quarta-feira, novembro 30, 2005

Rui

De toda a música que possuo, talvez 5% seja música portuguesa. Algum hip-hop, muito Madredeus e muitos clássicos dos 80 e 90 (Trovante, Xutos, Palma, Censurados, Heróis e até algum vinil curioso dos Joker ou dos Tarântula!). Mas há sempre um pequeno lugar para Rui Veloso. Porque me diz qualquer coisa, porque me recorda lugares e situações.
No fundo Rui Veloso é o último dos rockabillies puramente portugueses. É o último não diz não a uma boa travessa de conquilhas com vinho branco, que bebe Jack Daniels a partir do copo, que entra em qualquer jam session de camisa para dentro das calças e que teve o pudor máximo de começar a carreira de bigode.
Aí está ele na “Grafonola”. Porque gostos não podem ou devem ser monolíticos.

terça-feira, novembro 29, 2005

Para quando o desarmamento do Estado?

Mário Soares diz que "há privatizações a mais e que o Estado não pode ficar desarmado."
De facto, numa coisa o candidato presidencial acerta: o Estado continua armado e bem. E tem utilizado esse armamento pesado para interferir, desproporcionalmente, no normal jogo económico dos particulares. Facto esse que tem prejudicado em muito aqueles que, desarmados, consigo se têm que relacionar.
A história tem demonstrado que o Estado ao interferir com armamento pesado na sociedade e ao querer ser o seu protagonista principal, só se tem prejudicado a si mesmo e só tem prejudicado todos nós. Assim, se não sabe utilizar as armas que possui, mais vale andar desarmado.
Se, pelo contrário, alguém quiser armar o Estado ainda mais, faça o favor de votar no candidato apoiado pelo PS. Terá, com certeza, nele, um forte suporte para os seus anseios.

O Candidato Vieira



Mais vale uma candidatura assumidamente ridícula, do que outras disfarçadamente ridículas...

Auch...

Se para Pedro Mexia “o blogue é um prolongamento do pénis”, só posso deduzir que dada a sua recorrência em amputações a frio (1,2), Mexia caminha para a condição máxima de John Wayne Bobbitt da blogosfera nacional.

segunda-feira, novembro 28, 2005

A Espuma das Canções


É amanhã lançado o novo álbum de Rui Veloso que dá pelo nome de "A espuma das canções".
Já tive oportunidade de o ouvir e penso que nos apresenta a dupla Rui/Tê no seu melhor.
Trata-se de uma verdadeira mistura de estilos musicais: bolero, jazz, reggea, funky e as habituais grandes baladas, esplendorosamente interpretadas.
São 25 anos de carreira comemorados ao melhor nível.
Aos amantes de música fica o conselho: comprem e sintam este disco!

domingo, novembro 27, 2005

Já está no bom caminho...

Merkel quer laços mais fortes com pequenos países da U.E. e com os E.U.A.

É muito importante o eixo franco-alemão entender que há mais mundo para além do seu. E não é pouco ou irrelevante.

A brigada do despertador


Caro Daniel,

Tinha prometido ao neurónio que não escreveria hoje, mas o tamanho do seu comment merece uma resposta respeitosa.

1. Negri não cita Marcuse? Pois não. É esse um dos problemas dos actuais gurus do radicalismo: não citam as suas “fontes”. Tariq Ali não gosta de notas de rodapé. Chomsky rouba descaradamente tudo, desde Said a Wallerstein, e, depois, afirma as coisas como se fossem a “verdade revelada a um linguista”.

2. Parecem-me evidentes as semelhanças entre a “Multitude” de Negri e o desejo de Marcuse expresso no “One Dimensional Man”:

Debaixo da base popular reaccionária existe um substrato de revoltados e excluídos, os explorados e os perseguidos de outras raças e cores … existem à margem do processo democrático … e porque estão a começar a recusar fazer o jogo pode ser o sinal de que o início do fim deste período.

O que é a “Multitude” senão isto? A Multitude de Negri é Marcuse em jargão pós-moderno. O facto de Y não citar X, não me impede de comparar e dizer, sem pejo, que há influências de X em Y, sejam elas confessadas ou não. O risco da interpretação é meu. A pertinência da mesma será medida pelas reacções…

3. Em relação ao carácter despótico de Marcuse... Bom, as minhas palavras são chuvinha quando comparadas com esta enxurrada do maior especialista das ideias “marxistas”:

Podemos reduzir o trabalho de Marcuse a uma sociedade governada de forma despótica por um grupo de iluminados ou nos nossos dias, Marcuse é o filósofo que merece ser descrito como o ideólogo do obscurantismo. (Leszek Kolakowski).

4. V. fica espantado com o facto de alguém considerar Marcuse como totalitário? Bom, eu pensava que a História do século XX tinha desmascarado, em definitivo, o mecanismo das Utopias Totalitárias. Mas, a cada dia que passa, tenho a impressão que os homens são imunes às lições da História. Porquê? Porque andam sempre à procura da História que há-de vir quando deveriam prestar atenção à verdadeira História, aquela que já passou.
E o tal mecanismo das Utopias Totalitárias é este, meu caro Daniel: os piores (ou melhores…) totalitários são aqueles que, como Marcuse, proclamam uma Liberdade em abstracto. Uma LIBERDADE tão grande, um BEM tão excelso, que, na prática, implica a destruição dos outros, daqueles chatos que não concordam com esse Bem. O totalitário proclama o Bem do AMANHÃ enquanto mata, aqui, no PRESENTE. Sim, Marcuse era um totalitário. E dos bons.

5. Marcuse considerava o Direito que governa as democracias como “tolerância repressiva”. Até lhe digo mais: esta ideia de Marcuse passou para o Biopoder de Foucault e é, hoje, o tal Biopolítico de Negri (ou também acha que não há Foucault em Negri?). Marcuse, Foucault e Negri reduzem os sistemas demo-liberais a uma caricatura: o Poder engana as pessoas, criando uma ilusão de liberdade e de direitos que, na verdade, são mentiras, falsas consciências; um poder sedutor que tiraniza sem parecer que tiraniza; um poder difuso, que vem de dentro, do próprio corpo. Em suma, uma gigantesca teoria da conspiração. E quem é que vai desmascarar esta máquina de mentira? Quem é que vai ser o glorioso despertador das massas? Claro, os próprios: Marcuse, Foucault e, agora, Negri, a brigada do despertador. Não, muito obrigado. Já tenho um. E funciona bem. Toca todos os dias.

6. A dita e malvada tolerância repressiva foi colocada, por Marcuse, em oposição à redentora e verdadeira Tolerância, que não era mais do que intolerância repressiva sobre aqueles que não seguissem o ideal de libertação libidinoso de Marcuse. Marcuse queria formar uma espécie de brigada de estudantes, povos do terceiro mundo e minorias étnicas. Objectivo? Destruir o Ocidente e devolver o Eros à Humanidade. Sabe, Negri, no último livro, fala de Drag Queens como arma política contra o tal Poder... Que é isto senão Marcuse?

Mas esteja descansado, isto vai aparecer, algures, numa revista perto de si.

Um abraço,
HR

Posse


É bom olhar para a prateleira e ver este objecto de desejo transformado em objecto de posse ardente, quase fanática. Terei de encontrar quatro horas para esquecer o mundo e receber esta dádiva de Scorsese como ela merece ser recebida: em humilde genuflexão e de espírito vulnerável.
Lembro que a RTP passou este documentário pouco tempo depois de ser realizado mas, a bem das nossas almas, deveriam passá-lo todos os meses.

sábado, novembro 26, 2005

Para se perceber Negri...


sexta-feira, novembro 25, 2005

George Best

George Best morreu hoje. A história da lenda do Manchester United, onde foi campeão europeu, dividiu-se entre uma carreira gloriosa no futebol e uma vivência atribulada fora dos relvados, como o demonstra a frase que Best uma vez disse: "eu gastei muito dinheiro em bebida, mulheres e carros velozes - o resto limitei-me a desperdiçá-lo."

25 de Novembro

Na faculdade onde andei, o dia de hoje era um dia de luto para alguns professores e para outros tantos alunos. Tive a sorte de conhecer, coisa que pensava impossível, homens e mulheres que ainda hoje acreditam que teria sido viável e vantajoso transformar o sonho em que viveram entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro em realidade. Por estes dias organizavam colóquios, debates e ciclos de cinema onde falavam com saudade daqueles tempos maravilhosos. Não valia a pena contrariar, debater, ripostar. Por estes dias não valia a pena apelar a qualquer tipo de distanciamento histórico. Eram os dias em que aprendiamos, em aulas verdadeiramente prácticas, quais os erros que não deveríamos cometer ao analisarmos os fenómenos históricos. Obrigado.

Convém não esquecer...

Hoje é dia 25 de Novembro.

Revelação Sinédria


Em estreita cooperação com o PCP e o BE, o Sinedrio apresenta a imagem de uma aeronave que foi fotografada pelo meu irmão António a sobrevoar os céus de Beja. Há fortes indícios que estivesse ao serviço da CIA e que transportasse terroristas para uma prisão secreta algures em território lunar. Perante isto, é imperativo que o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Beja, o comunista Francisco dos Santos, vá prestar esclarecimentos ao parlamento sobre uma eventual cumplicidade deste executivo com mais uma prática terrorista por parte dos serviços secretos norte-americanos.

Se gostam de fotografia, sugiro aos nossos leitores que visitem o site onde o António revela um dos seus múltiplos talentos. Vale a pena! (palavra de irmão)

quinta-feira, novembro 24, 2005

Na Mouche

A Sexualidade Católica

Não entendo esta decisão da Igreja Católica em querer afastar os homossexuais do sacerdócio. Penso que era desnecessária. Achava que isso estava implícito no exercício da função de padre. Ou não é suposto um padre renunciar à pratica sexual, quer seja hetero, quer homo? Será que não faz mal que um padre seja heterosexual praticante?

Só uma pergunta:

O que é um “genocídio cultural”?

O termo encontra-se muito em textos multiculturalistas. Será um genocídio versão light? Podemos ser vítimas do dito e continuar vivos?

Não há falcões, nem pombas...Há líderes!


Para desencanto de muitos iluminados que sempre o apelidaram de falcão, monstro e outros nomes nada abonatórios, Ariel Sharon parece ser o líder que vai levar a paz ao médio oriente. Com a sua saída abrupta do Likud e a intenção de formar um novo partido livre de preconceitos e barreiras que dificultavam o processo de paz, Sharon dá mais um passo decisivo rumo a esse objectivo. Se o atingir, este homem será um herói. No entanto, duvido que venha a ser reconhecido como tal. Para os iluminados, herói será sempre aquele que sempre foi o maior entrave à paz - Yasser Arafat. Herói será sempre aquele que, não obstante a miséria do seu povo, morreu com as suas contas na Suiça recheadas - Yasser Arafat. Herói será sempre aquele que fomentou e tolerou grupos terroristas cujo único objectivo é matar por matar - Yasser Arafat.
A verdade é que Sharon nem nunca foi um falcão, nem nunca será uma pomba. É um líder! Tem sabido interpretar cada momento histórico e actuar de acordo com a realidade. Utilizou a força quando essa foi essencial para a defesa do seu povo e fomenta a paz quando essa é essencial para a defesa do seu povo.
A história tem criado várias personagens míticas: desde guerrilheiros comunistas, até músicos drogados. Todos estes dão óptimos posters para colar nas paredes, disseram excelentes frases para estampar em t-shirts e deram óptimas caras para fazer panos para levar para a praia. No entanto, pouco ou nada contribuíram para a construção da humanidade.

Está na altura de valorizar aqueles que realmente fazem história .

quarta-feira, novembro 23, 2005

Camões ou o Dan Brown em audio-book?

Segundo Mario Soares "convém ter na Chefia do Estado alguém que conheça a História e a cultura do nosso país, alguém que conheça Os Lusíadas, o nosso poema máximo".
Achei esta afirmação de uma honestidade espantosa. Soares não teve qualquer pudor em esconder que em privado é capaz de dizer à minha geração que ainda é do tempo em que na escola tinha de declamar todas as linhas de caminhos de ferro e os rios perante a sombra vigilante da palmatória.
De resto, conhecer Os Lusíadas está longe de ser um pré-requisito presidencial. O que Soares poderia ter dito é que defesa do Português como língua de trabalho na União Europeia é essencial para a recusa de uma existência periférica enquanto que uma base cultural e histórica comum entre Estados Lusófonos poderá suportar links económicos e culturais e acrescido peso diplomático de mútuo benefício.
Mas não o disse, pelo contrário insistiu num elitismo ultrapassado que toma o alto-Estado como pertença de uns poucos iluminados que leram e apreciaram o simbolismo de Camilo Pessanha. Na realidade, em Janeiro, não iremos eleger o director do Instituto Camões (provavelmente cargo de confiança política pois nunca se sabe por que lentes ideológicas é que se pode ler Guerra Junqueiro). É absolutamente irrelevante se o futuro PR lê Camões ou se prefere ainda anda á procura do cromo do Cybertron para a caderneta da Panini dos Transformers e não estou minimamente interessado se o futuro PR prefere Liszt ou o Punjabi MC. O que realmente conta é se o futuro PR será um agente institucional activo na criação de circunstâncias sócio económicas que propiciem ao cidadão comum o ócio e as condições para ler Camões ou o Paulo Coelho comprado na área de serviço da auto-estrada.

terça-feira, novembro 22, 2005

Contrariando o dito "excepcionalismo" do Médio Oriente


Roger Owen é professor de História no Centro de Estudos de Médio Oriente da Universidade de Harvard

segunda-feira, novembro 21, 2005

A Censura Europeia


Que a generalidade da opinião pública europeia é anti-Bush, é um facto; que uma grande parte é, primariamente, anti-americana, também é claro.
No entanto, não poderia ser de outra forma. Não porque Bush não diga mais nada a não ser gaffes; não porque todos os americanos sejam uns gordos, incultos, que mal sabem onde fica o velho e histórico continente. Mas sim, porque rara é a notícia que vejamos sobre Bush que não tenha aquele comentário (mais ou menos explicíto) do tipo: "lá está aquele grunho a dizer baboseiras". Rara é a notícia que vejamos sobre hábitos da sociedade americana que não tenha o preconceito cultural europeu.
Quem tem oportunidade de contactar de perto com a cultura americana, entende que não é por acaso que eles são a única superpotência mundial nas mais diversas áreas (económica, política, militar, cultural, tecnológica, etc.). Quem tem oportunidade de ouvir George W Bush sem censura, entende que ele se calhar não é assim tão estúpido como nós gostaríamos que fosse.
Não peço aos senhores jornalistas que concordem com as opções de Bush, nem que sejam admiradores da cultura americana. Peço, apenas e só, um pouco de isenção. Ou não acreditam que a opinião pública europeia tenha capacidade para fazer os seus próprios e livres juízos?

Irracionalidades

O ministro da saúde veio recentemente mostrar a sua indignação pelo facto de existirem 59 médicos oftalmologistas no hospital dos Capuchos (afinal são “só” 24! mas para o caso não interessa, o que importa é que a mais ou a menos, a verdade é que não dão conta do serviço) existindo nesse mesmo hospital uma enorme lista de espera para consultas dessa especialidade, dando assim razão aqueles que defendem que antes de se tomarem medidas drásticas na função pública é necessário analisar quais os sectores e serviços com pessoas a mais e aqueles com funcionários a menos.
Um outro bom exemplo, de pólo oposto, da falta de racionalidade dos serviços públicos é o do serviço dos Bombeiros Sapadores de Lisboa que tem como finalidade apreciar todos os projectos de licenciamento de obras que dão entrada na Câmara Municipal de Lisboa. Qualquer projecto de ampliação, alteração ou construção nova, necessita do parecer dos bombeiros para questões relacionadas com a segurança contra incêndios. Qualquer um desses projectos é apresentado em pelo menos várias páginas, podendo, nos mais complexos, ocupar vários caixotes. Entram semanalmente na CML dezenas de projectos, desde o aumento do número de pisos até ao complexo comercial com milhares de metros quadrados de área. Sabem quantas pessoas ou equipas estão dedicadas à análise e estudo destes projectos? Uma engenheira coadjuvada por um bombeiro. Por muito capazes que sejam, é natural que lhes escapem alguns pormenores (a legislação anti-fogo vai até aos centímetros), pois tem prazos a cumprir e montes de processos para despachar. Ora aqui está um caso de produtividade levada ao extremo. Se um dia houver um grande incêndio em Lisboa não os venham culpar.

domingo, novembro 20, 2005

Romantismo do pior ou ainda há Esquerda?


Não conheço livro mais reaccionário, romântico e anti anti-iluminista.
Negri não é de Esquerda. Negri é um romântico da estirpe mais virulenta. Em comparação, Tönnies e Fichte são meninos da mamã. E ainda há gente que pensa que isto é o Capital do XXI. Se Empire é a Esquerda, faço só uma pergunta: Ainda há Esquerda?

sexta-feira, novembro 18, 2005

Já começa a ser habitual...

Sexta-Feira, dia de greve.
Porque será?

quarta-feira, novembro 16, 2005

Máscaras

A imagem pública de Mário Soares é a de um tio bonacheirão, um bon vivant, amante das artes e dos prazeres da vida, um anfitrião com quem desejaríamos passar um belo serão a comer umas outonais castanhas e a ouvir histórias de antanho. Cavaco Silva projecta uma imagem de gravidade, de austeridade de seminário, de professor de Latim, inflexível como as declinações. Há quem defenda que estas são descrições estereotipadas. Defende bem, mas as imagens existem e a consciência colectiva tem noção delas.

Então, o que há de errado com estes estereótipos? Bem, Soares não é o alegre conviva que as suas amigáveis bochechas fazem crer. É, todos o reconhecem, uma ave de rapina, um conhecedor profundo dos jogos políticos, o celebrado animal politico. A crispação desenhada no rosto severo de Cavaco também existe em Soares. Mais: Soares, não raras vezes, deixa que lhe chegue à epiderme uma espécie de azedume aristocrático, uma arrogância de putativo monarca inquestionável.

Por seu lado, Cavaco cultiva, porque não é um ingénuo, a imagem de tímido a quem uma espartana noção de dever empurra para as luzes da ribalta. O político malgré lui. O rigoroso professor de Finanças Públicas. Que ninguém conquista duas maiorias absolutas com amadorismos e que os governos de Cavaco não se distinguiram pela contenção da despesa pública são argumentos que podem pouco contra a precisão geométrica do queixo do Professor.

Nas próximas eleições vão estar em confronto a bonomia facial de Soares e a ética protestante inscrita na fisionomia de Cavaco. Seria bom para a Democracia que os eleitores ou, se preferirem, as audiências, elegessem um homem completo e complexo, com os seus defeitos e as suas virtudes. Creio, no entanto, que uma vez mais votaremos em máscaras. Confortemo-nos, pois, com a certeza que sempre foi assim.

Amor

Há, entre os intelectuais portugueses, pronto, talvez só em Vasco Pulido Valente e Maria Filomena Mónica, uma tradição que consiste em aplicar uma grelha oitocentista à actualidade.

Pelo muito que leram sobre a época, a realidade do país aparece-lhes como uma repetição de temas e tendências que nem a novidade dos rostos nem uma ou outra inovação tecnológica permitem disfarçar.

Olham para o Portugal de hoje através do monóculo de Eça e o que vêem é triste, aborrecido, deprimente, sempre igual. Concluem, com profundidade shakespeareana, que não há nada de novo. Na verdade, nem eles. Choldra, piolheira, um local mal frequentado, são o modo peculiar, de acento queirosiano, que estes intelectuais escolheram para demonstrar o afecto que nutrem por este país que, desgraçadamente, é o deles. Uma questão de estilo, nada mais.

O país-pântano repete-se. Tudo é previsível. Sabemos o que vai acontecer sem necessidade de áugures, de prestidigitadores, de Zandingas com ademanes de hipnotizador. Em vez de vísceras de animais, basta ler com a devida atenção Oliveira Martins, Eça de Queirós e saber quem foi e o que fez Fontes Pereira de Melo. Depois estabelecem-se correspondências, nem todas felizes, com os nossos dias, em que as figuras de hoje mais não são do que avatares de figuras do passado. Por fim, adopta-se aquela postura que denuncia um ligeiro enfado, uma azia existencial, um torpor da vontade provocado pelo excesso de lucidez.
Eça de Queirós, um realista de fundo melancólico, cultor de um estilo de romantismo céptico, forneceu o modelo. As nossas elites culturais, à excepção de esporádicos delírios de V Império, nunca mais conseguiram relacionar-se com o país, nunca mais conseguiram senti-lo sem aquele distanciamento, sem aquele muro de ironia e de sarcasmo que o amante constrói para se defender da coisa amada. Um amor difícil, portuguêsmente desconfiado mas, por isso mesmo, um verdadeiro e pungente amor.

Presidenciais

Quem passar pelos Restauradores e olhar para o antigo Teatro Éden, onde está a sede do MASP III, vai perceber que a descolagem de Soares face a Alegre vai mesmo ser feita com base na estrutura da campanha e na decorrente visibilidade do candidato.
A afabilidade e a proximidade pública de Soares são indiscutivelmente a premissa central da campanha soarista.
Desde os primeiros passos no Porto e em Coimbra que Soares conquistou a comunicação social.
Com pequenos toques vai obtendo maior projecção mediática e começa a impor-se como o candidato “amigável”, “familiar”. No entanto, esta estratégia só resulta circunstancialmente.
Quando se dá mais tempo a Soares descobrimos outro candidato, mais complexo, mais ideologizado. Foi o caso, por exemplo, da sua entrevista à TVI que deixou a imagem de um Soares combativo mas radical. Esse é um ponto central porque, no seu passado político, Soares esteve melhor quando foi um estratega pragmático, progressivamente livre de carga ideológica. Contra um backgroung ideológico, esta aparente afabilidade de Soares não o levará muito mais longe.
No presente momento económico e social a resposta à recorrente questão “Com qual dos dois candidatos preferia ir beber um copo?” só pode ser uma:

-“Com aquele que me peça desculpa e que me diga que vai ter de ficar a trabalhar até tarde”.

Aqui ficam os links para o Pulo do Lobo e para o blog do Mandatário Digital de Cavaco Silva.

Leituras: França e não só

An underclass rebellion”, The Economist
Europe Needs a New Identity”, Fareed Zakaria, Newsweek
On Assimilation and Economics, France Will Need New Models”, Philip Gordon, Brookings Institution
You shouldn't have to burn cars to get a better life - ask my Bolivian cleaning lady”, Nial Ferguson, The Telegraph
Europe Learns the Wrong Lessons”, Karl Zinsmeister, The American Enterprise
Bicultural Europe is doomed”, Mark Steyn, The Spectator

+

Crear una Identidad Iberoamericana”, Foreign Policy (Espanha)

Para desfazer os mitos de Huntington - Parte 2

“The rise of Islamist movements and the invocation of Islam as a justification of political action do not represent some general, trans-historical phenomena; they reflect particular forces within specific societies in the contemporary world. In other words, they are response to current problems, often of a social and political nature”.
Fred Halliday é professor de Relações Internacionais na London School of Economics.

segunda-feira, novembro 14, 2005

A Constituição

Quando o PCP assume como sua a constituição portuguesa, fica muita coisa explicada sobre o atraso de Portugal. Ou não? E também fica aberta a atitude que os não-comunistas (aqueles que não caminham para o socialismo) devem ter perante o documento. Ou não? E ainda bem que a esquerda tem necessidade de afirmar que a constituição é sua. É um sinal dos tempos.

Two turn tables and a microphone


Chega à “Grafonola do Sinédrio” Snoop Dogg com “Drop it like its hot”. Á parte do sucesso comercial da música o seu valor está indiscutivelmente no remastering.
Sem Pharrell Williams dos Neptunes esta seria uma tune inconsequente. E é aqui que está o maior défice do Hip-Hop português. Enquanto nos EUA um MC “cresce” ao lado de uma boa Technics SL 1200 MK5 usada, a gap socio-económica dita que o MC português se habitue a ser rodeado por 5 marmanjos no beat-box. O equivalente seria o Snoop Dogg a ser acompanhado por uns gajos a batucar em latas de Robilac. Ainda assim tendem a surgir algumas novidades e progressos: D-Mars, Melo D e especialmente Ace dos Mind Da Gap.
Fica aí “Cor de Laranja” a tocar.

Ultrapassar a crise

É preciso ultrapassar a crise.
Tal implica encontrar um enquadramento político – institucional que tem de envolver, obrigatoriamente os dois maiores partidos nacionais.
Tal realidade não é nova. A história de trinta anos de democracia contém exemplos e lições.
Em Setembro de 1975, Portugal enfrentava uma crise político – militar, bem como económica, num contexto ainda marcado pela indefinição do regime. Costa Gomes tinha demitido Vasco Gonçalves e convidado Pinheiro de Azevedo para formar o VI Governo provisório com a finalidade de constituir um executivo capaz de representar o equilíbrio político resultante das eleições de Abril de 1975. Este sufrágio determinou que PS e PPD representassem 64,25 por cento dos eleitores portugueses.
Na prática, foram precisamente estes dois partidos que integraram o elenco do VI Governo Provisório. Com esta solução conseguiu-se obter legitimidade e representatividade para ultrapassar a crise polítco – militar e conduzir Portugal à democracia.
Oito anos depois, o País encontrava-se outra vez face a uma crise profunda. Desta vez o problema mais premente era de carácter económico, sendo que a instabilidade política do novo regime não permitia solucioná-lo. Novamente, PS e PSD foram chamados para, em conjunto, fornecerem o quadro de legitimidade e representatividade que permitisse fazer um acordo com o FMI e concluir o processo que conduziria Portugal à Comunidades Económica Europeia (CEE).
Destes dois exemplos retira-se duas conclusões: confrontado com crises muito agudas, o sistema político tem sido capaz de gerar soluções; essa solução tem sido a do alargamento da base de representação social do poder político, o que implica que PS e PSD estejam do mesmo lado.
E agora?
Que estamos perante uma nova e gravíssima crise ninguém tem dúvidas. É preciso reformar o Estado para que as empresas portuguesas possam ser bem sucedidas na actual divisão internacional do trabalho.
Que resposta pode o sistema político português dar a esta necessidade?
Uma possibilidade passa por acordos de regime. Só que, como se tem visto, a competição eleitoral entre os partidos impede-a. Ao mesmo tempo a marca de alternância que tem caracterizado o regime tem impedido a formação de um novo bloco central.
Como conseguir então o alargamento de legitimidade e representatividade que possa amortecer os inevitáveis conflitos sociais que a reforma do Estado acarreta.A resposta passa, necessariamente, por uma nova convergência entre o PS e o PSD. E isto, no actual contexto e mantendo a característica do regime, implica a Presidência da Republica o Governo

sexta-feira, novembro 11, 2005

Marque já na sua agenda

NOITES À DIREITA**projecto liberal

António Borges e Daniel Bessa são os convidados principais de mais uma sessão das Noites à Direita*Projecto Liberal, com a moderação de António Pires de Lima. Uma semana depois da aprovação do Orçamento de Estado para 2006, vamos ouvir quem mais sabe da matéria. Mas não ficaremos por discussões técnicas, porque o que está em causa são as políticas e o futuro de Portugal.

Numa conversa aberta a todos, António Borges e Daniel Bessa serão convidados a debater o que está em causa para o presente e para o futuro económico e político do nosso País: até onde deve ir a intervenção do Estado na Economia, será que o modelo social está totalmente esgotado ou é ainda reformável, como é possível combater o défice e o desemprego, aumentando a produtividade, que reformas e privatizações são essenciais, ou qual é o papel de Portugal numa economia cada vez mais globalizada.

Dia 16 de Novembro, pelas 20h30, na Sociedade de Geografia, junto ao Coliseu de Lisboa.

Não Perca. Você é o nosso convidado principal.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Paternalismo multiculturalista

1.Não há pachorra. Chega um filme de um país cuja a designação acaba em “ão” e logo chovem os elogios: “É pá, tens de ver. Grande obra-prima representativa da semiótica do Kazaquistão”, ou coisa assim. Não conheço o cinema do Brunei. O multiculturalista também não. Mas antes de ver um hipotético filme do Brunei, o dito multiculturalista já está a dizer que sim com a cabeça, já está a inventar as frases elogiados de algo que ainda não viu. Quando me perguntam “então, não gostas do cinema do Irão?”, respondo: “Pois... não sei. Só conheço Kiarostami e Makhmalbaf”.

2. Quando se fala de multiculturalismo, costuma-se abordar a sua forma mais virulenta: o extremo relativismo moral que legitima comportamentos bárbaros em nome de uma legitimidade cultural sagrada. Mas, existe outra consequência do “ethos” romântico e reaccionário do multiculturalismo. É menos grave, mas não deixa de ser irritante: o paternalismo. O paternalismo que aceita qualquer objecto de uma cultura não ocidental sem qualquer análise séria. Devemos respeitar a outra cultura. Devemos estar abertos. Mas isso é um ponto de partida e não um ponto de chegada obrigatório. A validade de dado objecto deve ser demonstrada no verdadeiro estudo daquela cultura e daquele objecto. Não posso elogiar o colectivo “cinema iraniano”, pois só conheço o indivíduo Kiarostami.

3. Como é que podemos valorizar e aceitar de imediato um objecto que nos é completamente estranho? Devemos elogiar X só porque X é diferente? Elogiar sem uma análise realizada com tempo e respeito significa uma coisa: não se percebeu nada daquilo que se viu. Pior: faltou-se ao respeito ao dito outro. O seguinte pressuposto é um imperativo: todas as culturas devem ser respeitadas. Mas isto é um pressuposto e não um dado adquirido. Exigir que este pressuposto, como que num acto de fé, salte para uma conclusão absoluta, é um tremendo acto racista. É racismo porque se trata X com condescendência e não com respeito.

El Cid

Meus caros amigos, o Rei anda algo esquecido. Felizmente que nobres almas se ergueram apelando ao nosso espírito patriótico. O Rei tem estado ausente. Dizem que em parte incerta.
No entanto, ele parece estar em toda a parte. Que assim continue, Sua Majestade.

A República

Nélson Magalhães é o mais recente candidato a Belém. Tem pinta tuga, é emigrante e tem um programa muito à frente.
Talvez seja, também, pelo triste rol de personagens candidatas à chefia da República que sou cada vez mais monárquico.


ps: O pequeno texto por baixo da fotografia diz o seguinte:

«O Primeiro Emigrante português a candidatar-se à Presidência da Repùblica.
Compatriotas de todos os quadrantes de opiniâo e habitantes de todo o planeta, colaborem assinando e fazendo assinar aos vossos familiares e amigos a petiçâo por alguém que se propôe sêr nosso porta voz». [os erros não são da minha autoria]

Novas Políticas?

Hoje os sindicatos manifestam-se em Lisboa naquilo a que chamam uma jornada de luta para exigir novas políticas.
É curioso verificar que aqueles que são os "supremos guardiães" das velhas políticas, reclamem por novas políticas.
Já se mudava a cassete...

No dia em que se fizer uma manifestação para se exigir, verdadeiramente, novas políticas, eu estarei lá.

Al Qaeda queria explodir o Cristo-Rei em Almada

Documentos mantidos em sigilo pela Polícia Judiciária revelam que a Al Qaeda, organização terrorista de Osama Bin Laden, ordenou a execução de um atentado em Portugal. O alvo da acção seria a estátua do Cristo-Rei, localizada em Almada.

De acordo com informações obtidas hoje em Lisboa, a ordem de Bin Laden decorreu do ódio que o saudita nutre por símbolos monumentais católicos, que segundo ele representam “um símbolo da globalização dos infiéis”.
Demolidor de ídolos e iconoclasta como os talibãs que explodiram estátuas de Buda no Afeganistão, ele destacou dois mujahedins para o sequestro e uso de um avião que seria lançado contra a estátua “símbolo dos infiéis cristãos”.

Os registos da polícia Judiciária dão conta de que os dois terroristas chegaram ao Aeroporto Internacional da Portela em 4 de Setembro, Domingo, às 21h47m, no vôo da Air France procedente do Canadá, com escala em Londres.

A missão começou a sofrer embaraços já no desembarque, quando a bagagem dos muçulmanos foi extraviada. Após quase seis horas de peregrinação por diversos guichés e dificuldade de comunicação em virtude do Inglês fortemente marcado por sotaque árabe, os dois saem do aeroporto, aconselhados por funcionários da TAP a voltar no dia seguinte, com intérprete.

A Polícia Judiciária investiga a possibilidade de eles terem apanhado um táxi pirata na saída do aeroporto, pois o motorista percebeu que eram estrangeiros e rodou uma hora e meia dando voltas com eles pela cidade, até abandoná-los em lugar ermo do Casal Ventoso. Aí, acabaram por ser assaltados e espancados por um grupo de toxicodependentes desesperados.

Eles conseguiram ficar com alguns dólares que tinham escondido em cintos próprios para transportar dinheiro e apanharam boleia num camião que fazia distribuição de garrafas de gás.

Na segunda-feira, às 7h33m, graças ao treino de guerrilha que receberam nas cavernas do Afeganistão e nos campos minados da Somália, os dois terroristas conseguem chegar a um hotel do Estoril. Alugaram um carro na Avis e voltaram ao aeroporto, determinados a sequestrar um avião e atirá-lo bem no meio dos braços abertos do Cristo-Rei.

Enfrentam um congestionamento monstruoso na 2ª circular e ficam mais de 3 horas bloqueados no Campo Grande por causa de uma manifestação de estudantes e professores em greve, e na Av. Do Brasil são-lhes roubados os relógios por um gang da Zona J.

Às 12h30m, resolvem ir para o Centro da cidade e procuram uma casa de câmbio para trocar o pouco que sobrou de dólares. Recebem notas de 100 Euros falsas. Por fim, às 15h45m chegam ao aeroporto da Portela para sequestrar um avião. Os pilotos da TAP estão em greve por mais salário e menos horas de trabalho.

Os controladores de vôo também pararam (querem equiparação aos pilotos). O único avião na pista é da AIR PORTUGÁLIA, mas está sem combustível.
Tripulações e passageiros estão acantonados na sala de espera e nos corredores do aeroporto, gritando slogans contra o governo.
O Batalhão da POLÍCIA DE CHOQUE chega batendo em todos, inclusive nos terroristas.

Os árabes são conduzidos à Esquadra da PSP do aeroporto, acusados de tráfico de drogas, em face de flagrante forjado pelos próprios polícias, que “plantaram” papelotes de cocaína nos bolsos dos dois. Às 18 horas, aproveitando uma manifestação dos guardas prisionais clamando subsídio de risco, eles conseguem fugir da prisão no meio da confusão e do tiroteio das brigadas anti-motim da PSP que entretanto tinha sido destacada para o local pelo Ministro da Administração Interna.

Às 19h05m, os muçulmanos, ainda ensanguentados, dirigem-se ao balcão da TAP para comprar as passagens. Mas o funcionário que lhes vende os bilhetes omite a informação de que os voos da companhia estão suspensos por tempo indeterminado. Eles, então, discutem entre si: começam a ficar em dúvida se destruir Lisboa, no fim de contas, é um acto terrorista ou uma obra de caridade.

Às 23h30m, sujos e mortos de fome, decidem comer alguma coisa no restaurante do aeroporto. Pedem sandes de queijo com limonadas. Só na terça-feira, às 4h35m, conseguem recuperar-se da intoxicação alimentar de proporções equinas, decorrente da ingestão do queijo estragado usado nas sandes. Eles foram levados para o Hospital de Santa Maria, depois de terem esperado três horas para que a ambulância do INEM chegasse e percorresse diversos hospitais da rede pública até encontrar uma vaga. No HSM, foram atendidos por uma enfermeira feia e mal-humorada. Eles tiveram de esperar dois dias para serem examinados, por causa da cólera causada pela limonada feita com água contaminada por coliforme fecal.
Debilitados, só terão alta hospitalar no domingo.

Domingo, 18h20m: os homens de Bin Laden saem do hospital e chegam perto do estádio de Alvalade. O Benfica acabara de perder com o Sporting. A claque dos NO NAME BOYS confunde os terroristas com integrantes da JUVELEO e dá-lhes uma surra sem precedentes. O chefe da claque abusa sexualmente deles.

Às 19h45m, finalmente, são deixados em paz, com dores terríveis pelo corpo, em especial na área proctológica. Ao verem uma roullote de venda de bebida nas proximidades, decidem embriagar-se uma vez na vida e comer umas sandes de couratos (mesmo que seja pecado!).
Tomam um bagaço adulterado com metanol e precisam voltar ao Santa Maria. Os médicos também diagnosticam gonorreia.

Segunda-Feira, 23h42m: os dois terroristas fogem de Lisboa escondidos na traseira de um camião de electrodomésticos, assaltado horas depois na Serra da Musgueira. Desnorteados, famintos, sem poder andar ou sentar-se, eles são levados por uma carrinha de Apoio aos Sem Abrigo, organização ligada aos direitos humanos para a área metropolitana de Lisboa. Viajam deitados de lado. Na capital novamente, deambulam o dia todo à cata de comida e por volta das 20 horas acabam adormecendo debaixo da marquise de uma loja na Rua do Coliseu, no centro. A Polícia Judiciária não revelou o hospital onde os dois foram desta vez internados em estado grave, depois de espancados quase até à morte por um grupo de SKINHEADS.

Sabe-se que a Polícia Judiciária deixou de se preocupar e vigiar estes membros da Al Qaeda por considerar que as suas intenções foram desvanecidas e já não constituem qualquer tipo de perigo à integridade nacional, e até os está a ajudar, tentando encontrar uma organização humanitária que lhes possa dar apoio para o regresso ao Afeganistão, isto tudo a pedido dos mesmos.


RAQUEL FREITAS

(Recebido por e-mail. Não sei quem é a Raquel, mas este texto tem piada)

quarta-feira, novembro 09, 2005

Nem tudo está mal em Portugal




Post para fazer subir, pelo menos, as audiências...















Liliana Queiroz, portuguesa, Miss Playboy Latina

terça-feira, novembro 08, 2005

Burocracias: o selo branco

Necessito de cópias dumas escrituras antigas arquivadas na Câmara Municipal de Lisboa. Faço um telefonema para as relações públicas da Câmara dizendo o que pretendendo e perguntando onde me devo dirigir. Após várias tentativas falhadas e depois de passar por vários departamentos é me indicado que tenho de falar para um outro número pois esse departamento é noutro edifício, noutra zona da cidade. Falo para esse número, confirmo que é ai que se encontra a documentação e peço a morada. Chego ao local onde estão os documentos, é um dos vários arquivos da Câmara espalhados pela cidade. Dirijo-me ao segurança e digo ao que venho. Pede-me uma identificação e o preenchimento de um papel. Passo à sala de consulta. Peço para consultar o livro de escrituras número tal. Enquanto o vão buscar pedem-me para preencher duas fichas, a primeira por ser a primeira vez que utilizo o serviço, onde devo colocar os meus dados pessoais (nome, morada, contactos etc), a segunda com o pedido propriamente dito onde volto a colocar os dados pessoais. Depois de consultada a documentação peço para tirar fotocópias aos documentos. É me dado mais um formulário com o pedido de fotocópias onde mais uma vez me pedem os dados que já escrevi 3 vezes. Pergunto então se podem ser fotocópias autenticadas. Resposta: para fotocópias autenticadas é necessário outro formulário com esse pedido. Peço esse formulário. Resposta: não temos. Para pedir fotocópias autenticadas tem de se dirigir ao notariado privativo da Câmara porque lá é que têm o selo branco, aí preenche o pedido que nos será depois enviado e nós depois enviaremos a documentação para lá. Atenção, isto não é ficção. É verdade. Pergunto então a morada do notariado. Passados dez minutos voltam com a morada. É me apresentada a conta das cópias simples. Pago com a moeda mais pequena que tenho. Não há troco, pedem-me para esperar. Espero mais 10 minutos, por fim lá vem o troco e o recibo de 15 cêntimos. Vou ao notariado, na outra ponta da cidade, preencho mais uns papéis e faço o meu pedido. O pedido será enviado para o arquivo e as cópias estarão prontas em três dias úteis. Na semana seguinte tenho aquilo que precisava, e não foi nada mal. Em vez dos 15 cêntimos paguei 20 euros pelas mesmas fotocópias. O que seria dos burocratas sem o selo branco?

De volta!


Aí estão eles de volta!
Da esquerda para a direita: Gonçalo Curado, Henrique Raposo, Francisco Proença de Carvalho e Tiago Moreira de Sá.
Fato de treino Rucanor, meia da raquete, sapato Camport e piadola atrás de piadola.
Já à venda!

O mais competente empresário do mundo


Apesar de pertencer ao grupo dos empresários de futebol, em relação ao qual não tenho a melhor das opiniões, e de ser dirigente de um clube que eu detesto profundamente, tenho de reconhecer que José Veiga é um grande vendedor.
Convencer clubes como Roma, Liverpool, Everton, Galatasaray, etc... a cometerem a loucura de contratarem um jogador - e sempre com contratos de 2 anos - que é tão feio como mau jogador de futebol (talvez mais feio do que mau jogador de futebol) é obra!

segunda-feira, novembro 07, 2005

O outro lado da História




Amin Maalouf conta a história das cruzadas baseando-se nos testemunhos dos historiadores árabes da época, sendo interessante verificar que as versões ocidentais e orientais não coincidem. Embora escrito em 1983, o Epílogo do livro é particularmente actual, na medida em que Maalouf sustenta que os acontecimentos descritos ao longo da obra ainda influenciam os árabes e muçulmanos em geral na sua postura face ao Ocidente. Na altura das Cruzadas, embora a entrar num período de declínio, a Civilização Árabe era ainda a mais avançada do planeta. Os árabes sofriam, desde antes das cruzadas, de certas “enfermidades” que a presença franca pôs em realce e que certamente agravou, mas que não criou na totalidade. O declínio passou a decadência. E é este trauma que o autor refere como parte importante da explicação para a existência de um sentimento de eterna perseguição do mundo Árabe, que adquire contornos muito graves em certos fanáticos. Dos vários exemplos dados, há um bastante elucidativo, que é o do cidadão turco que em 1981 tentou assassinar o Papa João Paulo II, tendo previamente explicado numa carta o porquê da sua acção: “Decidi matar João Paulo II, comandante supremo dos cruzados...”

Humor chinês

Um dia, perguntaram a Mao o que teria acontecido se Khruschev tivesse sido assassinado em vez de Kennedy, em 1963. Sem hesitações, respondeu: «Well, I'll tell you one thing. Aristotle Onassis wouldn't have married Mrs Khruschev.»

O Contrato

Há dias fui veemente criticado por ter feito uma referência aos acontecimentos que se têm passado em França através do título "O Exemplar Estado Social Francês". Reconheço que a crítica é em parte merecida, pois, infelizmente, por falta de tempo, não tive oportunidade de me explicar. Assim, deixo aqui hoje o meu pensamento sobre o assunto.
Primeiro que tudo, quero que fique claro que não tenho absolutamente nada contra os imigrantes. Aliás, sendo um total defensor da globalização, estranho seria se tivesse alguma coisa contra o fenómeno migratório. Além disso, eu próprio já fui emigrante (pouco tempo) e tive contacto com muitos emigrantes portugueses (e também de outros países, culturas e religiões) que, no geral, são pessoas honestas e trabalhadoras.
A meu ver, a emigração/imigração deve ser entendida como um contrato entre o imigrante e o país que o acolhe. Contrato esse que, como qualquer outro, atribui direitos e deveres a ambas as partes e que caso não seja cumprido deve implicar uma qualquer punição para o infractor.
Na minha opinião, a forma como a generalidade dos estados europeus tem lidado com o fenómeno migratório está errada. Os países europeus acolheram-nos, deram-lhes trabalho, casa, educação e saúde gratuitas, no fundo, condições de vida muito superiores àquelas que teriam nos seus países de origem, mas, esqueceram-se de lhes exigir o cumprimento da sua parte no contrato. E a parte que os imigrantes têm que cumprir é, pelo menos, fazerem um esforço sério para se integrarem nas sociedades em que escolheram viver, respeitando os princípios e valores fundamentais dessas sociedades. O que acontece em muitos países receptores de imigração é que os imigrantes, principalmente aqueles provenientes de países cujos valores são muito diferentes, pura e simplesmente, fecharam-se em guetos e quiseram trazer todos os seus hábitos e costumes, sem fazerem qualquer esforço de adaptação. Mas o problema maior não é esse. Pior, acontece quando, para além disso, movidos por um enorme ódio em relação à civilização que os acolheu, procuram atacar e destruir os valores fundamentais dessas sociedades.Os estados não podem ser tolerantes com isso, sob pena de fazerem nascer uma bolha de tensão enorme entre imigrantes e não imigrantes que a qualquer momento pode rebentar e também sob pena de prejudicar os imigrantes que se integraram nas sociedades para onde foram (ou os seus ascendentes) em busca de uma vida melhor.
O medo que os governos têm ao lidarem com as comunidades imigrantes de ultrapassar a fronteira do xenofobismo e do racismo, faz com que as prioridades sejam esquecidas. O caso francês é um bom exemplo:2 marginais em fuga da polícia trepam uma vedação de arame farpado e entram para dentro de uma central eléctrica; morrem electrocutados. Perante a estupidez do acto, as autoridades francesas apressaram-se a instaurar um inquérito para apurar responsabilidades, quando a responsabilidade parece óbvia.Depois, gera-se um enorme escândalo porque um ministro apelida de "escumalha" os indivíduos que têm destruído escolas, automóveis, agredido pessoas, disparado contra polícias, etc. Independentemente da expressão poder não ser a mais feliz, a verdade é que os responsáveis pelos distúrbios, sejam brancos, pretos, amarelos, católicos ou muçulmanos, são de facto "escumalha" ou algo semelhante. Qual deverá ser a prioridade: exigir a demissão do ministro, ou combater veemente os responsáveis por aqueles actos?
O maior escândalo é o facto de a França se encontrar há 11 dias em verdadeiro estado de sítio e, por se encontrar embrulhada em inúmeros equívocos, não conseguir ter uma resposta clara para repor a ordem pública.
A maior responsabilidade do estado social encontra-se no facto de dar cegamente e não exigir nada em troca.
Os E.U.A. arranjaram uma forma politicamente incorrecta, mas minimamente eficaz de lidar com o incumprimento do contrato: deportação para o país de origem.

Sugestões de Leitura

Prime Minister Portillo and other things that never happened - Duncan Brack and Iain Dale
Lend me Your Ears - Boris Johnson
Silvio Berlusconi: Televison, Power and Patrimony - Paul Ginsborg
História de um Alemão - Sebastian Haffner
O Duce, Meu Pai - Romano Mussolini
Às Avessas - Vasco Pulido Valente

[Bernardo Pires de Lima]

The Need for Nations - Roger Scruton
A Invenção da Paz: Reflexões sobre a Guerra e a Ordem Internacional - Michael Howard
State Building - Francis Fukuyama

[Henrique Raposo]

domingo, novembro 06, 2005

E ao 10º dia a violência chegou a Paris

Uma pergunta levanta-se neste momento. Será este o nosso futuro, ou este é apenas um fenómeno que ficará limitado ao território francês?

sexta-feira, novembro 04, 2005

Seu Jorge


Ontem, na Aula Magna, um dos grandes concertos do ano.
Com um carisma invulgar, Seu Jorge cantou, tocou, dançou e discursou. Palavras e palavras carregadas de simbolismo que agarraram uma sala quase cheia. Pela primeira vez vi um músico chorar compulsivamente em palco.
Desde que fomos comparados ao público turco, num célebre concerto na praça de touros de Cascais, que já espero tudo. Somos ávidos de concertos. Precisamos de música como pão para a boca.
Seu Jorge toca simples. Não é preciso mais.

O Exemplar Estado Social Francês

quinta-feira, novembro 03, 2005

JRR




O que eu amo no futebol é a tendência para hipérbole. De bestial a besta, o que hoje é verdade, etc...

Mas há mais. Reparem. A UEFA, ao permitir que estes dois seres humanos partilhem, ainda que por poucos minutos, o mesmo local de trabalho, dota o espectáculo da contradição que o torna tão fascinante. Lado a lado o génio e o ladrão de auto-rádios. Jesus Cristo e Barrabás. Não é épico?


E o melhor é que eu tenho a certeza que Juan Ramón Riquelme perdoou a falta de um misto de audácia e de simples bom-senso que, fosse o futebol uma actividade como as outras, teria levado o pobre João Pereira a oferecer-se para lhe lavar os pés no final do jogo. Mas o João Pereira é o João Pereira e optou por mandar o guarda-redes adversário para a puta sul-americana da mãe dele e assim também não está mal.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Agnosticismo

Caro Tiago Mendes,

A minha posição sempre foi esta: «Baseando-nos nas provas acessíveis à razão humana e à investigação empírica, só podemos ter uma resposta honesta: o "não sei", "não sei se sim ou se não" do agnóstico»
George Steiner

com um grande abraço,
HR

Os 5 que mais me marcaram

Como estamos numa de música...





London Calling, The Clash
Circo de Feras, Xutos & Pontapés
Ten, Pearl Jam
Dirt, Alice in Chains
Sopa, Censurados

1 minuto e meio a filmar arbustos: é Arte!


Nirvana, a banda de Kurt Cobain fundada em 1987 e que explodiu definitivamente em 1991 com o album "Never Mind", seguido do "In Utero" em 1993, é e será sempre uma das maiores bandas de todos os tempos. Músicas que combinam simplicidade com originalidade: Hearth shapped box, Oh me, Pennyroyal tea, Serve the servants, Lake of fire, All apologies, e muitas mais, uma inédita mistura de rock alternativo e música punk que foi apelidada pelos media da altura como "grunge", género musical da qual também fazem parte três grandes bandas de Seattle: Pearl Jam, Alice in Chains e Soundgarden.
Como eterno fã de Nirvana, e especialmente do "MTV Unplugged" de 1993, foi com grande expectativa que aguardei a chegada do filme "Last Days" do realizador Gus Van Sant, que tem no currículo filmes como "Good will hunting" e "Elephant". Aparentemente uma boa combinação: um bom realizador e um tema que me interessa particularmente.
Pode-se afirmar que a intenção de Gus Van Sant era transmitir o sentimento de depressão e de falta de rumo que Kurt Cobain sentia nos últimos dias da sua vida. Mas porquê? Porquê fazer um filme sobre os piores dias da vida de uma pessoa que deu tamanho contributo à música? De musical o filme não tem absolutamente nada, nem banda sonora! Diálogos interessantes zero! Em relação a movimento, é a antítese! Ficou-me na memória uma cena em particular, na qual Kurt Cobain passeia pelo bosque perto de sua casa. Até aqui tudo bem. A minha surpresa veio quando o personagem que desempenha o papel de Kurt Cobain sai do alcance da câmara, mas a câmara continua a filmar o que está à frente durante pelo menos minuto e meio (contados pelo relógio do meu telemóvel), ou seja, uns arbustos. E isto sem música ou som de qualquer espécie.
O problema é o seguinte: eu admiro pessoas que são diferentes (entenda-se originais), mas naturalmente diferentes, fiéis consigo próprias. No outro lado da moeda estão aqueles cujo objectivo final é ser diferente, que não sabem muito bem o que são ou pretendem ser, apenas pretendem afirmar "eu sou original porque sou diferente". Este último é um género em relação ao qual não sei se a minha paciência se esgotou porque não sei se alguma vez existiu.

An Ode to Hip-Hop


A pedido do camarada Bernardo, Erykah Badu e Common chegam à “Grafonola do Sinédrio” em força, com “Love of my life (an ode to hip-hop)", soudtrack do filme Brown Sugar.
O vídeo é pura nostalgia de 3 décadas de b-boying e hip-hop.

terça-feira, novembro 01, 2005

Políticos profissionais

A recente polémica sobre o ser ou não ser político profissional merece um breve comentário. Existem dois tipos de político profissional que não devem ser confundidos. O primeiro é aquele que depois de ter iniciado a sua carreira profissional numa qualquer área a abandona numa determinada fase da vida para se dedicar à política, podendo, ou não, voltar à sua actividade anterior ou ingressar numa nova. Neste tipo inserem-se tanto Cavaco Silva como Mário Soares, o segundo com um evidente mais elevado grau profissionalização política.
O segundo tipo de político profissional é aquele que ainda não tendo acabado o liceu já estava numa das várias jotas, fazendo campanhas, distribuindo canetas e sacos de plástico, empunhando bandeiras e enchendo pavilhões e restaurantes com gritos e palmas. Em troca destes serviços recebeu o direito de usar umas salas nas sedes partidárias com telefone e bar aberto incluído para onde vai fazer telefonemas às amigas e beber uns copos com os amigos. Mais tarde são convidados a integrar umas listas numa paróquia desconhecida onde nem sequer põem os pés e com alguma sorte, depois do frete, entram como assessores de assessores nos gabinetes ministeriais ou no grupo parlamentar do partido na Assembleia da República. Por esta altura da vida estão a meio da faculdade e tomam a difícil escolha de servir o país, recebendo em troca um ordenado maior do que o de ministro. Vivendo em casa do país, sem contas para pagar, o dinheiro vai para um carrinho novo, jantares tardios e noitadas nas discotecas da moda. Assim passa o tempo até que cai o governo ou se perdem as eleições. É um tremor de terra de grau 7. Voltar à faculdade para acabar o curso é uma chatice e encontrar um trabalho com o mesmo tipo de remuneração é impossível. Mais um passo na evolução natural. Os mais precavidos conseguiram, através dos contactos que fizeram quando estavam no poder, lugares jeitosos nalgumas grandes empresas públicas, outros nas privadas, muitos deles não voltam à política. Os outros ficam a bater-se pelos lugares ainda vagos nos aparelhos partidários onde ficam à espera da próxima alteração política. Quando o seu partido voltar ao poder já não serão assessores mas sim chefes de gabinete, porta vozes e secretários de Estado. Aqui começam verdadeiramente as suas carreiras políticas que os levarão mais tarde a ministros, comissários do governo nas grandes empresas públicas, presidentes de institutos públicos etc. Destes, alguns conseguirão mais tarde chegar a São Bento e à chefia de grandes organizações internacionais. Aos que não chegam a esse patamar mas que estiveram quase lá dão-se uns lugares de representação em organizações como a OCDE ou a UNESCO, não vá o diabo tecê-las. Felizmente ainda nenhum destes chegou a Belém e não chegará nos próximos anos, mas vermos o que acontecerá daqui a 10 anos.