a União Europeia também tem o seu lado positivo!

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Os valores básicos da Ordem e da Justiça na Política Mundial

Wheeler investiga até que ponto os estados reconheceram a intervenção humanitária como uma excepção legítima às regras de soberania, não-intervenção a não-uso da força.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Relações Internacionais Nº8

Está hoje nas bancas a RI nº8, a revista trimestral do IPRI.
O lançamento será na livraria Almedina, no Saldanha, e terá um debate entre Manuela Franco, Salgado de Matos e Manuel Ennes Ferreira sobre os trinta anos de descolonização africana.
A não perder.
Ps: Mais uma vez, alguns membros do Sinédrio colaboram com a revista.

TGV

“Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!”

Cesário Verde, O sentimento dum ocidental

Daqui a 10 anos o extremo ocidental da Europa deixará de estar tão longe do centro. Esperemos que esta aproximação não seja feita apenas num sentido, favorecendo exclusivamente a fuga, mas que se exerça um fenómeno de atracção mútua, coisa que nos tempos de Cesário Verde não acontecia.

terça-feira, dezembro 13, 2005

Frágil - 15 Dezembro - 23h

Jovem, se tens uma idade entre a do Dinis Maria e a do Mário Soares, vem à Festa do Acidental dar um pé de dança ao som de música da boa e das melhores aulas de Isaiah Berlin e de Oakeshott.
É já no dia 15 de Dezembro, no histórico Frágil.
A entrada é aberta a liberais, conservadores, liberais conservadores, reaccionários, gajos de esquerda, gajos dos comments, frequentadores do Lidl, do Abrupto, do Gallery, da Buchholz, da Brasileira e da blogosfera em geral.ou,Sim, nós sabemos: acabou de sair de mais um jantar deprimente com os seus colegas de escritório e não sabe se há-de ir para casa acabar de ler o livro da Maria Filomena Mónica ou se há-de se ir ao Black Tie com o Júlio das fotocópias. Nós propomos uma terceira hipótese, que no fundo é uma mistura das duas primeiras: uma festa do Acidental no Frágil. Uma festarola plural e animada onde poderá esquecer tudo o que disse uma hora antes aos seus chefes, já com duas garrafas de Casal Garcia em cima.
A música estará a cargo de um trio de djs acidentais, que já deu provas noutras ocasiões ao serviço dos Quase Famosos: Eduardo Nogueira Pinto, Francisco Mendes da Silva e Nuno Costa Santos. Não haverá crucifixos nas paredes e mais uma vez se provará que as mulheres de direita são as mais bonitas e inteligentes de Portugal. O Pai Natal, as renas e o Friedrich August Von Hayek já reservaram mesas separadas. Garcia Pereira não vai poder estar presente, por se encontrar em acção de campanha.
Estão todos convidados.

Declaração de candidatutra às eleições para a Presidência da República de Carmelinda Pereira


"Uma candidatura socialista para defender a democracia e todas as conquistas do 25 de Abril.

A situação do nosso país é verdadeiramente dramática, como está expresso em particular nos incêndios dos últimos anos.
Nesta situação, e estando colocada ao povo português a questão da eleição de um novo Presidente da República, a Comissão Nacional do POUS considera ser sua responsabilidade tomar a seguinte posição.

Por maiores que sejam os problemas de um povo e de uma nação, em democracia é sempre possível encontrar uma saída positiva para a situação.
No entanto, se as bases da democracia têm estado a ser sistematicamente minadas e atropeladas, é essa possibilidade de uma saída positiva para a situação dramática de Portugal que está a ser comprometida.
É por isso que assumimos a responsabilidade de afirmar que o problema essencial que está colocado a todos nós é a destruição da democracia. Esta é, em primeiro lugar, o respeito pelo mandato do povo.

Ninguém pode negar que o povo português expressou de forma inequívoca, nas eleições legislativas de há seis meses, uma profunda vontade de ver mudado o rumo político que tem levado o país à destruição.
Está esta vontade – expressa em milhões de votos – a ser respeitada?

De facto, estão a esfumar-se todas as esperanças e a imensa expectativa de milhões de portugueses e portuguesas que se mobilizaram, nas eleições de 20 de Fevereiro, para mudar o rumo dos acontecimentos do país, dando uma maioria absoluta ao PS e impondo a maior derrota de sempre ao PSD e CDS-PP, cujo Governo de coligação procurou aplicar até ao fim a política da União Europeia.
Tornou-se hoje um lugar-comum ouvir dizer: “Mas, afinal, para que serviu o nosso voto?”
Ninguém esperava milagres. Ninguém esperava que, de um dia para o outro, se operasse uma mudança radical da vida do nosso país. Mas os milhões de portugueses que votaram no PS tinham a esperança de ver o Governo assumir uma orientação que rompesse com o ciclo de destruição do país, do seu tecido económico e social, com base numa governação com o povo e para o povo.
Em vez dessa mudança de orientação, aquilo a que todos assistimos é ao acentuar da aplicação em Portugal das políticas ditadas pela União Europeia – políticas contra o povo trabalhador, contra o eleitorado socialista, contra o próprio PS.
Não é isto um atropelo completo às regras do jogo democrático? Perante quem deve responder um Governo democraticamente eleito: ao povo que o elegeu, ou à Comissão Europeia – atrás da qual se escudam o capital financeiro e as grandes multinacionais?
E este atropelo tão grave à democracia está a ser feito para quê?
Para melhorar a vida do país? Não, para o levar ainda mais para o fundo, ao ponto de muitos daqueles que sempre defenderam o respeito pelas ordens da União Europeia e que estão comprometidos com ela virem agora dizer que se caminha para o abismo e que é preciso uma mudança de regime.
Que mudança de regime? Será a formalização da ditadura das instituições de Bruxelas, revendo mais uma vez a Constituição da República portuguesa para lhe retirar as conquistas de Abril que nela ainda estão inscritas? Mas, este quadro totalitário tem sido rejeitado pelos povos da Europa, como o afirmaram categoricamente os povos francês e holandês no referendo à sua “Constituição”!
Este processo de resistência e rejeição constitui a base para uma saída positiva também para o povo português.

Portugal tem um lugar e um papel a desempenhar no mundo, e nomeadamente na Europa. O povo português tem um património de riqueza material, de conhecimento científico e tecnológico, de cultura humanística, para partilhar com os outros povos da Europa e do resto do mundo.
Esse é o nosso lugar na civilização. Um lugar que só pode ser ocupado no quadro da democracia, da união livre de povos e nações soberanas.
Este é o caminho que o povo português procurou abrir com a revolução do 25 de Abril de 1974, e que a política da União Europeia tem destruído, ano após ano, governo após governo.
É o caminho que milhões de trabalhadores procuraram retomar quando, através do seu voto nas últimas legislativas, rejeitaram as consequências das políticas levadas a cabo pelos sucessivos governos ao serviço de Bruxelas.

Um Governo apoiado nestas aspirações do povo, que medidas deve tomar? Só podem ser medidas de uma verdadeira política socialista:
- Parar com o processo de privatizações, levando o Estado a reapropriar-se do controlo bancário e dos sectores estratégicos da vida económica, para poder lançar um plano de desenvolvimento da produção agrícola e industrial;
- Parar com o processo de falências e de encerramento de empresas;
- Revogar as leis que atacam os direitos adquiridos dos trabalhadores da Função Pública (nomeadamente a idade para atingir a reforma), defender a Segurança Social e todos os serviços públicos, acabando nomeadamente com a gestão empresarial dos hospitais públicos;
- Revogar o Código do Trabalho e a lei contra os partidos políticos;
- Parar com as políticas de descentralização/regionalização, destinadas a desmembrar a República democrática que construímos na mais velha nação da Europa.

E qual deve ser o papel de um Presidente da República nesta situação?
Um Presidente da República, agindo em defesa das aspirações e dos interesses do povo, deve assumir a defesa total da democracia, da soberania da Assembleia da República face às instituições da UE, e do primado da Constituição portuguesa sobre qualquer directiva ou orientação vindas de Bruxelas. Deve respeitar a vontade popular, tornando-se num ponto de apoio para a constituição de um Governo que leve à prática estas medidas, rompendo com o ciclo de destruição do país.

A Comissão Nacional do POUS constata que nenhum dos candidatos que se apresentou, até agora, às eleições para a Presidência da República assumiu esta postura. Todos – de forma explícita ou camuflada – aceitam a subordinação à União Europeia, isto é, à continuação da destruição do nosso país.

É por isso que a Comissão Nacional do POUS decidiu apoiar a apresentação da candidatura de Carmelinda Pereira às eleições para a Presidência da República – uma candidatura socialista para defender a democracia e todas as conquistas do 25 de Abril."


Parece inacreditável, mas eles ainda andam aí! Cuidado!

segunda-feira, dezembro 12, 2005

O velho Soares vs O novo Soares

O velho Soares saberia, habilmente, retirar aproveitamento político de uma agressão.
O novo Soares chama "atrasado mental" ao agressor.

sábado, dezembro 10, 2005

Agradeçam-lhe!


Todos os benfiquistas lhe devem uma palavra de agradecimento. Num par de anos consegui minar a cabeça de Alex Ferguson, aquele que era considerado, até Carlos Queirós aterrar em Manchester, um dos melhores treinadores da actualidade.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Parabéns Dr. Mário Soares!



O Dr. Mário Soares fez 81 anos. Portanto, primeiro que tudo, muitos parabéns!
Há um ano estava num jantar de homenagem, rodeado por umas centenas de ilustres convidados a comemorar as suas 80 primaveras e a anunciar uma retirada em glória da política. Aplaudido de pé, elogiado pela generalidade dos opinion makers, querido e respeitado pela grande maioria dos portugueses. Por incrível que pareça, hoje, passados apenas 365 dias, está pleno de energia em campanha pelo país, procurando chegar a um terceiro mandato presidencial. Tem aproximadamente 10% das intenções de voto dos portugueses, é criticado por uma grande parte da opinião esclarecida e, por vezes, infelizmente, até ridicularizado por muitos cidadãos. As voltas que a vida dá! De facto, a vida dá muitas voltas e eu entendo perfeitamente que, por alguma razão, o que somos hoje, poderemos não ser amanhã. Nada de mal nisso.
No entanto, será que a vida de Soares deu assim tantas voltas para justificar uma mudança tão radical na sua posição?
É o próprio a enumerar as suas razões: que se candidata perante a "mudança da realidade" e o "agravamento terrível" da situação do país.
Sinceramente, fiquei surpreendido (mais uma vez) com esta justificação de Mário Soares.
Se bem me lembro, há um ano, no “longínquo” tempo em que Soares anunciava oficialmente o seu abandono da política activa, o país tinha acabado de assistir à queda de um governo chefiado por Santana Lopes que durou, salvo erro, mais ou menos, quatro meses. Portanto, o país encontrava-se numa grave situação económica, sem governo, descrente, sem confiança e sem rumo. Neste cenário, Soares abandonava a política.
Hoje, o país tem uma situação política estável suportada por uma maioria absoluta do PS, tem um governo que, bem ou mal, parece ter uma estratégia definida, tem um 1.º Ministro corajoso e demonstrando determinação em fazer cumprir o seu programa. Ainda falta muito para vivermos tempos de prosperidade, mas penso que, ainda assim, podemos estar bastante mais descansados do que no ano passado.
Portanto, a não ser que Soares partilhe (que é o que parece) da mesma opinião de Santana Lopes (manifestada há umas semanas no Expresso) de que a situação do país está muito pior hoje do que no seu tempo, é no mínimo estranha a justificação que dá para a sua candidatura repentina.
Como se sentirão o PS e Sócrates quando o candidato presidencial em que têm empenhado os seus maiores esforços, considera que o país estava melhor sem governo, do que com o actual?
Dá que pensar...
O que vale é que temos todos memória curta. Ou, se calhar, nem todos!

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Eu avisei!

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Duelo de Gigantes










Eu acredito!

terça-feira, dezembro 06, 2005

DC Confidential

Num país em que tudo é secreto até que um bufo dê com a língua nos dentes, em vez das coisas virem à estampa pelos tramites normais e civilizados (falo de Portugal, claro), realce-se o exemplo dado pela Grã-Bretanha no passado mês de Novembro, quando o seu ex-embaixador em Washington (1997-2003), Christopher Meyer, publicou as memórias sobre esse mesmo período. Devo dizer que não foi nada meigo com o seu próprio Governo, apenas dois anos depois de ter deixado o cargo.
Não tenho lido nada que indique uma grande crispação em Downing Street ou no Foreign Office, o que só prova que se convive bem com as críticas, mesmo quando elas possam implicar perdas eleitorais, descrédito político ou melindre pessoal. Isto, sim, é democracia. Isto, sim, é pluralismo. Também não é por acaso que Maria Filomena Mónica se apresenta como uma anglófona.

Ainda MFM

Confesso que li Bilhete de Identidade no fim-de-semana imediatamente a seguir a ter saído. Por motivos de trabalho ainda não escrevi nada sobre ele. Devo dizer que gostei bastante. Sobretudo pelo desassombramento com que retrata uma época, um estilo de vida social muito próprio, um percurso pessoal não singular, mas por certo não massificado à época.
Por outro lado, reconheço pessoas, sítios e estilos. Não por experiência própria, pois ainda não era nascido, mas por vivência familiar. Percebo a intenção de Maria Filomena Mónica ao escrevê-lo. Percebo ainda mais que quem sempre viveu no meio dos livros se torne quase imperioso revelar-se por meio deles.
Tenho lido algumas críticas na imprensa. Duas delas - Pedro Lomba e Pedro Mexia - referiam-se à intromissão na privacidade alheia sem pudor pela mesma. Confesso que não senti isso. Nada me chocou e acho até que estava à espera de mais. Louvo o espírito arrojado de Maria Filomena Mónica num país que, em 2005, ainda convive mal com a sua memória e tende a ser estruturalmente contido quando fala de si. Desempoeiremo-nos então!

Ps: Sintomático da fraca tradição autobiográfica nacional, é o facto de na blogosfera e imprensa não se falar de mais nenhum livro a não ser este. Que venham mais, é o que se pede.

MFM


Depois da biografia de Eça de Queiroz, que tem antecedentes familiares parecidos com os da biógrafa, como a própria só agora veio a descobrir, Maria Filomena Mónica volta a surpreender relatando desta feita a sua própria vida. Mais do que um retrato da sua cama, como muitos o têm chamado, o livro revela a história de uma mulher sempre dividida entre dois mundos diferentes num período de grandes mutações na sociedade portuguesa. As contradições entre a sua origem social e as do grupo em que cresceu, a forte presença da mãe e o apagamento do pai, marcaram de forma indelével o percurso de alguém que julgava ter construído o seu próprio caminho de maneira completamente independente. A vontade da mãe, de que a filha convivesse com a elite económica e social do seu tempo, fez com que Filomena tenha procurado depois dar-se com a elite intelectual. Embora diferentes, são ambos dois tipos de snobeira. No livro, tirando os seus antepassados, não há gente comum. Ou se fala nas grandes famílias de Lisboa, Cascais e Estoril e mesmo de Espanha, ou dos intelectuais e artistas da sua geração. Tudo o resto é paisagem. Faltam ali pessoas sem apelido. MFM conseguiu, tal como a sua mãe, entrar num mundo que à partida, dada a sua educação, não era o seu, tendo nisso todo o mérito. No entanto, MFM parece não ter conseguido livrar-se completamente dos ensinamentos da mãe que ela tanto se gaba ter combatido. Ao legendar uma fotografia do baptizado do seu filho identifica todos os retratados e acrescenta um título nobiliárquico revelando desse modo que o seu filho é bisneto de uma baronesa. Este é pois mais do que um bilhete de identidade, é um retrato de um país e um grito de alguém que tinha de deitar para fora todas as suas contradições, fragilidades e angústias. Um grande livro.

Táctico

Do debate de ontem, dificilmente se pode dizer que alguém tenha saído vencedor. Com Alegre e Cavaco Silva a jogarem em catenaccio houve, no entanto, um derrotado claro: Mário Soares.
Como consequência do estilo civilizado e explicativo de ontem, quando os debates Soares/Alegre e Soares/Cavaco tomarem um carácter mais agressivo e “sujo”, o cidadão comum vai depreender que esse só poderá ser consequência de uma propensão de Mário Soares para o confronto intempestivo.

Ainda assim, de ontem surgiu uma novidade: os bonitos olhos de Manuel Alegre contra aquele fundo azul!
Pretty eyes....

Iraque

Enquanto a Al-Qaeda continua a dar tiros no pé, tais como os recentes atentados na Jordânia ou o rapto de dois diplomatas marroquinos no Iraque, deteriorando assim a sua imagem junto do Mundo Árabe, a questão do momento é até quando as tropas norte-americanas devem permanecer no Iraque?
A meu ver, as principais razões que justificam - ou que são utilizadas para justificar - uma retirada imediata são as seguintes:
- o custo de manter tamanho exército;
- o facto de que a presença de tropas estrangeiras é por si só um factor causador de instabilidade e de violência ;
- a possibilidade das forças de segurança iraquianas desempenharem as actuais funções das tropas estrangeiras;
- demasiados erros foram já cometidos, tais como o desmantelamento das forças de segurança iraquianas ou o tratamento que as tropas norte-americanas concederam aos seus prisioneiros – é espantoso como é que Donald Rumsfeld ainda não foi despedido!

Mas também existem vários argumentos contra uma retirada precipitada:
- constituiria uma vitória do terrorismo de dimensões semelhantes ás dos atentados de 11 de Março de 2004 em Madrid, que se revelaram factor decisivo nas opções de voto dos cidadãos de uma Democracia; a vitória da violência e da chantagem;
- é errado pensar que uma retirada funcionará como factor apaziguador do terrorismo, pois os jihadistas lutam também com o objectivo da criação de um Califado ou para manter a supremacia da minoria Sunita (são os Sunitas que alimentam financeiramente a insurgência);
- se se estabelecem comparações com o Vietname, há uma que se pode fazer: o colapso do Vietname do Sul resultou em 2 milhões de refugiados e 65,000 execuções;
- as forças de segurança iraquianas ainda não estão prontas para desempenhar as funções das super-preparadas e super-equipadas tropas americanas e britânicas, no que terá de ser necessariamente um processo gradual;
- a participação Sunita no referendum de Novembro para a nova Constituição foi bastante boa, o que deixa antever uma boa participação nas fundamentais eleições de Dezembro;
- As consequências do colapso do Estado Iraquiano, tal como a possibilidade de uma guerra civil, seriam gravíssimas: instabilidade de toda a região, o inevitável envolvimento (directo ou não) do Irão, subida dos preços do petróleo, deterioração da imagem dos EUA, e consequentemente do Ocidente, junto do Mundo Árabe, etc…;
- deve ser o evoluir da situação a estabelecer o prazo de retirada e não o contrário.
Embora o apoio do povo norte-americano à guerra no Iraque seja cada vez menor, apenas um quinto dos americanos é a favor de uma retirada imediata. Em termos de política interna norte-americana, fala-se inclusivamente de uma estratégia republicana no sentido de tentar responsabilizar os democratas por uma futura retirada, embora as próximas eleições presidencias só em 2008.
Não deve fazer parte da mesma posição discordar da guerra do Iraque e concordar com uma retirada imediata.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Pelo sim, pelo não, mais vale debaixo do colchão


Quando vejo o Prof. Louçã a falar com tanto ódio dos banqueiros, quase me convenço que ele guarda as suas economias debaixo do colchão.
É capaz de ser mais seguro...






Infelizmente não sou banqueiro. Mas se fosse, cada vez que o Prof. Louçã viesse pedir crédito, eu dava-lhe um

de preferência ortopédico, pode ser que tenha um juro melhor.

Por uma questão de bom-senso

Segundo Louçã, Sócrates parece resignado com a vitória do candidato da direita.
Eu vou mais longe: Sócrates reza todos os dias para que seja Cavaco Silva a ganhar as eleições.

sábado, dezembro 03, 2005

Reflexos do Tempo


Mais uma fotografia roubada daqui.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Quem se segue a Michael Howard?

Na próxima 3ª feira, dia 6, David Cameron e David Davies disputarão a liderança do Partido Conservador. Serão 300 mil eleitores que, nesta ronda final, serão chamados a escolher entre um jovem e um repetido concorrente à liderança tory. Numa altura em que Blair vive um momento delicado - recorde-se a perda de 47 mandatos na última legislativa; a derrota do seu projecto lei sobre o período de prisão alargado para suspeitos de terrorismo, e um certo desconforto por não levar a bom porto a presidência da UE - e se avizinha uma possível passagem de testemunho para Brown, talvez mais cedo do que se esperaria, pode estar nesta eleição dos conservadores o próximo Primeiro-ministro britânico.
Tendo em conta que as sondagens dão como quase certa a vitória de Cameron - a quem já apelidaram de "Blameron" - e que as próximas legislativas serão em 2009, existe tempo suficiente para unir um partido fatigado por divisões internas mas ainda longe de ser alternativa sustentada a um Labour, que já vai acusando o desgaste de governação a caminho dos dez anos.
Para acompanhar com atenção.

Hino - Portugal Maior!


Aqui está o meu pequeno contributo para a campanha do Prof. Cavaco Silva.

"He speaks so well!"

Cada vez que ouço clamores públicos para me rejubilar pela “boa forma política” de Mário Soares aos 80-e-qualquer-coisa anos só me lembro de uma piada de Chris Rock sobre a possibilidade de Colin Powell vir a ser Presidente:


Colin Powell can't be president. Get the.. you know how I can tell Colin Powell can't be president? Whenever Colin Powell on the news white people always give him the same compliments.
Always the same compliments. 'How do you feel about Colin Powell?' 'He speaks so well'. 'He's so well spoken!' 'He speaks so well, I mean he really speaks well', 'He speaks so well'. Like that's a compliment. Speaks so well ain't a compliment, ok. Speaks so well's some shit you say about retarded people... that can talk. What do you mean he speaks well? What, did he have a stroke the other day? He's a fucking educated man, how the fuck you expect him to sound, you dirty motherfucka! What you talkin about, 'he speaks so well'. You talkin' about, 'he speaks so well'. What voice were you looking to come outta his mouth? What the fuck did you expect him to sound like? 'I'm a drop me a bomb today! I be Prez- O -dent!!'.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Wax on, Wax off

With all of the obituary notes that I see on the blog, I can't believe you all forgot this one. Yes, Rosa Parks and George Keenan are important. But come on. Let's pay tribute to Mr. Miyagi, aka Pat Morita, who passed away on Thanksgiving. The man who taught us all how to catch a fly with chopsticks and showed how cool it was for boys to have "Daniel-san" haircuts. Not to mention, bandanas.

Karen (Gonçalo's better half)

P.S. When are you going to welcome a woman into this blog?